Você está aqui: Página Inicial > Esporte > 2015 > 02 > Marco Aurélio Klein fala sobre a violência no futebol

Esporte

Marco Aurélio Klein fala sobre a violência no futebol

Entrevista

Segundo ele, a "paz nos estádios vem com melhora na organização"
por Portal Brasil publicado: 11/02/2015 18h03 última modificação: 11/02/2015 18h03
Divulgação/ME Marco Aurélio Klein foi encarregado pelo ministro do Esporte, George Hilton, de atualizar o estudo feito em 2006 sobre violência de torcidas de futebol

Marco Aurélio Klein foi encarregado pelo ministro do Esporte, George Hilton, de atualizar o estudo feito em 2006 sobre violência de torcidas de futebol

Encarregado pelo ministro do Esporte, George Hilton, de atualizar o estudo feito em 2006 sobre violência de torcidas de futebol, o atual presidente da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD), Marco Aurélio Klein, afirma que a solução do problema engloba uma série de mudanças legais e na organização do esporte.

A atualização do relatório Preservar o Espetáculo Garantindo a Segurança e o Direito à Cidadania será o primeiro passo de um plano de ação encomendado pelo ministro para extinguir a violência entre as torcidas brasileiras.

A seguir, trechos da entrevista concedida por Klein ao Portal do Ministério do Esporte: 

O senhor foi convocado pelo ministro para apresentar o relatório final da comissão Paz no Esporte. Qual o resultado da reunião? 

Fiquei encarregado de atualizar o relatório mostrando os pontos que precisam de uma continuidade, apesar dos oito anos de finalizado. A preocupação do ministro George Hilton é que o relatório volte à pauta e que tenhamos ações efetivas para melhorar a experiência e tratar o futebol como um espetáculo, com a torcida participando de um momento de alegria e de paixão.

Qual o ponto de partida dessa discussão? 

A violência já esteve dentro do estádio. Hoje não mais. A resolução do problema nas arenas precisa ser estendida também para fora delas. As melhorias dentro dos estádios, com acessos mais organizados, instalações mais limpas, cadeiras com lugares marcados e sem alambrados são grandes legados da Copa do Mundo. A operação do Mundial mostrou que o Brasil trabalha bem com grandes eventos, com estádios cheios, pois não tivemos problemas.

Como foi o trabalho da comissão Paz no Esporte? 

A comissão realizou o estudo para encontrar os caminhos para combater à violência, o hooliganismo e o vandalismo no futebol. Foi um trabalho técnico, com dois anos de análises, de visitas por todo o Brasil e conversas com autoridades, clubes e federações. O estudo buscou também acolher as melhores práticas de diversos países, com documentos e legislação, sobretudo, na Inglaterra. 

O relatório final aponta caminhos? 

É um documento com medidas práticas de ações que podem ser tomadas nos diversos níveis da organização dos espetáculos. Em termos de legislação, responsabilidades e inteligência. É um relatório muito operacional.

O documento foi inspirado no relatório que trouxe as sugestões que colocaram a Inglaterra no caminho de enfrentar e vencer o hooliganismo. Ele foi inspirado na forma e no conteúdo do famoso Relatório Taylor. 

Em se tratando de futebol, a violência entre torcidas é igual aqui e no resto do mundo? 

A Inglaterra ficou famosa por conta do hooliganismo. Foi a melhor e a mais profunda experiência que enfrentou a questão da violência, conhecida como a doença do futebol.

Então, eles resolveram o problema, criaram um campeonato que hoje é um modelo para todos os torneios no mundo, mais rico e mais transmitido pela televisão.

O problema foi superado com um trabalho técnico que envolveu a participação do governo, dos clubes, de entidades esportivas e da mídia.

Foi um compromisso geral e, acima de tudo, quando começou a dar resultado, de inteligência. Sempre acreditei que é possível fazer isso no Brasil. 

Como será o trabalho daqui para frente? 

O ministro George Hilton pediu para conhecer profundamente o trabalho. Apresentei o resultado para que ele conheça a origem, os detalhes e como chegamos às sugestões.

George Hilton pôde, com a sua equipe, ter o primeiro contato e gostou muito do que foi apresentado. O ministro achou o trabalho bom para todos que gostam do futebol como espetáculo. Vou atualizar o relatório e entregar ao gabinete para que produza resultado em política pública. 

Como fazer isso? 

As principais ações são os pontos objetivos. É preciso tratar essa questão com a seriedade que merece, com a importância que ela tem e com a inteligência que ela precisa. Ou seja, mergulhar no problema, colocar as medidas específicas, colocar a inteligência e se aprofundar na organização do espetáculo.

A organização é a principal mensagem que há no relatório. O combate à violência no futebol não é sobre repressão. É sobre organização da forma de fazer o espetáculo, a qualificação dos recursos humanos envolvidos, trabalho do entendimento dos riscos que existem.

Nem todo jogo é igual, com os mesmos riscos. Tem que entender como é o risco, como tratá-lo. Existem instrumentos de inteligência de banco de dados que são muito importantes. 

Então os embates entre torcidas e polícias são evitáveis? 

Futebol não é sobre repressão. O tratamento à violência no futebol é, sim, sobre organização. 

Então o combate à violência precisa envolver várias áreas do governo, em todos os níveis de governo? 

É fundamental uma coordenação. Não adianta ter boas intenções de forma isolada. Parte do sucesso no combate à violência na Inglaterra se deu em um trabalho coordenado entre todos os entes envolvidos no futebol. Outra particularidade, que é preciso aplicar no Brasil, é a especialização do que é o espetáculo do futebol. 

Qual seria uma boa estratégia? 

É impossível trabalhar quando falamos que o determinado jogo vai ter um sistema de segurança rígido, que foi criada uma operação de guerra.

A mensagem que estamos dando não é a desejável para o torcedor comum, que pretende ir ao estádio com a família. Temos que ter a percepção do espetáculo e não de uma praça de guerra.

As pessoas querem ir naquilo que o futebol é: uma festa, uma alegria. A violência não faz parte do futebol e é preciso trabalhar para que o torcedor possa ter no esporte um momento de alegria e de paixão. 

E as torcidas organizadas? 

A torcida organizada não é a causa do problema. Ela é muito mais efeito de um espetáculo que não está organizado adequadamente. Assim, ela fica associada ao comportamento violento, às brigas e ao vandalismo.

Fonte:
Ministério do Esporte

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Tocha olímpica visita a Rota do Descobrimento na Bahia
Chama começou o dia na Rota do Descobrimento em ‎Eunápolis, passou por Itapetinga, a Cidade do Boi Gordo, e encerrou o dia em Vitória da Conquista
Ministro do Esporte visita instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca
Leonardo Picciani visitou as instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, que já tem 88% das obras concluídas
Caio Sena conta como se prepara para Olimpíadas no Brasil
Conheça a história de Caio Sena. Aos 24 anos, o atleta de marcha atlética qualificado para as Olimpíadas Rio 2016, vive o sonho de disputar os jogos no Brasil.
Chama começou o dia na Rota do Descobrimento em ‎Eunápolis, passou por Itapetinga, a Cidade do Boi Gordo, e encerrou o dia em Vitória da Conquista
Tocha olímpica visita a Rota do Descobrimento na Bahia
Leonardo Picciani visitou as instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, que já tem 88% das obras concluídas
Ministro do Esporte visita instalações do Parque Olímpico da Barra da Tijuca
Conheça a história de Caio Sena. Aos 24 anos, o atleta de marcha atlética qualificado para as Olimpíadas Rio 2016, vive o sonho de disputar os jogos no Brasil.
Caio Sena conta como se prepara para Olimpíadas no Brasil

Últimas imagens

Atletas brasileiros farão aclimatação antes dos Jogos no Centro de Treinamento de São Paulo
Atletas brasileiros farão aclimatação antes dos Jogos no Centro de Treinamento de São Paulo
Foto: Roberto Castro/ME
Pira olímpica acesa após o revezamento em Aracaju. Chama segue neste domingo para Alagoas
Pira olímpica acesa após o revezamento em Aracaju. Chama segue neste domingo para Alagoas
Foto: Francisco Medeiros/Brasil 2016
Popole Misenga e Yolande Mabika fugiram de conflitos na República Democrática do Congo em 2013 e tentam reconstruir a vida no Brasil
Popole Misenga e Yolande Mabika fugiram de conflitos na República Democrática do Congo em 2013 e tentam reconstruir a vida no Brasil
Divulgação/Brasil 2016
Centro Aquático de Deodoro é sede de treinos e competições nacionais e internacionais
Centro Aquático de Deodoro é sede de treinos e competições nacionais e internacionais
Divulgação/Ministério da Educação

Governo digital