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Meta é a classificação funcional dos atletas antes dos Jogos

Jogos Olímpicos

Objetivo do Comitê Paralímpico é reduzir ao máximo o impacto de mudanças de classe às vésperas da competição
por Portal Brasil publicado: 07/09/2015 12h21 última modificação: 14/09/2015 14h45

Vista por muitos como uma fronteira entre a possibilidade de ser protagonista ou coadjuvante no esporte paraolímpico, a classificação funcional é uma ferramenta indispensável para estabelecer um padrão mínimo de igualdade de condições entre os competidores. Como existem diversos tipos de deficiência, especialistas estabelecem critérios médicos e técnicos a partir dos quais determinam quem mede forças com quem.

Para evitar surpresas e mudanças no planejamento das delegações pouco antes das disputas dos Jogos Rio 2016, o Comitê Paralímpico Internacional (IPC na sigla em inglês) pretende estabelecer a categoria de todos antes de 7 de setembro de 2016, data da abertura do evento. “A ideia é fazer com que todos os atletas passem pelos processos de classificação nas grandes competições do calendário internacional das 23 modalidades e cheguem ao Rio com status permanente. Cada mudança impacta na questão esportiva, no balizamento e até na viabilidade de uma ou outra prova. Essa é a intenção do IPC, que já funcionou de forma razoável em Londres 2012”, afirmou Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

A iniciativa é importante para evitar que situações como a vivida pelo nadador brasileiro Clodoaldo Silva, em Pequim 2008, se repitam. Ele era da classe S4 e foi reclassificado para a S5 às vésperas de cair na piscina. Diante de adversários com mais mobilidade, saiu dos seis ouros e uma prata em Atenas 2004 para uma prata e um bronze em 2008.

“A classificação funcional é complexa, principalmente na natação. Temos várias deficiências na mesma categoria. A cada dia estão estudando mais e conseguem coletar dados para classificações justas. Na medida em que se conhece mais a fisiologia dos atletas e as deficiências, essa questão ainda pode mudar”, afirma o atleta, que tem mobilidade reduzida nas pernas em função de uma paralisia cerebral.

No paradesporto, quanto maior a deficiência, menor o número da classe. Na natação, a letra “S” indica swimming (em inglês) e, além disso, o nadador pode ter classificações diferentes para o estilo peito (SB) e medley (SM). A modalidade chega a ter 14 categorias.

Equilíbrio

Cada esporte paralímpico tem um sistema próprio para definir categorias, determinadas de acordo com as habilidades funcionais e restrições de cada atleta. O processo é realizado por especialistas, os “classificadores”, e dividido em três etapas: médica, funcional e de observação.

“Em toda modalidade há três momentos. No primeiro, o atleta é avaliado clinicamente. No caso da bocha, por exemplo, são pessoas com paralisia cerebral, lesão na medula, ou distrofia muscular. Eles têm que ter um comprometimento geral, o que chamamos tetraplegia, ou tetraparalisia. Então é feita uma avaliação médica para detectar o grau desses tipos de deficiências”, afirma o coordenador de classificação funcional do CPB, Cláudio Nogueira.

Na segunda fase, os competidores passam pela avaliação motora. No caso da bocha, isso consiste em visualizar como o atleta segura, lança ou arremessa a bola. Em seguida, é feita uma combinação das duas etapas para saber em qual categoria o perfil se encaixa.

“Assim é dada uma classificação provisória. Durante a competição, que é o terceiro momento, os classificadores observam o atleta jogando, porque nem sempre a classificação técnica e clínica consegue fazer com que ele exponha o seu máximo. Finalizando a competição, é dado o resultado oficial”, explica Nogueira.

Além da categoria, o competidor ganha um status: revisão, confirmado ou inelegível, este último para os casos em que o atleta não tem o perfil da classe. As reclassificações são comuns em pessoas jovens ou com doenças degenerativas, pois as condições da deficiência podem mudar. No caso de cegos totais e amputados, a categoria tende a permanecer a mesma, por serem problemas definitivos.

A nadadora Susana Schnarndorf (classes S7, SB7, SM7) descobriu em 2005 que tem uma doença conhecida por MSA (múltipla falência dos sistemas, na sigla em inglês), que afeta a mobilidade. Por ser degenerativa, as condições da atleta tendem a mudar com o tempo, o que afeta seu desempenho nas piscinas. Hoje ela briga para estar em outra categoria. 

“Comecei como S8, agora estou como S6. E tive uma piora grande nos últimos seis meses, então já foi pedida a reclassificação, que vai ser feita no início do ano que vem no Open do Rio. Até lá tenho que ficar tomando onda na cabeça, mas é um aprendizado. Tem que erguer a cabeça e treinar para dar tudo certo na Paralimpíada”, disse Schnarndorf.

Ela explica que a última classificação foi feita há um ano e meio e que a revisão é feita a cada dois anos. Uma junta médica tem que avaliar a atleta e os laudos para determinar a categoria. “Aumentou bastante a minha dificuldade de nadar. Para ficar competitiva de novo, eu tenho que ser reclassificada”, completou.

Calendário

O Parapan de Toronto, que terminou em 15 de agosto, serviu para prorrogar o status de alguns atletas, que irão passar por revisão somente após as Paralimpíadas, casos do goalball, futebol de 5 e futebol de 7. “A maioria está saindo com revisão agendada para 2017. Ou seja, no ano que vem eles podem participar de todas as competições, inclusive das Paralimpíadas, na classe em que estão”, detalha Cláudio Nogueira.

Quebra-cabeças

Mundiais e eventos-teste para os Jogos Rio 2016 também serão usados para definir as classificações. Segundo Nogueira, a necessidade de se confirmar a categoria de um atleta pode mudar os nomes da delegação brasileira para a disputa de um Mundial, por exemplo.

“A coordenação técnica conversa com a gente, vê a possibilidade de um ou outro atleta, qual a realidade dele em termos de classificação. Então, pode ser que a gente leve um atleta para que ele tenha a classe confirmada, para que não haja impacto negativo na Paralimpíada”.

De acordo com o coordenador do atletismo paralímpico brasileiro, Ciro Wincler, uma mudança de classe não interfere tanto nos treinos, mas requer ajustes no planejamento dos competidores. “O treinamento permanece a mesma coisa, mas temos que entender a nova classe e os resultados possíveis. Imaginemos uma prova com as classes seis e sete. O melhor atleta é o que está no limiar da sete. O da classe seis tem de treinar mais. Todos têm um programa pré-estabelecido de treino e os ajustes são feitos de acordo com a deficiência”.

Qualificação de classificadores

A intenção do Comitê Paralímpico Brasileiro é cada vez mais aprimorar o trabalho dos profissionais nacional para reduzir discrepâncias com as avaliações dos classificadores internacionais. “Quando fazemos uma competição nacional, um Brasileiro, um Regional, a validade é para o país. Porém, se esse classificador tem o mesmo entendimento, a mesma competência do classificador internacional, as nossas classificações ficam próximas da realidade mundial. Quando este atleta for para uma competição no exterior, a possibilidade de mudança desfavorável é mínima”, disse Nogueira.

No Brasil, algumas competições, como os opens de atletismo e natação, servem para a classificação dos atletas para os torneios internacionais.  

Modalidades Coletivas

A classificação é fundamental também na formação das equipes que entram em quadra, ou em campo, nas modalidades coletivas. No basquete em cadeira de rodas a pontuação dos atletas determina a escalação dos times. Os jogadores são avaliados conforme o comprometimento físico-motor em uma escala de 1 a 4,5. A soma dos números não pode ultrapassar 14 entre os cinco atletas que estão em quadra.

Situação que pode complicar a vida do técnico com a torcida, como explica Antônio Ferraz, treinador da seleção masculina. “Às vezes as pessoas não entendem porque tiramos um jogador que estava fazendo muitos pontos, mas é porque existe uma combinação. Em uma convocação, às vezes a gente deixa bons jogadores de fora porque não encaixam na pontuação da equipe como um todo. Não adianta eu ter só jogadores 4 e 4,5, que são os pontuadores, se eu for estourar o limite. O trabalho tem que ser bem elaborado e pensado desde o início, para que a gente tenha peças de reposição”, comenta.

A lógica é a mesma no rúgbi em cadeira de rodas, com pontuação de 0,5 a 3,5 e soma de no máximo oito para os quatro atletas em quadra. No futebol de 7, para pessoas com paralisia cerebral, e no vôlei sentado, também para paralisados cerebrais e para quem possui deficiências locomotoras, a regra delimita a quantidade máxima e mínima de jogadores de uma determinada classe. Já no futebol de 5 e no goalball, esportes para cegos, apesar das distintas categorias dos atletas, não há limites como nos outros esportes, já que todos usam vendas nos olhos.

Fonte:

Portal Brasil

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