Você está aqui: Página Inicial > Infraestrutura > 2011 > 04 > Pesquisa mostra que obras no RJ precisam estar preparadas para mudanças climáticas

Geral

Pesquisa mostra que obras no RJ precisam estar preparadas para mudanças climáticas

por Portal Brasil publicado: 07/04/2011 15h08 última modificação: 28/07/2014 13h04

O Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) e a Universidade de Campinas (Unicamp) divulgaram nesta quinta-feira (7) o estudo “Vulnerabilidade das MegaCidades Brasileiras às Mudanças Climáticas: Região Metropolitana do Rio de Janeiro”. De acordo com o levantamento, os megaempreendimentos governamentais e da iniciativa privada no Rio de Janeiro precisam investir com urgência na prevenção aos efeitos das mudanças climáticas.

A pesquisa aponta que investimentos como o Arco Rodoviário Metropolitano (obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que interliga a orla oriental da Baía da Guanabara), o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), o Porto de Itaguaí e as grandes implantações minero-siderúrgicas da Baía de Sepetiba estimularam e vêm estimulando a expansão de loteamentos e o crescimento populacional em áreas com risco de inundações pela elevação do nível do mar.

De acordo com um dos coordenadores da pesquisa, o economista Sergio Besserman, do Instituto Pereira Passos, a presença desses projetos é importante economicamente para o estado e que pode ser muito positiva se houver um plano de adaptação às mudanças climáticas.“Estamos falando de empresas com grande capacidade logística, e os recursos de compensação ambiental são vultosos. Basta que parte dos recursos das empresas seja destinada à adaptação dos impactos das mudanças climáticas, sobretudo à proteção dos manguezais.”


Região metropolitana

Segundo o estudo, tragédias como inundações, alagamentos, deslizamentos de encosta, falta de água potável e de alimentos, mortes, danos pessoais e governamentais podem se tornar freqüentes na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Praias como as do Leblon podem desaparecer nos próximos cem anos, e o mar, destruir calçadas e ruas na orla carioca, causando danos à infraestrutura de saneamento, como tubulações de esgoto. Populações inteiras que vivem atualmente às margens das lagoas e baías do Rio e municípios da região metropolitana teriam de ser removidas. Enchentes como as que ocorreram na região serrana do Rio, em Niterói e nos morros da cidade do Rio devem se tornar cada vez mais frequentes.

O estudo também prevê o aumento do número de dias e meses por ano mais favoráveis à ocorrência de dengue, além da possibilidade de epidemia de leptospirose – doença causada pela urina de ratos, que se prolifera nas inundações.

As projeções do levantamento são de elevação da temperatura máxima anual e da ocorrência de dias e noites mais quentes, além do aumento da duração das ondas de calor. A média da temperatura máxima deve passar dos 35,5 graus Celsius (°C) – entre 2011 e 2040 – para 38,6 °C, de 2071 a 2099.

Para Sergio Besserman, é necessário se planejar desde já para enfrentar essas alterações. “Prevenir-se, neste caso, significa salvar vidas e patrimônios. A sociedade tem que cobrar, e as autoridades e a iniciativa privada têm que dialogar e se articular para investir na manutenção de manguezais e adaptação às mudanças climáticas. A adoção de sistema de alerta, plano de contingência, por exemplo, são medidas que precisam sair do papel.”

O estudo propõe medidas imediatas como a criação de bases de dados consistentes, instrumentos de previsão e monitoramento em tempo real, metodologias que permitam aumentar a previsibilidade dos fenômenos e seus efeitos. Besserman disse que as medidas de prevenção não são baratas, mas que a demora pode ser danosa e mais cara para a sociedade, pois afeta áreas como saúde, economia e meio ambiente.

A região metropolitana do Rio de Janeiro é a maior aglomeração urbana da costa brasileira, com uma população de cerca de 11,5 milhões de habitantes.

A pesquisa faz parte de um projeto desenvolvido pelo Inpe e Unicamp, com financiamento da Embaixada Britânica. Participaram ainda da pesquisa 29 colaboradores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Fiocruz, do Instituto Pereira Passos e da Fundação GeoRio.

 

Fonte:
Agência Brasil

Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons CC BY ND 3.0 Brasil CC BY ND 3.0 Brasil

banner_servico.jpg

Erro
Ocorreu um erro enquanto renderizando o portlet.

Últimas imagens

Melhor navegabilidade da bacia do Tocantins-Araguaia também vai favorecer pequenas comunidades agrícolas
Melhor navegabilidade da bacia do Tocantins-Araguaia também vai favorecer pequenas comunidades agrícolas
Foto: Divulgação/Ministério da Integração
Ministro das Cidades, Bruno Araújo, participa de evento do programa Minha Casa Minha Vida, que beneficiou cerca de 360 famílias em São Paulo
Ministro das Cidades, Bruno Araújo, participa de evento do programa Minha Casa Minha Vida, que beneficiou cerca de 360 famílias em São Paulo
Divulgação/Ministério das Cidades
A iniciativa possibilitará uma oferta maior de água para as populações rurais atingidas pela estiagem e seca.
A iniciativa possibilitará uma oferta maior de água para as populações rurais atingidas pela estiagem e seca.
Foto: Adriana Fortes/MD
Na cerimônia, 480 casas do Residencial Maria Pires Perillo foram entregues.
Na cerimônia, 480 casas do Residencial Maria Pires Perillo foram entregues.
Divulgação/ministério das Cidades
A Aneel fiscalizará o custo, que a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) deverá cobrir para garantir as adequações.
A Aneel fiscalizará o custo, que a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) deverá cobrir para garantir as adequações.
Foto: Renato Sette Câmara/Prefeitura do Rio

Governo digital