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Jogos do Rio impulsionam recuperação da Baía de Guanabara

Olimpíadas 2016

Questões importantes sobre Baía, que receberá primeiro evento teste dos Jogos Rio 2016, foram discutidas em hangout
por Portal Brasil publicado: 31/07/2014 11h18 última modificação: 31/07/2014 11h18
Divulgação/Brasil 2016 Centenas de atletas, de 34 países, participarão do evento teste, que será realizado entre os dias 2 e 9 de agosto

Centenas de atletas, de 34 países, participarão do evento teste, que será realizado entre os dias 2 e 9 de agosto

Na noite desta quarta-feira (30), o Comitê Organizador Rio 2016 realizou um hangout para debater as condições da Baía de Guanabara, que irá receber a Regata Internacional de Vela a partir do próximo sábado (2), primeiro evento-teste dos Jogos Olímpicos Rio 2016.

 A competição contará com a participação de 324 atletas, de 34 países, e será disputada entre 2 e 9 de agosto, testando as cinco raias que serão utilizadas na capital fluminense durante os Jogos de 2016.

Participaram do debate o oceanógrafo David Zee, que atuou como moderador; a gerente de Sustentabilidade do Rio 2016, Tânia Braga; e o secretário de Estado da Casa Civil, Leonardo Espíndola.

Leonardo ressaltou que os Jogos do Rio 2016 darão um impulso fundamental para diversas mudanças estruturais que estão em curso no Rio de Janeiro, entre elas a despoluição da Baía. “A realização dos Jogos tem sido um fator de potencialização de investimento e de melhoria da qualidade da água”, afirmou. “Quase triplicamos a quantidade de esgoto tratado. Colocamos em funcionamento estações de tratamento fundamentais para esse programa. Os Jogos têm sido um fator para alavancar todo esse desenvolvimento”, continuou o secretário.

Para David Zee, os Jogos do Rio 2016 trouxeram outro benefício: o planejamento. “O grande legado que essas Olimpíadas estão deixando é que nunca se pensou com tanta antecedência. Os projetos estão sendo planejados para mais de quatro anos e em uma questão pluri-governamental”, destacou o oceanógrafo. “A simples presença da prova de vela (evento teste) já mostra um novo uso da Baía de Guanabara”, prosseguiu.

Condição esportiva
Tânia Braga reconheceu a importância dos Jogos no processo de despoluição da Baía, mas ressaltou que a principal preocupação gira em torno da condição esportiva, que em poucos dias será testada por centenas de atletas de diversos países.

“Existem duas questões: a primeira são as condições gerais ambientais e a segunda são as condições para a competição esportiva”, frisou a gerente de Sustentabilidade do Rio 2016. “A nossa preocupação mais próxima do dia a dia está relacionada às condições esportivas. Do ponto de vista do legado, nos preocupamos, sim, com as questões ambientais, mas os Jogos não vão resolver o problema, que é histórico, como um todo. No entanto, as Olimpíadas são importantes para que a Baía seja tratada e esse será um legado histórico”, acrescentou.

A representante do Rio 2016 explicou em detalhes que, devido à grande área ocupada pela Baía de Guanabara, existe uma enorme variação da qualidade da água dependendo do ponto analisado. Segundo ela, os profissionais envolvidos na realização do evento teste da vela mapearam a Baía e detectaram os pontos mais favoráveis, que serão utilizados durante a competição.

“É importante entender que é uma área muito grande e a condição da água não é igual em toda a Baía. Ela tem um canal central que é bastante profundo. E quanto mais profundo, melhor a água circula”, explicou Tânia. “Existem regiões que em três dias trocou-se completamente a água. Em outras, a troca é muito lenta, pode demorar 40 dias ou até mais, o que cria condições para que essa área seja mais poluída. Quanto mais a gente se afasta da praia, melhor fica a qualidade da água”, detalhou Tânia.

“A gente tem acompanhado e conversado muito com o estado. Buscamos posicionar o local de competição da regata onde a qualidade é melhor, olhando também o movimento da água, da maré e das correntezas, para encontrar sempre onde está a melhor posição em relação às condições da água. Onde serão as competições, a qualidade é propícia à prática esportiva, de uma forma consistente nos últimos três anos”, assegurou a representante do Rio 2016.

Ecobarreiras e ecobarcos

Outra questão abordada no hangout foi o papel das ecobarreiras e dos ecobarcos. “Estamos investindo fortemente na instalação de ecobarreiras. São 12 já colocadas e mais sete serão construídas até o fim de 2015”, destacou Leonardo Espíndola. “Acabamos com os lixões no entorno da Baía de Guanabara e, na questão do lixo sólido, as ecobarreiras e os ecobarcos conseguirão dar condições de competição para todos os atletas.”

David Zee lembrou ainda que o processo de despoluição da Baía de Guanabara passa, também, por uma mudança de comportamento de todos os moradores do Rio de Janeiro. “Fio dental, bala, preservativos, por exemplo, não devem ser jogados no vaso sanitário, pois isso entope a rede de esgoto. Isso vai minimizar o risco de haver um colapso da rede ou então de um custo muito elevado de manutenção”, advertiu o oceanógrafo.

Outra questão determinante abordada no hangout foi a possibilidade de transferência das provas de vela dos Jogos do Rio 2016 da Baía de Guanabara para Búzios, como tem sido discutido na imprensa. Nesse sentido, Leonardo Espíndola descartou a hipótese. “É uma oportunidade única de realizar todas as modalidades esportivas em um raio de 30km de distância. Foi um dos fatores para convencer autoridades que votaram na candidatura do Rio. É um fator de aceleração e não podemos abrir mão da melhoria da água na Baía e estamos evoluindo muito nesse sentido. Descartamos por completo qualquer possibilidade de mudança. Se já podemos fazer um evento teste de alta qualidade, daqui a dois anos faremos Jogos ainda melhores”, garantiu.

Por último, Leonardo reforçou que a despoluição completa da Baía de Guanabara é um desafio a longo prazo. “Chegar a 100% de despoluição é uma meta a ser perseguida pelas próximas gerações. Mas o compromisso do Rio na candidatura olímpica foi ter 80% do esgoto tratado. Há áreas de fundo na Baía que são muito degradadas e ficaram anos sem tratamento”, lembrou o secretário.

Fonte:
Brasil 2016

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