Esporte
Scolari alerta para sistema de jogo chileno
Copa 2014
Em sua primeira entrevista depois do sorteio dos grupos da Copa do Mundo, Luiz Felipe Scolari declarou que o adversário que ele preferiria evitar nas oitavas de final era o Chile. Sim, o Chile – em vez de Espanha ou Holanda, as finalistas de 2010.
“Prefiro qualquer outro. É um time chato de jogar, organizado, e o sistema deles não encaixa com o nosso. São inteligentes e têm um elenco bom”, disse. Na época, muitos assimilaram as palavras do técnico como um despiste. Agora, meses depois, com os dois times sul-americanos frente a frente, o contexto já é bem diferente. “Falava deles há tempos e era ridicularizado. Hoje, todo mundo endeusa.”
Que sinal de respeito pode ser maior que esse? São as palavras do técnico anfitrião da Copa, que já foi campeão mundial. Que tal? Pois é este o status que a Roja carrega para o confronto. Poucos vão apontá-la como favorita, mas ninguém vai questionar que o time chega com uma reverência incomum, graças ao seu futebol vistoso e agressivo, apresentado aos poucos que já não o conheciam nos últimos dias.
Mesmo que quem venha seja o País que eliminou os chilenos justamente em suas melhores campanhas nos Mundiais? Sempre que passou de fase, o Chile caiu perante o Brasil (semifinais em casa em 1962 e oitavas em 1998 e 2010). “O que posso garantir é que definitivamente vamos jogar de um jeito acelerado contra quem quer que seja. Cada jogo é diferente, mas nossa atitude e nossos métodos não mudam”, afirma o técnico Jorge Sampaoli. “Nossa estratégia, tática e forma física vão ditar o ritmo do jogo, conforme tentamos atacar.”
Meio-campo brasileiro
O meio-campista Fernandinho teve sua primeira chance de atuar em uma Copa do Mundo na última segunda-feira (23). Com um bom desempenho na partida contra Camarões, Fernandinho se credenciou a uma vaga no time titular brasileiro e é candidato a enfrentar o Chile no próximo sábado. Durante as atividades na Granja Comary ontem (26), treinou todo o tempo entre os titulares.
Outra história
No desfecho do Grupo B, depois de já ter eliminado a Espanha na segunda rodada, o Chile se viu numa situação, digamos, estranha. Do outro lado estava a Holanda, atual vice-campeã mundial, igualmente classificada. O que se viu durante todo o jogo? O time europeu jogando recuado, com até nove homens atrás da linha da bola, nas contas de Sampaoli. Sinal dos tempos?
“Eles ficaram com uma linha de defensores que tornou as coisas muito difíceis para nós”, afirma o centroavante Mauricio Pinilla. “No passado, a Holanda nunca iria jogar de forma defensiva contra o Chile, se preparando para o contra-ataque.”
Naquela partida em São Paulo, o time sul-americano terminou com 64% de posse de bola, mas o índice se aproximou dos 70% ao final do primeiro tempo. As propostas de jogo não poderiam ser mais opostas. “Fomos aqueles que buscaram a vitória. Tivemos intensidade, mas não conseguimos encontrar um meio de derrotar uma equipe que simplesmente se defendia e só usava chutões”, afirma Sampaoli.
Afirmação
De qualquer maneira, foi a Holanda quem saiu comemorando uma vitória por 2 a 0. O primeiro gol saiu em bola aérea e o segundo, em contra-ataque armado por um Arjen Robben em forma impecável. Dessa vez a movimentação constante dos homens de frente, o toque de bola e o talento individual que prevaleceram contra a Espanha não surtiram efeito. Como assimilar isso?
“Nós sabemos muito bem o que fazer em campo, e os adversários acabam ficando atentos a isso”, diz o meia Felipe Gutiérrez. “Sabem que somos uma equipe perigosa. Não foi fácil perder desta maneira, mas foi um jogo importante para nós nesse sentido.”
Aprender, no entanto, não quer dizer mudar o estilo. “À medida que vamos melhorando, ganhamos o respeito, coisa que já acontece. Estamos vencendo com méritos. Então, agora é hora de aprender a reagir em momentos difíceis. Aprender também a como quebrar uma defesa fechada, quando o rival tem um excesso de precaução”, explica o experiente e polivalente Jean Beausejour.
Agora, ninguém vai imaginar o Brasil jogando, em casa, com retranca. Aí talvez seja demais. “Eles são os favoritos para todo mundo”, concede Sampaoli. Mas é certo que os chilenos têm ao menos o respeito do adversário conquistado. E que vão entrar em campo com a audácia que lhes é característica. “É desse Chile que tenho orgulho. Com intensidade, coragem e a cabeça erguida, preparado para o que venha.”
Fonte:
Fifa
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