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"Jogar bem não basta", diz Michel Hidalgo sobre as quartas

Copa do Mundo

Ex-técnico da seleção francesa diz que jogo entre França e Alemanha, que acontece na sexta (4), será uma grande partida
por Portal Brasil publicado: 03/07/2014 16h11 última modificação: 03/07/2014 16h11

Quando a França enfrentou a Alemanha na Copa do Mundo da Espanha em 1982, pela segunda vez na sua história, na famosa semifinal em Sevilha, o técnico dos Bleus era Michel Hidalgo. À frente da seleção francesa desde 1976, ele havia progressivamente transformado uma equipe então sem brilho em uma máquina cujo futebol vistoso conquistou admiração no cenário internacional.

Hidalgo, que levou o país ao título europeu em 1984, possibilitou a explosão e o desenvolvimento da geração dourada liderada por craques como Michel Platini, Alain Giresse e Maxime Bossis, entre outros.

Agora que os comandados de Didier Deschamps se preparam para encarar os alemães nas quartas de final do Brasil 2014, Hidalgo concedeu uma entrevista ao Fifa.com na qual analisa os pontos fortes dos dois adversários e recorda a épica e dolorosa derrota diante da Mannschaft de Manfred Kalts, Pierre Littbarski e do goleiro Harald Schumacher.

Confira a entrevista na íntegra:

Que lembranças você guarda daquela semifinal perdida contra a Alemanha no dia 8 de julho de 1982?

Guardamos más lembranças daquele jogo, é claro. Estávamos felizes por termos feito uma campanha de qualidade, e a Alemanha foi um oponente respeitável. E foi uma partida boa em todos os aspectos, agradável e muito disputada. Infelizmente aconteceu o problema do goleiro alemão, que acertou o Battiston com a cabeça. Platini o acompanhou na maca segurando a mão dele. Vê-se na imagem que é um braço trêmulo, e que ele não consegue parar de tremer. Infelizmente, aquilo marcou a nossa equipe. Por outro lado, o goleiro alemão não foi punido, e nem se mexeu para ir ver o lesionado. Ele ficou lá, como se não tivesse feito nada, como se não fosse responsável. Nós não entendemos como o árbitro não o puniu depois de uma trombada daquelas.

Como a partida prosseguiu depois daquilo? 

Estava 1 a 1 e aquilo tirou o nosso impulso, muito embora tenhamos aberto 3 a 1 na prorrogação, antes de a Alemanha empatar. Infelizmente, fomos derrotados nos pênaltis e perdemos a final que todos esperavam. Foi muito difícil. Eu nunca tinha visto um time de homens virar um time de meninos depois de uma partida. Teve muitas lágrimas, mas também um sentimento de revolta com o que tinha acontecido, principalmente da parte do Michel Platini. Ele tinha razão. Os alemães, por sua vez, fizeram o que deviam fazer, até o fim. Não eram eles que deviam ser responsabilizados, só o goleiro que tinha trombado violentamente com o Battiston, que teve vários dentes quebrados e foi direto para o hospital.

Você lembra do que falou no vestiário?

Ah, quando é uma semifinal tão importante contra os alemães, não é preciso falar muita coisa antes da partida. Tínhamos diante de nós uma equipe de grande qualidade e havia algo enorme em jogo. Mas, mesmo conhecendo o valor do adversário, não era fácil aceitar perder pois achávamos que tínhamos recursos para ir à decisão.

Vê semelhanças entre o confronto entre França e Alemanha daquela época e que vai acontecer nesta sexta-feira?

Não, porque naquele tempo eram duas equipes conhecidas com grandes nomes, tanto no lado alemão quanto no francês. Hoje temos uma Alemanha que tem bons resultados e cuja qualidade do elenco se conhece, mas, por outro lado, a França é uma equipe com muitos jovens. Ainda não se sabe o que eles são capazes de fazer, mas eles têm muito talento.

O treinador da França possui bastante experiência...

Sim, eles são orientados por Didier Deschamps, que tem uma grande carreira e sabe muito bem como conduzir esses jovens jogadores. Ele não fala para eles: "Vocês são os melhores, os mais fortes." Se alguns, em dado momento, dizem que vão chegar à final, ele está lá para lembrar que é preciso ganhar um jogo de cada vez. Em suma, ele os controla muito bem.

Que ambições essa jovem equipe pode alimentar para as quartas de final?

Há algum tempo atrás, diríamos que não podemos fazer nada contra a Alemanha, porque eles são experientes e têm ótimos jogadores. Nesta Copa do Mundo, não é bem o caso! A Alemanha parece um pouco cansada, mostrou fraquezas. Já os nossos jogadores não estão cansados, porque não tiveram partidas muito difíceis para fazer. E, além das suas qualidades, eles têm um desejo de ir até o fim. É compreensível, porque deu tudo certo para eles até aqui. A condição física ainda é fresca, o que vai ser importante para essa partida.

Até onde vai o seu otimismo?

Quando vemos tudo isso, nos perguntamos: "Por que não a França na final?" Como em 1998... Eles são fortes fisicamente e podem desestabilizar equipes superiores tecnicamente. A Alemanha é um adversário de grande classe, mas, no momento, o nosso Mundial beirou a perfeição e a nossa jovem seleção está na forma ideal. Não somos loucos, sabemos que não estamos livres de um buraco, mas eu pessoalmente não acredito nisso. Acho que vamos poder fazer alguma coisa, e isso significa ganhar! Jogar bem não basta quando se quer ganhar um título. 

Há jogadores que o agradam em especial?

 

Tem uns que eu conheço bem melhor que os outros. Vejo muito o Mathieu Valbuena no Olympique de Marselha e ele está entre os jogadores mais experientes. Ele não fez uma grande temporada no clube, mas curiosamente vai muito bem na seleção.

Ele tem um futebol para servir toda essa juventude, portanto é um jogador que é importante. Não quero falar muito dos outros jogadores, mas acho que eles vão demonstrar o seu valor dentro de campo.

O que é curioso é que essa equipe tinha dois jogadores experientes que não estão aí. Franck Ribéry era um jogador acima da média por tudo o que já fez na sua carreira, e ele vinha de outra ótima temporada na Alemanha. O segundo é o Steve Mandanda. Eles não estão na equipe e não se fala deles! Significa que os jovens souberam fazer o que era preciso para que isso não fosse uma falta. Nesse jogo entre França e Alemanha ninguém — repito, ninguém — é capaz de prever quem vai ganhar, mas certamente será uma grande partida.

Fonte:
Fifa

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