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Ingleses caminham 1.966 quilômetros para vir à Copa no Brasil

Aventura

Quarteto de amigos saiu da Argentina, e deve chegar a Porto Alegre no dia 8. Os 1.996 km representam o ano em que Inglaterra ganhou o Mundial
por Portal Brasil publicado: 02/06/2014 11h29 última modificação: 30/07/2014 02h28

Uma jornada maluca e divertida, de 1.966 quilômetros percorridos a pé, une a cidade de Mendoza, na Argentina, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A Caminhada para a Copa do Mundo (Walk to the World Cup) é um projeto iniciado há mais de um ano pelos ingleses Adam Burns, 27 anos; David Bewick, 32; Pete Johnston, 30; e Ben Olsen, 31. O trajeto, supersticiosamente calculado em referência ao ano em que a Inglaterra conquistou o torneio, está chegando aos últimos 150 quilômetros, mas o entusiasmo do grupo só aumenta.

Após dormirem em Camaquã, eles partiram, na manhã de 30 de maio, rumo a Arambaré, a 153 quilômetros da capital gaúcha. Neste sábado (31), o destino seria Tapes.

Entre o sono e o café da manhã, o quarteto contou peculiaridades da aventura, que, ao ser completada, terá agregado mais um membro a partir do balneário uruguaio de Solís: o cão de rua Jefferson, que pela persistência em acompanhar a caminhada acabou sendo adotado e batizado. De quebra, o "fedorento", como é apelidado, ganhou os “sobrenomes” Ramsey Moore, em homenagem aos lendários Alf Ramsey e Bobby Moore, respectivamente técnico e capitão do time campeão em 1966.

Naturais de Newmarket, Lake District, Middlesbrough e Devon, respectivamente, eles começaram a planejar a viagem em fevereiro de 2013.

Adam é torcedor do Newcastle United, e David é fã do Liverpool, enquanto Pete torce para o Middlesborough e Ben para o Tottenham Hotspur. "Somos todos fãs apaixonados por futebol e adoramos jogar. Crescemos com o futebol sendo grande parte de nossas vidas. Ele nos trouxe amigos, grandes lembranças e alguns dos momentos mais emocionantes e comoventes", afirma Pete.

Uma das propostas presentes nesta grande aventura, é arrecadar dinheiro para a comunidade Josefina de Vasconcelos Arts Care Trust (www.jdevartscaretrust.org), que está construindo um novo poço de água para atender aos atingidos pela seca na Bahia. E para bancar a viagem e todas as suas despesas, eles guardaram dinheiro durante um ano, já que todas as doações são destinadas a Arts Care Trust. Das 20 mil libras orçadas para a obra, eles já conseguiram 7.900. Para contribuir, acesse justgiving.com/walktotheworldcup-jdev.

A aventura

Os quatro amigos decidiram partir na caminhada pela Argentina por ser um lugar que sempre quiseram conhecer. "O país é famoso pelo futebol louco, e eu já havia lido muito sobre Buenos Aires e Rosário. Mas foi nas áreas agrícolas que mais nos divertimos", revela Adam, que mora e trabalha em Sydney, na Austrália.

Pete explica que a escolha de Mendoza para a largada foi a descoberta de uma rota com a distância aproximada de 1.966 quilômetros. "Esse número tem um grande significado para os torcedores ingleses, pois é o ano em que a Inglaterra venceu a Copa do Mundo. Além do mais, a cidade é famosa por belas paisagens e um vinho fantástico. Por isso parecia ser o lugar perfeito para começar".

Pete e David foram a Mendoza um mês antes do passeio, para que pudessem planejar a rota com detalhes, obtendo conhecimento local e melhorando o idioma espanhol. "Tivemos sorte ao encontrar alojamento gratuito com uma mulher adorável chamada Christine, que dirige uma escola de idiomas", conta o gerente de Eventos Pete.

A partida, em 3 de março, foi em frente ao estádio Bautista Gargantini, casa do Independiente Rivadavia, o time favorito do grupo em Mendoza. Pete, o geólogo David e o gerente de Relações Públicas Adam pegaram a estrada, em percursos diários de cerca de 30 quilômetros. O jornalista Ben encontrou os amigos em abril, já em Buenos Aires.

Até agora, foram 88 dias de asfalto, terra e raros momentos de conforto. Mas quem liga? O quinteto – o cão Jefferson já percorreu mais de 600 quilômetros ao lado dos ingleses e ganhou, inclusive, uma camisa do English Team – dorme basicamente em tendas em locais de acampamento, áreas agrícolas e postos de gasolina.

"Passamos três noites caminhando através do deserto San Luis, na Argentina, e dormíamos em estações de trem abandonadas. Também temos tido sorte, pois muitas pessoas nos oferecem acomodação em todos os lugares por onde temos passado", conta Ben. As refeições são momentos de descoberta, diverte-se Pete. "Gostamos de experimentar a comida local, tanto quanto possível. Mas quando estamos na estrada, nosso almoço habitual consiste em sanduíches de atum em conserva".

Bola rolando

O grupo ingressou no Brasil em 16 de maio, pelo Chuí, na fronteira com o Uruguai. A caminho do Brasil, eles pretendem assistir aos jogos da Inglaterra. Já conseguiram ingressos para as partidas contra a Itália, em Manaus, no dia 14 de junho; e Costa Rica, em Belo Horizonte, no dia 24. Estão em busca do acesso para o confronto contra o Uruguai, em São Paulo, no dia 19 de junho.

O grupo está otimista em relação à participação da seleção inglesa, a despeito de ter caído no chamado Grupo da Morte. "Roy Hodgson (o técnico) escolheu alguns jovens jogadores interessantes que estarão jogando sem a pressão habitual. Sabemos que estamos longe de ser tão bons quanto Brasil, Argentina e Espanha, mas acreditamos que iremos avançar para a fase de mata-mata. Não iremos raspar nossas barbas até a Inglaterra ser desclassificada. Por isso, se eles chegarem à final, estaremos como quatro Forest Gumps", brinca David.

De acordo com Ben, Itália e Uruguai (mesmo sem Suárez) são adversários muito fortes, mas a Itália raramente começa bem as Copas do Mundo e o Uruguai lutou muito nas Eliminatórias. "Temos chance de conseguir um bom resultado em ambos os jogos. A Costa Rica é um uma equipe desconhecida para nós, mas devemos vencê-los se jogarmos bem".

As esperanças do grupo estão nos pés do meia Raheem Sterling, do Liverpool. "Ele teve uma temporada fantástica e vai jogar ao lado de seus companheiros de equipe Steven Gerrard e Daniel Sturridge. Vai se sentir em casa. Sterling tem a capacidade de mudar o ritmo do jogo em um piscar de olhos, por isso estamos esperando que ele realmente supere a defesa italiana no primeiro jogo", aposta Adam.

Embora considere um sonho ver a Inglaterra na final, Pete aposta em uma decisão entre Brasil e Argentina. "Seria um jogo fantástico, com uma atmosfera incrível".

Na chegada

A poucos dias de Porto Alegre, eles ainda têm uma missão a cumprir. Pretendem encontrar um dono que adote o mascote Jefferson. "Temos algumas opções para ele em Porto Alegre, por isso sabemos que vamos encontrar um lar. Se não der certo, estou pensando em levá-lo de volta para Sydney comigo. Para isso, precisamos levá-lo para fazer um check-up em uma clínica veterinária", diz Adam. Eles esperam que algum veterinário disposto a ajudá-los com os exames do parceiro canino faça contato com eles pelo e-mail walktotheworldcup@gmail.com. "Estamos quase chegando. Espero que as pessoas de Porto Alegre venham nos receber", completa Pete.

Fonte:
Portal da Copa

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