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“Como toda uma geração, fui muito torturada”, afirma ministra

Direitos Humanos

Ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci concedeu entrevista ao blog do Planalto contando as memórias do que viveu durante a ditadura
por Portal Brasil publicado: 12/12/2014 18h00 última modificação: 12/12/2014 18h00
Gabinete Digital/PR “Fiquei quase três anos presa. O marco que eu tenho é que minha filha tinha um ano e oito meses quando fui presa. Quando eu saí, ela tinha cinco.”

“Fiquei quase três anos presa. O marco que eu tenho é que minha filha tinha um ano e oito meses quando fui presa. Quando eu saí, ela tinha cinco.”

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, concedeu entrevista ao Blog do Planalto contando as memórias do que viveu durante a ditadura.

A entrevista faz parte das comemorações do Dia Internacional dos Direitos Humanos, ocorrido na última quarta-feira (10), e da entrega do relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

Leia a seguir trechos e assista à entrevista completa: 

Ministra, a senhora pode contar um pouco sobre sua experiência pessoal durante a ditadura?

Fui presa em 1971, em julho. Eu tinha por volta de 24, 25 anos. E, como toda uma geração, fui muito torturada, muito violentada, todo tipo de tortura. No DOI-CODI você podia ser assassinada, morrer ou não, e ninguém ficava sabendo…

Fomos para o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), onde você fazia depoimentos e você não estava sob tortura física, você estava sob tortura psicológica, você precisa ser muito forte para sobreviver à ela. 

A senhora ficou presa por quanto tempo?

Ao todo eu fiquei quase três anos presa. O marco que eu tenho, é que minha filha tinha um ano e oito meses quando fui presa. Quando eu saí, ela tinha cinco. Ela ficou com a minha mãe.

Ficaram traumas?

É, tem um trauma… Eu diria que eu transformei, com a psicanálise que eu fiz, o trauma na saudade do que eu não tive, que foi ver o crescimento [da minha filha], participar do crescimento dela e estar com ela. 

Durante o lançamento do portal Memórias da Ditadura, a senhora disse que chegou a pensar que seria melhor ter morrido.

Quando disse aquela frase, que preferia ter morrido tamanha era a dor da tortura, e a dor de ver companheiros assassinados ou companheiras assassinadas, eu não sabia se eu teria força para aguentar mais. 

Para a senhora, pessoalmente, qual é o sentimento nesta semana, com a divulgação do relatório?

Nos 50 anos do golpe se entrega o relatório da CNV. Essa semana eu estou muito emocionada, acho que é uma semana importantíssima, de grande magnitude política do Brasil, para a América do Sul, que só faltava o Brasil. Mas para nós que estamos sem revanchismo, sem mágoa, em hipótese nenhuma…

Qual o significado de a senhora ter estado na torre das donzelas e hoje ser ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres?

É um processo que me honra muito. Mas também me faz muito humilde de saber que toda essa história é uma história que eu fiz com um coletivo de mulheres. Porque eu acredito nisso, e aqui eu preciso das mulheres para que as políticas se façam, se tornem efetivamente realidade nas vidas delas.

Eleonora Menicucci 

Feminista, Eleonora Menicucci de Oliveira é mineira da cidade de Lavras. Interessou-se pelo ideário socialista na juventude e, após o golpe militar de 1964, iniciou sua participação em organizações de esquerda. Em 1971, foi presa e passou quase três anos na cadeia, na cidade de São Paulo. 

Em 1985, Maria Oliveira, filha de Eleonora Menicucci, junto com Marta Nehring, dirigiu o documentário “15 filhos”. O filme retrata a época da ditadura por meio da memória de infância dos filhos de militantes presos, mortos ou desaparecidos. Em seu depoimento, Maria homenageia a sua mãe.

Fonte:
Blog do Planalto 

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