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Consternada com execução de brasileiro, Dilma chama embaixador na Indonésia para consultas

Relações internacionais

Carioca Marco Archer Cardoso Moreira (53) foi fuzilado neste sábado (17), às 15h31 (horário de Brasília), na Indonésia, por tráfico de drogas
por Portal Brasil publicado: 17/01/2015 17h54 última modificação: 17/01/2015 19h45

A presidenta Dilma Rousseff lamentou neste sábado (17) a execução do brasileiro Marco Archer ocorrida às 15h31, horário de Brasília, na Indonésia. A presidenta recebeu a notícia com indignação e consternação, segundo nota divulgada pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República.

Mesmo consciente da gravidade do crime que levaram à condenação do brasileiro, a presidenta ainda dirigiu, pessoalmente, um apelo humanitário ao presidente indonésio, Joko Widodo, nesta sexta-feira (16) pela clemência do réu. No entanto, o pedido não foi acolhido.

Dilma lamentou o episódio e destacou que a pena de morte, condenada crescentemente pela população mundial, afeta as relações entre Brasil e Indonésia. Ela ainda dirigiu uma mensagem de conforto à família de Marco Archer e convocou o embaixador do Brasil em Jacarta para consultas.

“Chamar o embaixador para consulta expressa gravidade, um momento do tensão”, explicou o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em entrevista coletiva neste sábado (17).

Prisão em 2003

O carioca Marco Archer Cardoso Moreira, 53 anos, foi fuzilado por tráfico de drogas. Ele foi o primeiro brasileiro executado por crime no exterior. A informação foi confirmada pela Embaixada do Brasil em Jacarta.

Archer trabalhava como instrutor de voo livre e foi preso em agosto de 2003, quando tentou entrar na Indonésia, pelo aeroporto de Jacarta, com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta desmontada em sete bagagens.

O brasileiro havia conseguido fugir do aeroporto, mas foi localizado após duas semanas, na Ilha de Sumbawa. Archer confessou o crime e disse que recebeu US$ 10 mil para transportar a cocaína de Lima, no Peru, até Jacarta. No ano seguinte, foi condenado à morte.

O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Sérgio Danese, entregou pessoalmente ao embaixador indonésio nota expressando inconformidade do Brasil com a execução logo após a execução de Archer.

Segundo o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, a execução do brasileiro Marco Archer na Indonésia gera uma sombra na relação bilateral. Ainda de acordo com o ministro, foram esgotados todos os recursos para evitar a executação da pena. O argumento usado pelo governo é de que não há pena de morte no Brasil.

Vieira ressaltou que, em nenhum momento, foi contestada a gravidade do ato cometido pelo brasileiro. Mauro Vieira afirmou também que toda a assistência foi dada a Marco Archer e que o mesmo está sendo feito com o outro brasileiro que está no corredor da morte na Indonésia, Rodrigo Gularte.

Confira a íntegra da nota oficial da Presidência da República:

A presidenta Dilma Rousseff tomou conhecimento – consternada e indignada – da execução do brasileiro Marco Archer, ocorrida hoje às 15h31 - horário de Brasília - na Indonésia.

Sem desconhecer a gravidade dos crimes que levaram à condenação de Archer e respeitando a soberania e o sistema jurídico indonésio, a presidenta dirigiu pessoalmente, na sexta-feira última (16), apelo humanitário ao seu homólogo Joko Widodo para que fosse concedida clemência ao réu, como prevê a legislação daquele país.

A presidenta Dilma lamenta profundamente que esse derradeiro pedido, que se seguiu a tantos outros feitos nos últimos anos, não tenha encontrado acolhida por parte do chefe de Estado da Indonésia, tanto no contato telefônico como na carta enviada, posteriormente, por Widodo.

O recurso à pena de morte, que a sociedade mundial crescentemente condena, afeta gravemente as relações entre nossos países.

Nesta hora, a presidenta Dilma dirige uma palavra de pesar e conforto à família enlutada.

O embaixador do Brasil em Jacarta está sendo chamado a Brasília para consultas.

Fontes:

Agência Brasil

Blog do Planalto

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