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Brasil amplia produção de energia limpa com uso do bagaço de cana em usinas
O Brasil está entrando em uma nova era de produção de energia limpa a partir da cana de açúcar. Desde segunda-feira (27) já estão em funcionamento oito novas Usinas Termoelétricas (UTE) com operação baseada na biomassa do bagaço de cana. Juntas, estas usinas vão produzir de 543 megawatts de eletricidade – suficiente para suprir uma cidade de um milhão de habitantes, como Campinas (SP).
Nesta nova era, da cana, tudo se aproveita – frase que já foi usada popularmente durante Ciclo do Couro, no Brasil colonial: do boi, só se perde o berro, dizia-se. Mas, neste novo ciclo, prosperidade e autonomia se unem a criatividade e preservação da natureza.
A queima do bagaço vai produzir calor suficiente para que poderosas caldeiras transformem água em vapor. O vapor vai fazer girar as palhetas de turbogeradores. Resultado final: energia elétrica limpa. A fuligem da combustão, em forma de fumaça, é capturada por filtros e reaproveitada na preparação da terra para o replantio.
O bagaço de cana, agora chamado de biomassa, é matéria-prima capaz de produzir até 80 kW/h de eletricidade. Ou seja, energia elétrica correspondente a 80 mil lâmpadas de 100 Watts, acesas durante uma hora.
Brasil amplia produção de energia limpa
Usinas pelo Brasil
As oito usinas inauguradas na segunda-feira já venderam ao governo, antecipadamente, por meio de leilões realizados em 2008, a energia que deve gerar aproximadamente 6 mil empregos diretos. Nestes leilões, receberam um investimento total de R$ 993 milhões.
As usinas estão todas no estado de São Paulo, grande produtor de cana. A Usina Barra Bioenergia fica em Barra Bonita. A Cocal 2, em Narandiba. Conquista do Pontal, em Mirante do Paranapanema. Clealco-Queiroz fica em Queiroz e a Usina de Iacanga, na cidade do mesmo nome. A Destilaria Andrade foi instalada em Pitangueiras. Já a Noble Energia, em Sebastianópolis do Sul; e a Açucareira Éster, em Cosmópolis.
Além destas, há outras 377 usinas desse tipo espalhadas por todo o Brasil. Elas representam cerca de 7.272 MW, energia capaz de iluminar 10 milhões de lares. "Hoje nós já temos 6% da matriz elétrica brasileira oriunda da geração de energia por meio da biomassa. E, nesse ano, está prevista a entrada em operação de mais 4.500 MW de energia", afirmou o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.
Bagaço: de problema a solução
Não faz muito tempo o bagaço de cana-de-açúcar era um grande problema ambiental no País. O Brasil, como grande exportador mundial de açúcar e de álcool (etanol), produzia pilhas de bagaço do tamanho de prédios. Consideradas como detritos, eram incineradas ou enterradas.
Hoje a situação se inverteu. Bagaço é fonte de energia limpa. Significa economia para as usinas termoelétricas, significa produção de eletricidade com baixíssima produção de gás carbônico.
De acordo com Zimmermann a produção de energia a partir do bagaço de cana vem se tornando altamente competitiva nos últimos tempos, por causa dos avanços tecnológico que produziram maquinários e processos mais eficientes. "Hoje a maioria das usinas utilizam caldeiras de alta pressão responsáveis por grande aproveitamento da energia", explica.
Processo de produção
No processo de produção da energia limpa a partir do bagaço, a cana-de-açúcar passa por várias etapas. É colhida e levada até a usina. Lá, passa por três moendas. O produto da primeira moagem vai para a produção de açúcar, na chamada "moagem de 1ª linha". Na segunda e na terceira moagens o que é produzido é o álcool combustível, o etanol.
O que resta da cana é o bagaço, que é levado por uma esteira até a caldeira que realiza a queima. Depois de passar pelas turbinas e geradores, o vapor produzido na queima gera a energia elétrica.
Uma parte da energia produzida é utilizada pela própria usina. O excedente é vendido no mercado livre ou ao governo federal. As empresas podem se inscrever e participar dos leilões federais para a venda de energia elétrica.
As regras dos leilões de energia no Brasil seguem os três pilares do modelo de energia implantado pela administração pública federal desde 2003-2004: segurança no suprimento, universalização (energia para todos) e modicidade (o menor preço possível), explica o secretário do MME, Ildo Wilson Grüdtner.
"O modelo que foi implantado no Brasil a partir de 2003-2004 nasceu do racionamento de energia de 2001-2002. Esse novo modelo adotado pelo Ministério de Minas e Energia tem vários mecanismos que evitam que volte a ocorrer aquela situação, que foi tão danosa para o País", explicou Grüdtner.
Fonte:
Portal Brasil
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