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“Espaço de governança global é insuficiente para os Brics”

por Portal Brasil publicado: 15/04/2010 19h31 última modificação: 28/07/2014 12h41

O embaixador Roberto Jaguaribe, subsecretário geral político do Ministério das Relações Exteriores, afirma que cúpulas dos Brics e Ibas são espaços para aprofundar afinidades entre países, com o objetivo de alcançar benefícios comuns. A ideia é transformar convergências em resultados. Leia abaixo um trecho da entrevista concedida pelo diplomata à imprensa, nesta quinta-feira (15), em Brasília.

O que os grupos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e Ibas (Índia Brasil e África do Sul) têm em comum?
Roberto Jaguaribe – Nos dois grupos, há um consenso de que o espaço de governança global, no que toca aos países em desenvolvimento, é inadequado e insuficiente. Ambos buscam uma capacidade de articulação que pode ajudar a influenciar, para melhor, esse espaço de governança. Há outras semelhanças: Bric e Ibas  não são foros de negociação, são foros de convergências. O objetivo é aproveitá-las.

O que faz do Ibas um grupo sólido?
RJ – São três países (Índia, Brasil e África do Sul) que tem muitas identidades, inclusive em sua formação: são pluriétnicos; pluriculturais e vislumbram na diversidade algo a ser respeitado e usufruído.  Existem afinidades no que diz respeito ao desenvolvimento global. O compartilhamento de experiências recíprocas, em várias dimensões, pode contribuir para o benefício de cada país. O grupo, criado em junho de 2003, também dedica esforços prioritários ao espaço da solidariedade por intermédio do Fundo Ibas para o Alívio da Fome e da Pobreza. O fundo tem recursos modestos, mas seu impacto é relevante.

Qual é o objetivo do grupo Bric?
RJ - O Bric não se propõe a contrapor ou criar oposição a qualquer grupo já constituído, como o G7, o G8 ou o G20. Nem a ser um grupo normativo.  O que se busca é explorar as afinidades comuns, que são extensas, para maximizar a capacidade de influência do grupo nos foros multilaterais apropriados na defesa de mudanças consideradas importantes, nos quais a negociação é necessária.  A pauta do grupo é, sobretudo, econômico-financeira. Discute-se como evitar que a crise financeira internacional aconteça novamente, como acelerar e consolidar o processo de recuperação, quais as principais sequelas da crise ainda existentes.  A agenda do grupo inclui outros debates: por exemplo, como tornar o G-20 mais dinâmico e mais representativo.  Os temas de energia e agricultura são igualmente importantes. Além disso, há um esforço em ampliar a chamada dimensão intra-Bric. Uma série de eventos paralelos a esta reunião de chefes de Estado, como o fórum empresarial Bric–Ibas, a reunião de autoridades máximas da área de segurança e de assuntos estratégicos e o primeiro encontro de think tanks são exemplos dessa estratégia.

Deve-se esperar alguma decisão sobre uma moeda comum no grupo Bric no curto prazo?
RJ – Não se deve esperar que essa reunião produza propostas revolucionárias com relação à questão da moeda. Ela certamente é uma preocupação comum e conversas a respeito até podem ocorrer, mas não está na pauta. No longo prazo, tanto os Bricss como os demais países têm muito a ganhar com uma nova referência de moeda, mas têm muitíssimo a perder no curto prazo se as coisas forem feitas de forma precipitada, com marolas.  Já as reformas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (Bird) estão na pauta. Os países do grupo têm interesse em fortalecer esse processo.

Fonte:
Portal Brasil

 

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