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Casal argentino muda rota de viagem de carro pela América do Sul

Copa do Mundo

Mariana Careño, 33 anos, e Pablo Romano, 36 anos, que faziam percurso semelhante ao do compatriota Ernesto Che Guevara, decidiram adaptar o roteiro por causa da Copa
por Portal Brasil publicado: 14/06/2014 12h00 última modificação: 30/07/2014 02h29

A inspiração está em casa, mas o destino é a estrada. O casal argentino Mariana Careño, 33 anos, e Pablo Romano, 36 anos, resolveram fazer um percurso semelhante ao que o compatriota Ernesto Che Guevara fez pela América do Sul na década de 50. Eles saíram de Córdoba em fevereiro deste ano, numa perua da marca Renault dos anos 80, que serve de lar, e foram até a Bolívia. A ideia era percorrer o continente de oeste a leste. Nada que uma Copa do Mundo os fizesse mudar de ideia. Antes de chegarem a Machu Picchu a rota tomou sentido inverso.

“Gostamos de viajar. Terminamos a faculdade de engenharia civil e decidimos pegar a estrada. Cansamos da vida que levávamos e resolvemos ter essa experiência. Queremos percorrer toda a América do Sul, íamos pela Bolívia e voltaríamos pelo Brasil, mas mudamos de ideia e invertemos a rota, para aproveitar a Copa”, relata Careño, que acabara de chegar ao Rio de Janeiro.

Ainda estacionando o carro pela primeira vez em Copacabana, eles contam que entraram no Brasil por Corumbá, no Mato Grosso do Sul, há um mês. A cidade faz divisa com a Bolívia. De lá, eles seguiram para São Paulo, passaram pelo Guarujá e pela carioca Paraty, até se juntarem aos demais argentinos que lotam a praia na zona sul do Rio de Janeiro.

“Vamos ficar aqui até terça, vamos acompanhar o jogo da Argentina, mas só na festa mesmo, porque não temos ingresso. Depois vamos para Belo Horizonte e aí deixamos de seguir a seleção, porque seguiremos para o Nordeste e de lá até a Venezuela”, descreveu Romano. A seleção argentina enfrentará a Bósnia-Herzegovina no Maracanã, no domingo (15), e o Irã, no Mineirão, no sábado (21).

Mi casa

É no carro que o casal montou a casa e o local de trabalho. A renda para a viagem vem dos consertos de máquinas de costura, especialidade do casal. Ao longo do trajeto eles foram aprimorando a atividade, a partir de ideias e ajuda que receberam de outras pessoas. “Nós compramos um pequeno alto falante para colocar em cima do carro e anunciar os nossos serviços. Isso foi ideia de uma brasileira. Ela contou que aqui no Brasil faziam dessa maneira”, lembra Careño.

O problema, então, passou a ser a comunicação com os brasileiros por causa do idioma. Nada que outra amizade feita no caminho não resolvesse. Foi o dono de uma pequena rádio no Guarujá que gravou o anúncio que é repetido quando o Renault passeia pelas ruas atrás de quem queira consertar as máquinas de costura.

“Desde que saímos de Córdoba, consertamos cerca de 140 máquinas. É com isso que a gente consegue o dinheiro para seguir viagem”, afirma Romano. Mas, a experiência no ofício também foi transmitida a outras pessoas e transformaram a vida de algumas delas em Potosí, na Bolívia. “Demos um curso para que eles aprendessem a arrumar suas máquinas. Lá tem muitas costureiras, mas, quando tinham algum problema com as máquinas elas tinham que levar para La Paz, que fica muito longe”.

O porta-malas do carro serve como quarto. Gavetas de madeira ficam na base e dão sustentação à cama. No banco de trás, estão os equipamentos para o trabalho. Para cozinhar, a água é fervida e o fogão improvisado ao lado da casa. Apenas um cômodo não fica no Renault: o banheiro. Albergues, sanitários públicos, estabelecimentos comerciais, casa de amigos feitos pelo caminho são usados.

“Aprendemos a nos desapegar das coisas e sobre o que não necessitamos. Deixamos as oportunidades de emprego para conhecer pessoas. Isso é o mais valioso. E o que nos surpreende e que gostaria de destacar é a amabilidade dos brasileiros. Eles se preocupam em como estamos, em dar informações”, elogia Romano.

A namorada conta que uma vez, uma brasileira estava dando tanta comida para eles seguirem viagem que teve que recusar alguns pacotes, porque não cabia mais no carro. “Tive que dizer que estava bom, porque não tinha mais como guardar”, disse sorrindo.

Entre acenos e buzinas, aos poucos a rota no mapa da América Latina, desenhada na porta do carro, vai sendo preenchida. “Ainda não sabemos se quando chegarmos ao Panamá retornarmos, ou iremos até o México”, vislumbra Romano. “Depende se o carro aguentar”, completa a namorada. Quem sabe não continuem mesmo sem o veículo, assim como o fez Che. A única certeza que eles dizem ter é que não vão parar de seguir viagem, compartilhando histórias e imagens, também pelas redes sociais.

Fonte:
Portal da Copa

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