Esporte
A bola fora da Anistia Internacional
Artigo
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, publicou artigo no Portal do Ministério em que ele repudia a campanha “Brasil, chega de bola fora’’, da Anistia Internacional do Rio de Janeiro. A Campanha busca mobilizar contra a repressão de protestos durante a Copa do Mundo. Segundo o ministro, o Brasil nunca viveu um momento com tanta liberdade democrática como agora, porém, vândalos não podem ser considerados manifestantes.
Rebelo citou, ainda, o caso do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Ilídio Andrade, que foi morto após ser atingido por um rojão enquanto filmava uma manifestação no Rio no começo deste ano.
Confira o artigo na íntegra:
A História registra numerosos casos de organizações que degeneraram ao tomar um atalho embaraçoso da trajetória original. O escritório da Anistia Internacional no Rio parece hipertrofiado pela síndrome do pequeno poder, patologia com viés político que faz o doente extrapolar a competência e exorbitar a autoridade. Depois de jornadas memoráveis em defesa dos prisioneiros de consciência, na falta deles, agora, a Anistia engendra campanhas que oscilam entre o sofisma patético e a piada surreal.
Após dez anos sem representação no Brasil, a organização reinstalou-se no Rio em 2011, com uma diretoria partidarizada que almeja ser a ouvidoria da nação. Critica a construção da usina de Belo Monte, defende a unificação das polícias Civil e Militar, faz circular um abaixo-assinado pela revisão da Lei da Anistia e, para isso, quer conduzir a presidenta da República à Comissão da Verdade, quando ela já declarou respeito aos pactos que propiciaram a redemocratização. Sua última iniciativa é a campanha internacional “Brasil, chega de bola fora’’. O movimento teria o propósito de mobilizar o mundo para pressionar o País a não reprimir protestos durante a Copa do Mundo: “Diga ao governo brasileiro que protesto não é crime. Dê a eles um cartão amarelo.”
Isso é recado para ditadura. O Brasil vive o período mais duradouro e profundo de liberdades democráticas de sua História. A geração que chegou ao poder sofreu literalmente na carne a máxima inversa: protesto era crime. Hoje, tutela a liberdade de manifestação que lhe foi raptada nos anos de chumbo, quando muitos pagaram com a vida a ousadia da insurgência. Desde a redemocratização, construímos um estado de direito tão elástico que alguns até o consideram facilitador da sabotagem da democracia. Atualmente, vândalos flagrados em ação são assistidos ao vivo por ativistas de plantão, que chegam à delegacia antes deles.
Não saiu do governo federal, empenhado em realizar a Copa da Paz, um só ato restritivo do direito à manifestação pública. A rua é o palco da liberdade. Mas não é lícito aplaudir “manifestantes” praticando saques no comércio, vandalizando equipamentos de utilidade pública, incendiando ônibus do transporte popular e carros da imprensa, depredando prédios da democracia representativa, agredindo jornalistas, ferindo transeuntes, imolando policiais como tochas humanas.
A Anistia quer que o mundo diga às autoridades do Rio de Janeiro que não é crime explodir coquetel molotov em atos a que pessoas de boa-fé levam os filhos para defender as causas justas do povo? Não é crime matar cinegrafista que registra o próprio desempenho dos manifestantes? Merece cartão amarelo a responsabilização de delinquentes que, pela truculência, até inibem legítimas manifestações populares? A sociedade brasileira não se opõe a manifestações, mas repudia o cavalo de Átila, que não deixa grama por onde passa.
Fonte:
Ministério do Esporte
Portal Brasil
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