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Política para atingidos por barragens será este ano

Auxílio

Garantia foi dada pelo ministro Gilberto Carvalho às lideranças do Movimento de Atingidos por Barragens, durante reunião, em Brasília
por Portal Brasil publicado: 08/11/2013 15h10 última modificação: 30/07/2014 00h17

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, recebeu nesta quinta-feira (7), no Palácio do Planalto, em Brasília, lideranças do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB).

Carvalho garantiu que o governo federal irá anunciar até dezembro a política nacional dos direitos dos atingidos por barragens. Reivindicação considerada histórica pelo movimento, a política é fruto de compromisso entre o governo federal e o movimento dos atingidos e fruto da mesa de diálogos coordenada pela Secretaria-Geral da qual participam  diversos ministérios e o MAB.

No Encontro Nacional do MAB, realizado em setembro na cidade de Cotia, em São Paulo, representantes dos atingidos pelos futuros empreendimentos hidrelétricos nas regiões de Garabi- Panambi, Itapiranga e Tapajós solicitaram ao ministro Gilberto Carvalho uma audiência. Na pauta, o pedido para a suspensão das usinas e a retomada do processo de negociação sobre os impactos.

O aproveitamento hidrelétrico de Itapiranga alagará uma área correspondente a 6,5 mil hectares, englobando sete municípios em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Cerca de 1.500 mil famílias ribeirinhas já sofrem com a perspectiva de ter que sair de suas propriedades, informam os coordenadores do MAB. Segundo eles, a região é povoada por médias e pequenas propriedades, produtoras de alimentos. O MAB reivindica a abertura de dialogo com a Eletrosul.

Já na região da bacia do rio Tapajós, os moradores da comunidade de Pimental chama atenção para o potencial enorme de conflitos caso sejam construídas as usinas hidrelétricas na região. E no caso dos empreendimentos de Carabi e Panambi (Rio Grande do Sul) um empreendimento binacional na bacia do rio Uruguai, fronteira do Brasil e Argentina, lideranças do MAB, pescadores e agricultores, as lideranças argentinas, comerciantes e representantes dos sem terra e das igrejas têm posição contrária à construção das duas obras e questionaram a postura do governo brasileiro em querer construí-las.

Gilberto Carvalho reiterou o reconhecimento, pelo governo, da dívida histórica que o país tem com as populações atingidas pela construção de grandes obras no passado. O ministro garantiu as lideranças que no caso dos possíveis empreendimentos do Tapajós está sendo construído um acordo rigoroso sobre o processo de consultas com as comunidades indígenas. Segundo ele, há como ampliar este diálogo incluindo a população ribeirinha de toda a região e os pequenos agricultores. “Nos outros casos ainda temos espaço para manter e ampliar as conversas e negociações” acredita Carvalho.

Histórico

Em abril de 2011, a presidenta Dilma Rousseff recebeu a pauta de reivindicações durante encontro com cerca de 450 mulheres do Movimento de Atingidos por Barragens. A presidenta determinou na ocasião a abertura das negociações e delegou à Secretaria-Geral a articulação entre governo e o movimento.

A Secretaria-Geral coordena uma Mesa de Negociação com o MAB que conta com a participação de 12 ministérios e realiza encontros mensais. O objetivo é construir proposta de uma política que visa garantir os direitos dos atingidos por barragens.

A minuta da proposta, já finalizada, conta com sugestões do movimento, governo federal e setor elétrico.

Participam da Mesa de Negociação com o MAB os ministérios de Agricultura, Pecuária e Abastecimento; do Meio Ambiente; da Educação; da Saúde; da Justiça; da Integração Nacional; das Minas e Energia e da Pesca e Aquicultura; do Planejamento; das Secretarias de Direitos Humanos e das Políticas para Mulheres. Estiveram presentes também representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai); do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - (Incra) e Companhia Nacional de Abastecimento(Conab).

Fonte:

Secretaria-Geral da Presidência da República

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