Você está aqui: Página Inicial > Governo > 2013 > 10 > Construção coletiva para um Brasil rural sustentável

Governo

Construção coletiva para um Brasil rural sustentável

Desenvolvimento rural sustentável

Foram aprovadas 100 propostas para a construção do Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário
por Portal Brasil publicado: 18/10/2013 17h00 última modificação: 30/07/2014 00h28

A vontade de melhorar o rural brasileiro tirou Sidmar Luís Lavandoski, 33 anos, de casa. Dono de uma propriedade de 20 hectares em Sananduva (RS), o agricultor familiar participou da construção do segundo eixo, que trata da Reforma Agrária e da Democratização do Acesso à Terra e aos Recursos Naturais, na 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CNDRSS).

O que mais chamou a atenção do gaúcho, que cultiva cana de açúcar, soja, milho e feijão em sua chácara, foi o envolvimento dos participantes na conferência. "É com o envolvimento de todos que conseguiremos construir um Brasil rural sustentável. E é isso que me motiva e que me faz querer estar aqui", contou o agricultor.

Sidmar apostou também no cultivo de frutas, no último ano. Ele, o pai e os dois irmãos, companheiros de trabalho na propriedade, comercializam seus produtos em feiras, cooperativas e mercados da região. Além disso, parte vai para a merenda das escolas do município, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Para o gaúcho, a construção do documento final da conferência, composto por propostas que vão subsidiar o Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (PNDRSS), é mais um passo para consolidar os avanços necessários na agricultura familiar. "Esse plano é muito bem construído, bem elaborado. Precisamos trabalhar para implementar o que foi construído aqui. Esse processo precisa ser contínuo", afirmou Sidmar.

Assistência Técnica

A sergipana Tatiana de Souza participou dos debates referentes ao primeiro eixo, responsável pelas propostas sobre Desenvolvimento Socioeconômico e Ambiental do Brasil Rural e Fortalecimento da Agricultura Familiar.

Para a assistente social, o segredo para potencializar a produção da agricultura familiar é apostar na assistência técnica. "A assessoria, em qualquer política pública é essencial. É primordial para o desenvolvimento rural. Ela ajuda bastante o agricultor a conhecer as políticas públicas e melhorar a renda e a produção de maneira rápida", avaliou.

Tatiana, que trouxe a filha de um ano para a conferência, realizada em Brasília, defendeu, durante as discussões, a continuidade da assistência técnica. "O Governo tem uma assessoria muito boa, no Projeto Dom Helder. É uma assistência continuada, ascendente. Os agricultores que tem esse atendimento têm melhor produção agrícola com alimentos melhores", garantiu a sergipana, que destacou essa proposta no documento final.

Plano

Sidmar, Tatiana e mais 1198 delegados aprovaram, nesta quinta-feira (17), o documento final da 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CNDRSS). Composto por 100 propostas, o arquivo subsidiará a construção do Plano Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (PNDRSS), que norteará o rural brasileiro pelos próximos anos.

Chamada de Ater

A mineira Edna Correa, 33 anos, tem a expectativa de ser uma das agricultoras familiares assistidas com a primeira chamada pública de Assistência Técnica e Extensão Rural em Agroecologia, lançada nesta quinta-feira (17) pela presidenta Dilma Rousseff e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, durante a 2ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, em Brasília. A agricultora faz parte da cota de 50% da chamada dedicada às mulheres que trabalham com agroecologia e orgânicos, uma das novidades desse documento.

Os serviços de Ater serão oferecidos durante três anos a agricultores familiares agroecológicos de todo o Brasil – dentre eles, assentados da reforma agrária, povos e comunidades tradicionais, jovens e mulheres. Serão investidos mais de R$ 260 milhões, contemplando 58 mil famílias do campo que produzem de forma orgânica.

O secretário nacional de Agricultura Familiar do MDA, Valter Bianchini, afirma que esse é só o primeiro passo para beneficiar esse tipo de agricultura. "É uma prática bastante complexa, exige muito conhecimento e habilidade dos agricultores e um constante acompanhamento e orientação técnica para esses procedimentos. Além do crédito e de políticas de apoio à comercialização, a Ater é uma das prioridades para fortalecer a agroecologia", diz.

A previsão é que as empresas que participarão da chamada sejam contratadas ainda este ano. Podem participar do processo empresas públicas e da sociedade civil que estejam em situação regular. "No ano que vem, pretendemos chegar a 75 mil famílias atendidas pelas chamadas. A ideia é que a gente desenvolva o programa com políticas de Ater em agroecologia com aproximadamente 150 mil famílias", revela.

Mulheres agroecológicas

Edna Correa é de Jaíba, município ao norte de Minas Gerais, a mais de 600 km da capital (Belo Horizonte). A agricultora preside a Associação Dogorutuba, umas das maiores associações quilombolas do estado, com 44 hectares. A plantação de milho, mandioca, feijão e arroz em pequeno porte é toda feita de forma agroecológica.

Ela diz que essa chamada veio em boa hora, pois os serviços de assistência vão melhorar o trabalho da comunidade. "Nada mais justo que sermos acompanhados por um técnico, também somos agricultores familiares. Queremos o acompanhamento para continuar produzindo sem uso de produtos químicos e isso é um feito espetacular", elogia Edna.

As mulheres são um dos focos dessa primeira chamada, já que 30% dos recursos serão destinados a atividades exclusivas com mulheres agricultoras e jovens que trabalhem de forma orgânica. "Além disso, há o número de 50%, no mínimo, de participação das mulheres que serão assistidas. E o inédito é que a chamada vai atender agricultores familiares e assentados da reforma agrária", explica Bianchini.

O coordenador-geral de Políticas para Povos e Comunidades Tradicionais do MDA, Edmilton Cerqueira, apoia a iniciativa para esse segmento. "Historicamente, povos e comunidades tradicionais sempre praticaram a agroecologia, por ser transmitida de geração para geração. Se para outros segmentos essa é uma discussão que busca ser incorporada, para povos e comunidades tradicionais ela reforça uma prática utilizada há séculos", ressalta.

Reforma agrária

O presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/MDA), Carlos Guedes de Guedes, afirma que esta primeira chamada específica para agroecologia na reforma agrária é uma estratégia conjunta de levar qualificação a assentamentos de todas as regiões do País.

"Significa beneficiar com serviços de assistência técnica e extensão rural 15 mil famílias assentadas, porque acreditamos que os assentamentos podem dar grande contribuição para a segurança alimentar e o abastecimento dos centros urbanos, sejam eles de pequeno, médio ou grande porte. E, também, que as ações voltadas a incorporar a matriz agroecológica de produção levam muitas oportunidades às famílias que vivem nessas comunidades rurais", define Guedes.

 

Fonte:

Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Últimos vídeos

Ministro da Transparência fala sobre acordos de leniência
Tomou posse, nesta quinta-feira (2), o novo ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Torquato Jardim
Temer agradeceu aprovação da DRU em prazo recorde
Michel Temer agradeceu a Câmara dos Deputados pela aprovação da chamada Desvinculação das Receitas da União em prazo recorde
Michel Temer dá posse a cinco novos dirigentes
Cinco instituições federais têm novos dirigentes. Durante discurso, Temer confirmou o nome de Paulo Rabelo de Castro para o IBGE
Tomou posse, nesta quinta-feira (2), o novo ministro da Transparência, Fiscalização e Controle, Torquato Jardim
Ministro da Transparência fala sobre acordos de leniência
Michel Temer agradeceu a Câmara dos Deputados pela aprovação da chamada Desvinculação das Receitas da União em prazo recorde
Temer agradeceu aprovação da DRU em prazo recorde
Cinco instituições federais têm novos dirigentes. Durante discurso, Temer confirmou o nome de Paulo Rabelo de Castro para o IBGE
Michel Temer dá posse a cinco novos dirigentes

Últimas imagens

O esforço, afirma Temer, é para, no final do seu governo, entregar um País equilibrado na política e na economia
O esforço, afirma Temer, é para, no final do seu governo, entregar um País equilibrado na política e na economia
Foto: Beto Barata/PR
Somente em Salvador serão entregues 2.800 unidades
Somente em Salvador serão entregues 2.800 unidades
Foto: Isac Nóbrega/PR
Em vários momentos, integrantes dos movimentos sociais que assistiam à cerimônia gritaram “Não vai ter golpe”
Em vários momentos, integrantes dos movimentos sociais que assistiam à cerimônia gritaram “Não vai ter golpe”
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Ministro da Educação disse que reconhecer o resultado da eleição é fundamental para a democracia
Ministro da Educação disse que reconhecer o resultado da eleição é fundamental para a democracia
Divulgação/EBC
Presidenta Dilma cumprimenta Mauro Lopes em cerimônia de transmissão de cargo na manhã desta quinta-feira (17)
Presidenta Dilma cumprimenta Mauro Lopes em cerimônia de transmissão de cargo na manhã desta quinta-feira (17)
Foto: Elio Sales/SAC

Governo digital