Esporte
Costa Rica vence Itália, elimina a Inglaterra e se classifica
"Grupo da Morte"
Diante de milhares de torcedores na Arena Pernambuco e outros milhões pela televisão, a Costa Rica escreveu uma página histórica no futebol mundial em Recife (PE). Apontada como zebra e time que serviria apenas para os grandes construírem saldo de gols antes de a bola rolar na Copa 2014, a equipe da América Central precisou de apenas duas rodadas para garantir a classificação para as oitavas de final.
Após vencer o Uruguai por 3 x 1 na estreia, a Costa Rica bateu a Itália por 1 x 0 na arena de São Lourenço da Mata. O resultado eliminou a Inglaterra, que perdeu os dois primeiros jogos, e transformou o confronto entre Itália x Uruguai, na última rodada, em Natal, num mata-mata antecipado, já que valerá a segunda vaga no grupo. A Costa Rica, no duelo com a Inglaterra, depende apenas de um empate para garantir o primeiro lugar no grupo.
O herói da partida não precisou nem balançar a rede para decretar a vitória. Bryan Ruiz aproveitou um cruzamento que partiu da esquerda do ataque, aos 43 minutos do primeiro tempo, e cabeceou forte. A bola tocou no travessão defendido pelo goleiro Buffon e caiu centímetros após a linha de gol. Nem foi preciso a tecnologia da linha do gol confirmar. O próprio bandeira já tinha corrido para o meio de campo indicando a validade do gol que sentenciou a vitória costarriquenha. A Itália, de jogadores consagrados como Pirlo, Balotelli, Candreva, Marchisio, Cassano, De Rossi e Abate, não conseguiu achar brechas na defesa adversária para mudar o resultado.
Em êxtase
Desde a estação do metrô até a saída do último torcedor do estádio, a trilha sonora foi uma só: “Olê, olê, olê! Ticos, Ticos!”. Uma mistura de alívio e surpresa dominou os rostos da torcida da Costa Rica, em êxtase com o resultado. “Sinceramente, eu não acreditava que iríamos vencer duas campeãs mundiais nessa primeira fase da Copa. Mas a equipe deu o melhor em campo. Estou muito feliz”, disse o costarriquenho Johnny Albarado, antes de ser “engolido” por uma onda de contemporâneos que descia a arquibancada.
O americano Clifton Broumand leva na bagagem nove mundiais e garante que, independentemente de quem saia vencedor no futebol, todos ganham com a mistura de culturas que o mundial promove. “É o único lugar onde você pode ver gente de todo mundo juntos só para aproveitar, se divertir. É uma celebração universal”, afirmou. Desta vez, contudo, os italianos deixaram a festa desapontados.
Para Luis Pinto, o time foi perfeito
“Não sei se sou atrevido, mas tínhamos um time perfeito com uma estrutura tática organizada.” Foi dessa forma que o técnico da Costa Rica, Jorge Luis Pinto, explicou a vitória histórica. O comandante elogiou a aplicação técnica dos jogadores, que estudaram bem o adversário a ponto de conseguir neutralizá-los, sobretudo no segundo tempo. “Essa equipe está aí por que aprendeu, assimilou o que foi passado. Impusemos uma tática muito bem definida a Pirlo, por exemplo, e tiramos a bola dele”, elogiou o treinador.
Jorge Luis se mostrou emocionado com o feito, a reação do país e com a festa ao redor do estádio, que seguiu até pelo menos uma hora depois da partida. “Esse é um momento histórico. Temos um time de qualidade impressionante, motivo de orgulho para o nosso país”, comentou ao saber que, na Costa Rica, as ruas estão tomadas por torcedores. “Talvez ainda não tenhamos nos dado conta da magnitude do que conseguimos hoje. Queremos passar da fase inicial e chegar o mais longe possível”, comentou o capitão Bryan Ruiz, eleito o melhor em campo.
Taça não ganha jogo, diz Prandelli
Embora o feito da Costa Rica tenha sido histórico, para o técnico italiano Cesare Prandelli não foi surpresa a boa atuação dos adversários. Classificando os latino-americanos como preparados e bem aparelhados, o comandante da Azzurra tentou amenizar o peso da camisa e dos títulos. “Não se ganha jogos com taças que se conquistaram no passado. A Costa Rica trabalhou para chegar tão preparada. Vai construir a própria história”, pontuou, em entrevista coletiva após a partida.
A lentidão na saída de bola foi apontada por Prandelli como a causa da derrota. Sem colocar a responsabilidade em nenhum jogador específico, o treinador destacou a capacidade de atacar e preencher espaços dos adversários. “Nossa abordagem foi errada. Fomos lentos na saída de bola e depois que tomamos o gol não fizemos nenhum chute”, resumiu, dizendo ainda que os italianos poderiam ter acreditado mais. “Teremos outra oportunidade em três dias contra o Uruguai e temos que recuperar todas as nossas energias físicas e mentais para ela. É vida ou morte.”
O jogo
Recife viu uma bela partida de futebol. Após 30 minutos sem grandes chances, coube a Mário Balotelli abrir as hostilidades e logo por duas vezes: primeiro tocou por cima do goleiro, mas a bola saiu ao lado, e depois chutou forte para uma grande defesa de Keylor Navas.
Do outro lado, o regressado Gianluigi Buffon também brilhou ao impedir a festa de Christian Bolaños, mas o goleiro nada pode fazer aos 44 minutos. Belo cruzamento de Júnior Díaz e um cabeceio perfeito de Bryan Ruiz para o gol, que ajudou o jogador do PSV Eindhoven a ser eleito o Craque do Jogo.
A Itália bem tentou se recuperar no segundo tempo, mas nada conseguiu fazer para evitar a festa costa-riquenha, numa data bem especial. Vinte e quatro anos atrás, e também no dia 20 de junho, a Costa Rica se classificou pela primeira vez para as oitavas de uma Copa do Mundo - curiosamente, aliás, em solo italiano. Esta quinta-feira repetiu a história e deu mais uma amostra de quanto esta Copa está incrível.
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