Governo
Iriny Lopes defende maior participação da mulher na política brasileira
A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Iriny Lopes, foi a entrevistada desta quinta-feira (26) do Programa Bom dia, Ministro. Para Iriny, a reforma política é fundamental para modernização e democratização do País, especialmente para ampliar a presença das mulheres na política brasileira.
Ouça o programa aqui.
Segundo a ministra, o papel da SPM é discutir com o Congresso Nacional, movimentos sociais e sociedade, para que a ampliação se torne possível. Iriny Lopes acredita que foi determinante para história brasileira e para reafirmar a própria condição da mulher a eleição de uma mulher para a Presidência da República.
“Esse é um marco que demonstra que há uma condição real de superação do preconceito, da intolerância que ainda existe contra as mulheres na sociedade brasileira”.
Apesar disso, a ministra enfatizou o fato de que a presidenta Dilma ter sido eleita, por si só, não criou um efeito cascata que ampliasse a presença das mulheres no governo dos estados, na Câmara dos Deputados, no Senado e nas assembléias legislativas, nas eleições de 2010. Por isso, é preciso garantir a ampliação do número de cadeiras destinadas às mulheres. Para Iriny, a reforma política é fundamental para que as mulheres possam crescer nos postos de comando e de decisão do País.
“É totalmente distorcido do que é a realidade e da composição da sociedade. Nós somos 52% da população e somos 51% do eleitorado. Então, tem alguma coisa que está errada na democracia brasileira.”
Durante a entrevista, a ministra afirmou que a principal conquista das duas Conferências Nacionais de Políticas para as Mulheres já realizadas foram a produção de um plano nacional para o segmento. Iriny destacou ainda algumas iniciativas do plano, como a redução de homicídios contra mulheres, a ampliação delas no mercado de trabalho, e sua presença garantida em grandes obras públicas, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Na 3ª Conferência, que será realizada em breve, haverá, entre outras atividades, a realização de um balanço da aplicação do plano. Segundo Iriny, o importante é “que a gente não se disperse, mantenha o foco”, porque as políticas brasileiras para as mulheres atualmente são reconhecidas internacionalmente por seu resultado e eficácia.
No campo da comunicação, da relação das mulheres e a mídia, a ministra enfatizou que é preciso haver uma política de valorização baseada em um debate – que já vem sendo feito – a respeito do uso da imagem da mulher e da mudança da lógica de enxergar as mulheres como um objeto que ajuda a vender produtos.
Questionada sobre o despreparo das delegacias durante o atendimento a mulher, Iriny concordou em que ainda há muitas denúncias, pelo Brasil, de intolerância durante o recebimento das mulheres vítimas de violência nas delegacias, o que demonstra o despreparo dos profissionais, que necessitam de qualificação mais adequada. Segundo a ministra, o assunto já foi objeto de diversas reuniões com o Ministério da Justiça e com os governos estaduais e municipais, e reiterou que o governo federal precisa dessa parceria.
O número de mulheres que são chefes de família, cada vez mais significativo é, segundo a ministra, uma questão relevante na construção de políticas publicas. Iriny disse que o governo federal está construindo diversos programas com linhas de crédito para atender especificamente essas mulheres, além de medidas de qualificação que lhes garantam autonomia e dignidade na condução de suas vidas.
Em relação à questão da igualdade na remuneração entre homens e mulheres, a ministra avaliou que isso depende da conscientização das empresas de que o tratamento diferenciado é inconstitucional, uma vez que os todos são iguais, e de uma fiscalização mais rigorosa pelo Estado.
Sobre a Lei Maria da Penha, a ministra avaliou que ela “não precisa de reparo. O que falta é o cumprimento da Lei Maria da Penha”, ou seja, não pode existir lei que pega e lei que não pega, pois lei é lei e precisa ser cumprida, explicou. Para Iriny, a violência praticada contra a mulher é motivada exclusivamente pelo fato de ela ser mulher. “Isso é uma coisa das cavernas”, avaliou a ministra durante a entrevista, e “nós precisamos mudar essa cultura’.
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