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Arena Pantanal: sustentabilidade do projeto à operação multiuso

Copa 2014

Estádio de Cuiabá considerou o apelo ambiental da região e priorizou ações sustentáveis em toda a fase de planejamento
por Portal Brasil publicado: 02/04/2014 14h14 última modificação: 30/07/2014 02h43

O estado do Mato Grosso é conhecido por ser o ponto de transição entre três ecossistemas brasileiros – Cerrado, Amazônia e Pantanal. Por isso, o projeto da arena de Cuiabá considerou o apelo ambiental da região e priorizou ações sustentáveis desde a fase de planejamento do estádio até a sua operação após os quatro jogos da Copa do Mundo que receberá.

Medidas como reaproveitamento de água da chuva, construção de jardins, captação de energia solar, concepção arquitetônica para facilitar a ventilação e o emprego de materiais que aumentam a reflexão da luz foram adotadas para melhorar o conforto de torcedores e atletas.

“O projeto da Arena Pantanal é diferenciado, pela concepção arquitetônica que leva em conta os requisitos de um empreendimento com práticas sustentáveis. A certificação que estamos buscando, que é a Leed, tem toda uma gama de parâmetros, que precisamos comprovar, tanto na fase de projeto, como de construção e operação”, explica João Paulo Borges, engenheiro responsável pelas obras.

A Arena Pantanal é a única da Copa do Mundo a não ter os quatro cantos fechados, com pelo menos um anel de arquibancada contínuo. As “esquinas” foram deixadas livres, com o objetivo de facilitar a ventilação cruzada dentro do local, que ainda conta com jardins e árvores nas aberturas laterais, aumentando o conforto térmico dentro do estádio.

“Dentro da concepção arquitetônica do estádio foram levados em conta dois motivos para não optarmos por uma arena oval. O primeiro foi pelo clima de Cuiabá, pois sem as esquinas fica mais fácil a troca de ar, melhorando a condição térmica. Outro motivo foi eliminar do estádio as posições com pior nível de visibilidade, fazendo com que 80% dos lugares da arena tenham visibilidade com níveis médio e ótimo”, afirma Borges.

Cobertura e fachada
Autolimpante, termoacústica, resistente aos raios UV, com alta capacidade de refletir a luz solar, densa e flexível - essas são algumas características da cobertura. Apoiada em torres de sustentação, a cobertura do estádio imita uma asa delta, com aerodinâmica adotada por causa das condições dos ventos locais.

“A estrutura metálica da cobertura foi uma parte delicada do projeto, porque ela recebe toda a influência do vento, pois temos os quatro cantos abertos. Então adequamos a estrutura com uma forma que parece uma asa delta. Ela foi revestida na parte de cima com um sistema de telhas, com isolamento térmico e acústico, e em baixo com um forro, formando um elemento único”.

Com 26,8 mil metros quadrados, a cobertura da Arena Pantanal tem placas para a captação de energia solar e é inclinada para direcionar a água da chuva para calhas. A água é levada para tubos instalados nos pórticos até chegar aos reservatórios localizados no subsolo do estádio, onde é tratada e reutilizada no gramado, nos banheiros e para abastecer o lago que fica na esplanada da arena, com capacidade para 1,2 milhão de litros. A economia anual prevista é de 30% em todo o complexo.

A preocupação com a temperatura também foi levada em consideração na escolha dos materiais que compõem a fachada da arena. Dividida em três partes, ela tem uma membrana na cor verde, no topo e na parte intermediária, que é perfurada e permite uma melhor ventilação, além de refletir a luz solar e ser incombustível.

Multiuso
A Arena Pantanal foi construída em uma área de 300 mil metros quadrados, que conta com bosque e lago. Ao redor do estádio, há uma esplanada com 93 mil metros quadrados, feita para facilitar a circulação dos torcedores.

“As praças de acesso da Arena Pantanal, todas feitas em concreto, têm uma coloração que mistura tons de cinza, branco, amarelo e ocre, fato que eleva o índice de reflexão destes pisos, para que não fossem formadas ilhas de calor. As cores utilizadas diminuem entre 30% e 40% a reflexão dos raios UV, melhorando a condição térmica, já que Mato Grosso tem uma das maiores médias de temperatura do Brasil”, disse Borges.

O local também foi pensado para abrigar diversos tipos de eventos e será um novo ponto de lazer para os cuiabanos, com restaurante, bares, sanitários, passarela, jardins e uma escadaria, que pode servir para abrigar palcos de shows.

As arquibancadas dos setores norte e sul (atrás dos gols) foram pensadas para atender ao caráter multiuso do estádio. Removíveis e feitas em estrutura metálica, elas comportam 18 mil pessoas.

“É como se fosse uma estrutura modular, que você pode desparafusar. Isto é um tipo de utilização, prevendo o uso sustentável, ou seja, a mobilidade do projeto, que pode ser transformado no futuro. Também há muitas estruturas de acabamento que são removíveis. Elas podem ser modificadas de acordo com a utilização interna do ambiente. Nós temos andares que podem ser transformados em um grande centro de convenções ou em salas de aula. Os pavimentos de laje podem receber cargas de várias formas de distribuição das paredes”, complementa o engenheiro responsável pela obra.

Para João Paulo Borges, um dos legados que a Copa do Mundo deixará para o país é a possibilidade que as pessoas envolvidas nas construções das novas arenas estão tendo para criar um novo conceito de engenharia. “Isto é um legado que o evento pode deixar para o Brasil e, de forma geral, para a construção civil”, conclui.

Fonte:
Portal da Copa

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