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Comissão da Verdade identifica corpo de desaparecido político morto há 43 anos

Direito à memória e à verdade

Epaminondas de Oliveira morreu no Hospital Militar de Área de Brasília e estava enterrado no Campo da Esperança, mas família nunca teve acesso aos restos mortais
por Portal Brasil publicado: 29/08/2014 19h24 última modificação: 09/12/2014 18h40

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) confirmou nesta sexta-feira (29) a descoberta dos restos mortais do desaparecido político Epaminondas Gomes de Oliveira, morto em 1971 pela ditadura militar (1964-85). Ele estava enterrado em Brasília, mas a família nunca teve acesso a seus restos mortais.

Laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Brasília, solicitado pela comissão, comprovou que o corpo exumado do Cemitério Campo da Esperança em 24 de setembro de 2013, é mesmo do sapateiro e líder comunista maranhense morto aos 68 anos, sob custódia do Exército, no antigo Hospital de Guarnição de Brasília, atual Hospital Militar de Área de Brasília, em 20 de agosto de 1971.

Epaminondas, que também foi prefeito em sua cidade natal, Pastos Bons (MA), é o primeiro desaparecido político identificado pela CNV. Foi preso em um garimpo paraense, em 7 de agosto de 1971, durante a Operação Mesopotâmia, realizada para prender lideranças políticas da oposição na região do Bico do Papagaio (divisa tríplice entre Pará, Tocantins, então Goiás, e o Maranhão), com o objetivo de tentar detectar focos guerrilheiros na região.

Segundo depoimentos colhidos pela CNV, após ter sido torturado numa área do extinto Departamento Nacional de Estradas e Rodagens (DNER), localizada na estrada entre Porto Franco, cidade onde vivia, e Imperatriz, ambas no Maranhão, Epaminondas foi levado a Brasília, onde permaneceu preso, foi novamente torturado no Pelotão de Investigações Criminais (PIC), e morreu em 20 de agosto de 1971, no Hospital Militar de Área de Brasília.

Ao todo, a CNV colheu 41 depoimentos sobre o caso Epaminondas e a Operação Mesopotâmia em Brasília, no Maranhão e em Tocantins. Segundo os testemunhos, os presos pela operação em Porto Franco e Tocantinópolis foram colocados em um caminhão de carroceria aberta, que passou pelas principais ruas da cidade, para que fossem vistos por todos.

Depois, oficiais levaram os presos para o acampamento do DNER à beira da estrada, onde Epaminondas, tido como o líder do grupo, foi o que mais sofreu, recebendo choques e espancamentos. Os militares, segundo os depoimentos, obrigaram os companheiros de Epaminondas a se perfilarem em corredor polonês e o agredir, com socos e tapas.

No PIC, o preso político voltou a ser torturado com choques e socos. O cabo do Exército reformado Anísio Coutinho de Aguiar, nascido em Porto Franco, que teve aulas de reforço de português com Epaminondas, foi ouvido pela CNV em outubro de 2013 e afirmou ter visto seu ex-professor preso em Brasília, já debilitado.

Epaminondas era próximo do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e posteriormente do Partido Revolucionário dos Trabalhadores (PRT), uma dissidência da Ação Popular (AP). Não há, contudo, informações que comprovem a participação dele e de outros militantes comunistas de Porto Franco (MA) e da vizinha Tocantinópolis (TO) com a guerrilha ou ações armadas isoladas.

O único elo é que, em virtude de sua militância, Epaminondas e seu grupo teriam intermediado com o Partido Comunista a instalação em Porto Franco do médico João Carlos Haas Sobrinho, desaparecido na Guerrilha do Araguaia, que antes de engajar-se na luta armada viveu 20 meses na cidade, onde atuou como cirurgião.

Fonte: Portal Brasil com informações da Comissão Nacional da Verdade

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