Esporte
Atletas comentam reunião com a presidenta Dilma Rousseff
Futebol
Representantes do governo federal e dirigentes do Bom Senso Futebol Clube participaram na tarde desta segunda-feira (21) de uma coletiva de imprensa para comentar a reunião que tiveram com a presidenta Dilma.
Os jogadores Dida, Ruy e Aline (do futebol feminino) representaram os atletas do movimento no Palácio do Planalto. Este foi o segundo encontro entre os representantes e a presidenta e na pauta estiveram a democratização da CBF, a estruturação de clubes do País, o futebol feminino e questões de responsabilidades fiscal dos clubes.
O secretário Nacional de Futebol do Ministério do Esporte, Antônio José Carvalho do Nascimento Filho, destacou que a questão da democratização da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é algo que extrapola os poderes do governo. “A Constituição proíbe intervenção na CBF. A Intervenção do governo na CBF pressupõe a suspensão do Brasil nas competições internacionais. A questão é saber se juridicamente é possível ou não. Estamos tentando pôr em pratica as formas de democratização na CBF, de que formas elas podem ser feitas”, disse.
Para o secretário, os resultados da seleção não podem pautar questões extra-campo relacionadas ao futebol: “Não sei se o governo precisa estar satisfeito com a gestão da CBF. Os resultados da seleção não podem ser o foco. A renovação do futebol é mais importante. Crianças e jovens estão sendo aliciados por empresários. É hora de não fortalecer os empresários. Vamos analisar a relação empresário-clube."
Para o diretor-executivo do Bom Senso Futebol Clube, Ricardo Borges Martins, “democratizar significa dar voz ao corpo de atletas e aos árbitros para mudar ou influir nas decisões importantes do esporte. A nova visão de pessoas com backgrounds diferentes precisa dar um novo ar ao contexto do futebol. Queremos colocar propostas de melhoria na CBF e que o projeto seja feito da melhor forma possível”, destacou.
Ruy, jogador e representante do Bom Senso F.C., se mostrou otimista após o encontro. “Na primeira reunião a gente focou em três pontos. E hoje fizemos um estudo mais aprofundado em cima desses três pontos, de que forma iam funcionar os trâmites dentro da Constituição”, disse.
Na próxima sexta-feira (26) a presidenta da República recebe dirigentes de clubes. Governo, atletas e parlamentares buscam propostas comuns para garantir a aprovação de uma projeto, já em tramitação na Câmara dos Deputados, que permita a modernização e a democratização da gestão de clubes e entidades responsáveis pelo futebol no País.
Responsabilidade fiscal
A entidade formada por jogadores de futebol profissional defende a gestão e as boas práticas dos clubes e federações de futebol. O Fair Play Financeiro, como ficou conhecido o pacote de sugestões do Bom Senso, inclui, além do saneamento das finanças dos clubes, o cumprimento das obrigações trabalhistas e fiscais.
Segundo os integrantes do Bom Senso, os clubes de futebol não poderiam apresentar déficit superior a 10% de sua renda total nos dois primeiros anos de saneamento financeiro e de gestão quando aderissem ao sistema proposto para sanear o setor. A partir do quinto ano, nenhum déficit seria mais aceito e haveria punições para aqueles que não cumprissem as regras, como multa, perda de pontos e eliminação dos campeonatos.
A legislação, que está em tramitação na Câmara dos Deputados, prevê o reparcelamento em até 300 meses das dívidas tributárias e trabalhistas dos clubes de futebol. "O Bom Senso nunca falou das dívidas ou do reparcelamento das dívidas, o que importa é que, se haverá reparcelamento, que haja contrapartida", pontuou Martins. O movimento defende que os clubes só tenham direito ao parcelamento se comprovarem não atrasar o pagamento salarial. "Que os clubes sejam obrigados a comprovar pagamentos de salário, trimestralmente às entidades de representação da categoria e também às federações estaduais e à Confederação Brasileira de Futebol [CBF]."
Atualmente, os clubes são obrigados a apresentar, uma vez por ano, uma Certidão Negativa de Débitos (CND). Caso não apresentem, podem ser punidos com rebaixamento. De acordo com Martins, o movimento defende um aumento da fiscalização, com a criação de uma entidade específica para esta função, e um escalonamento das punições para quem estiver inadimplente com o pagamento de salários e luvas. O rebaixamento seria a última punição.
A Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte mantém a punição da forma como está. O secretário Antonio José Carvalho do Nascimento Filho, disse que o governo diverge da posição dos atletas.
"Queremos firmar um pacto no qual os clubes só teriam acesso a este refinanciamento a partir do compromisso de que constem no regulamento da CBF as punições relativas a pagamento de salário, direito de imagem, entre outras”, disse.
Fonte:
Portal Brasil com informações do Ministério do Esporte, da Agência Brasil e do Blog do Planalto
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