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Tocha olímpica transforma o Dia das Mães de Araxá (MG)

Rio 2016

Chama percorreu 4,5 km pelos principais pontos turísticos da cidade
publicado: 17/05/2016 12h42 última modificação: 17/05/2016 12h42

Domingo costuma ser dia de descanso, mas a população da charmosa Araxá, em Minas Gerais, quebrou a rotina de calmaria para abrir alas à tocha olímpica. A chama acesa em Olímpia, na Grécia, percorreu, nesse domingo (8), 4,5 km pelos principais pontos turísticos da cidade, em pouco mais de duas horas. O forte calor não atrapalhou o dia festivo, embalado por grupos culturais que espalharam música pelas ruas.

Quem percorreu o traçado urbano a pé se deparou, a cada esquina, com rodas de capoeira, fanfarras, danças indígenas, bandas percussivas e a congada, expressão religiosa fundamental para a tradição mineira. O batuque ecoou por todos os cantos da cidade, a terceira do estado a ser visitada pelo comboio olímpico.

No Dia das Mães, muitas delas elegeram a cerimônia de revezamento como programa de família e não faltaram homenagens públicas. Nascido e criado em Araxá, o vendedor Aldo Benatti, 45 anos, não se deu por satisfeito e confeccionou uma réplica da tocha, em cartolina. Em homenagem à mãe e à esposa, escreveu a mensagem "Viva as mães"!

Waguim

Perto da casa de Benatti, um dos personagens mais queridos da cidade fez o papel de condutor do fogo sagrado. Correr com as mãos ocupadas não chega a ser novidade para Wagner Carlo, ou simplesmente Waguim. Recentemente aposentado, ele foi garçom durante toda a vida e, aficionado por corrida, disputou diversas vezes a São Silvestre, em São Paulo, de uniforme e bandeja em punho. Na cidade, até o guarda de trânsito o conhece pelo apelido. Durante os 200m em que conduziu a tocha, Wagner foi empurrado pelos gritos de "Waguim! Waguim!". "Esse é um momento único para o Brasil. Ver a cidade de Araxá colorida e com tanta festa não tem preço. Subindo aquela ladeira, me senti fazendo parte da Olimpíada", disse.

O amadorismo não deixou Ana Cláudia Borges Martins, de 33 anos, de fora dos Jogos Rio 2016. Atleta de ciclismo e taekwondo, ela também sentiu-se inserida no maior evento esportivo do mundo ao conduzir a tocha da porta do Teatro Municipal até alguns metros antes da Igreja Matriz. A participação foi quase uma surpresa, já que o pai a inscreveu no processo de seleção feito por uma empresas patrocinadoras. "Por saber que, como atleta amadora, eu não tenho chance de chegar a uma Olimpíada ter a honra de carregar a tocha como uma das representantes da minha cidade é bastante prazeroso."

Heráclita Ramos de Jesus, uma das remanescentes da comunidade indígena Canelas em Araxá, deixou o descanso típico do domingo para levar a neta e as bisnetas ao revezamento. Aos 67 anos e com cocar na cabeça, ela lembrou dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, ano passado, em Palmas (TO). "As aldeias têm os seus jogos, e é importante que nossos jovens vivam isso de forma plena. A cultura precisa ser mantida em todas as partes", lembrou.

Mirante de Cristo

O gran finale foi também o momento mais emocionante de todo o trajeto. Aos pés da escadaria do Mirante de Cristo, um dos pontos turísticos mais tradicionais de Araxá, a secretária de Esportes e atleta, Jane Porfírio, foi a escolhida para galgar os 327 degraus que conduzem ao topo do monumento. Na adolescência, Jane tornou-se tenista e chegou a entrar no ranking mundial. Depois, encantou-se pelo mountain bike, e, competindo por esse esporte, chegou a ser campeã mineira, brasileira, e conquistou o quarto lugar em um campeonato mundial.

Mas um acidente desviou a rota e levou a araxaense para o triatlo. Em breve, ela representará o Brasil em um torneio internacional em Oklahoma, nos Estados Unidos. Além da excelente forma física (ela deixou para trás a esbaforida escolta), Jane trouxe os moradores da cidade para dentro de sua experiência pessoal. Em diversos níveis da subida, parou para cumprimentar conterrâneos, distribuiu beijos com as mãos e saudou a multidão de braços abertos. Ao chegar aos pés da estátua de Cristo, ela ergueu a chama em direção à imagem e, discretamente, rezou. "Foi a maior emoção que tive na vida", admitiu.

Negócios

Por onde passa, a chama olímpica traz consigo um rastro de gente e, consequentemente, oportunidades de negócios. Rian Ribeiro Costa, de 13 anos, chamou a atenção para a importância não só festiva da passagem da tocha por Araxá, mas pela movimentação financeira que um evento dessa magnitude levou à sua cidade. Segundo ele, todo mundo sai ganhando. "A passagem da tocha, além de histórica, movimenta a economia e gera lucros", dizia animado com a possibilidade de acompanhar tudo de tão perto.

Pipoqueiro há mais de 13 anos, Sinval dos Reis, mais conhecido como Tapira da Pipoca, precisou administrar a fila que insistia em se formar diante de seu carrinho. "Hoje vendi o dobro do que costumo vender", comemorava. Ambulantes, com frequência, precisavam reabastecer seus carrinhos com produtos.

A maior fonte de economia de Araxá vem da mineração, mas o turismo, sob o apelo do Grande Hotel, construído na cidade na década de 1940, é um dos propulsores na atração de milhares de visitantes todos os anos. Em 2015, o município registrou 102,2 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A exploração de suas águas medicinais e a fabricação de sabonetes e cremes para a pele são outras peculiaridades econômicas do município. 

Sua personagem mais famosa foi Dona Beja

Ana Jacinta de São José viveu na cidade no século 19 e era dona de uma beleza rara e sedutora. Acumulou histórias de amor – por parte dos homens –, ódio e inveja – por parte das mulheres. Tinha um ritual diário de escolha dos homens com quem dormia – e cobrava caro por isso. Beja ficou famosa também por tomar banhos de lama medicinal da região, tidas com um forte poder rejuvenescedor da pele. Na TV, a lendária personalidade de Araxá foi imortalizada pela atriz Maitê Proença.

Próximos destinos

Desde sábado, quando chegou a Minas Gerais, a chama olímpica já passou por Araguari, Uberlândia e Uberaba. Após cruzar Araxá, o símbolo olímpico seguiu para Serra do Salitre, Patrocínio, e encerrou a maratona diária em Patos de Minas. Serão mais nove dias em Minas. Nesta segunda-feira (9), a chama segue para Varjão de Minas, Pirapora e Montes Claros.

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