Infraestrutura
Falta de energia no Sul, Sudeste e Centro-Oeste não foi causada por consumo, diz Zimmerman
SISTEMA ELÉTRICO
O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, afirmou que a falta de energia, que afetou as regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e parte de Tocantins nesta terça-feira (4), não está ligada ao aumento do consumo devido às altas temperaturas do verão. Ele acrescentou que o sistema elétrico nacional está equilibrado e funcionando dentro do esperado e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está investigando a causa do problema.
Zimmermann classificou a falha como de médio porte, em relação ao tamanho do sistema elétrico brasileiro, mas ressaltou que cada país tem seus conceitos nessa área.
“Tem país que só considera apagão quando corta 10% da carga. Tem país que cortou 100 mil MW e não é grande apagão. Nós analisamos todos. Esse, de médio porte, de hoje, está sendo analisado pela Aneel, mas a única coisa que posso dizer é que o sistema foi planejado para manter a integridade. E, com essa atuação correta, e a informação que o ONS [Operador Nacional do Sistema Elétrico] passou, [podemos afirmar que] não tem nada a ver com estresse do sistema”.
Zimmermann garantiu que nenhuma distribuidora foi responsável pela falha. “Esse fenômeno está sendo bem avaliado pelo governo, estudado com a Fazenda. Indo na linha do que o ministro falou [na segunda-feira], passando mensagem de tranqüilidade. A mensagem que o MME quer passar é de tranquilidade com relação ao sistema planejado, implantado e [que está] trabalhando dentro das suas condições para aquilo que ele foi planejado”.
Cortes programados evitaram contaminação no sistema
Em nota, o ONS informou que a falha foi registrada às 4h03 na rede de transmissão de energia que liga o Norte ao Sudeste, entre a cidade de Colinas (TO) e a região da Serra da Mesa (GO), e provocou a interrupção no fornecimento de cerca de 5 mil MW (megawatts). De acordo com o ONS, a energia começou a ser restabelecida 35 minutos depois.
“Para evitar a propagação do evento, houve atuação do primeiro estágio do Esquema Regional de Alívio de Carga (Erac), causando o desligamento automático de cargas pré-selecionadas pelos agentes distribuidores locais, visando restabelecer a frequência do sistema”, diz a nota.
Em vista disso, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, disse que aparentemente o sistema funcionou como deveria, ao evitar que o Sudeste ou outras regiões ficassem totalmente apagadas.
“Aparentemente, porque o ONS ainda vai analisar, o sistema funcionou como tinha que funcionar, porque evitou que o Sudeste apagasse. Poderia ter acontecido o que aconteceu em outros eventos, quando apagou o Nordeste. Quando acontece um fenômeno, um acidente, para você evitar de apagar toda uma região, tem um sistema que faz cortar pequenas cargas em certos lugares. E isso evita um efeito dominó de apagar uma região inteira”, explicou Tomalsquim.
Por isso, ele considera que houve um grande avanço em relação a fenômenos do passado, como no último ano no Nordeste, quando esse sistema não cortou as cargas. “Mas é isso, se isso ocorreu dessa forma mesmo, foi um avanço”, enfatizou.
Com relação a eventuais impactos sobre as distribuidoras, Márcio Zimmermann garantiu que o governo não vai deixar que distribuidoras possam ter um impacto maior do que elas possam arcar.
“Só pra tranqüilizar, isso a gente pode falar. E o ministro [Edison Lobão] falou ontem [segunda-feira]. isso está sendo visto, elas não serão impactadas além daquilo que podem suportar pagar. Quanto, vai ser discutido. Elas nãos serão impactadas além daquilo que a saúde financeira possa suportar”, reforçou.
Na segunda-feira (3) o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que existe a possibilidade de ajudar as distribuidoras de energia com recursos do Tesouro. "O Tesouro estuda isso (repasses para ajudar as distribuidoras). Encontraremos a melhor solução possível para preservar a situação dos consumidores", afirmou.
Também sobre o consumidor, Zimmermann informou que é a Aneel que vai analisar. “Ninguém tem bola de cristal para saber como vai ser a meteorologia daqui em diante. Como pode dar uma solução sem saber o tamanho do problema? Vamos esperar para ver como fica a hidrologia, os reservatórios, e aí analisar a solução”.
Fonte: Portal Brasil
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons
CC BY ND 3.0 Brasil













