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Infraestrutura

Irrigação transforma municípios do Oeste da Bahia

Recursos hídricos

"Temos compromisso de reduzir, por meio da agricultura irrigada, dívida social histórica", afirma secretário nacional de Irrigação
por Portal Brasil publicado: 31/03/2014 16h10 última modificação: 30/07/2014 03h07

No município de Riachão das Neves, no perímetro de Nupeba, localizado no Estado da Bahia, o irrigante Alberto Alves Brasileiro mudou sua história de vida.

Nascido no município baiano de Itiúba, aos 64 anos, casado e pai de 10 filhos, Brasileiro relata emocionado como conseguiu sobreviver na agricultura irrigada mesmo sem conhecimento da atividade. "Eu não tenho estudo nenhum. Vendia doce quebra-queixo e broá na rua. Depois comecei a trabalhar na agricultura a serviço de outras pessoas em Barreiras", conta o agricultor.

Ele relata que em 1994, quando estava no município de Barreiras, soube do projeto de irrigação Nupeba. "Eu tomei conhecimento do projeto por outras pessoas e decidi fazer a inscrição sem fé nenhuma. Não achava que receberia o lote. Mas fui contemplado com sete hectares e entrei em Nupeba no ano de 97, sem conhecimento do que iria plantar", relata Brasileiro.

O resultado para o início da produção não poderia ser diferente. Com a falta de experiência e prática, a colheita de Brasileiro fracassou várias vezes. "No início plantei feijão, arroz, limão e coco. Nada deu certo. Não tinha comprador e perdia tudo que plantava. Passei muita fome e não tinha dinheiro. Chegou ao ponto de o Distrito de Irrigação ter que cortar minha água, usada na produção, porque minha dívida era grande", afirma.

Mesmo com todas as dificuldades, o agricultor não desistiu. Ele decidiu contar sua inexperiência para o gerente do Distrito da época, Antônio Carvalho, que ficou comovido com a situação do irrigante e negociou sua dívida, evitando o corte no fornecimento de água para o seu lote. "Eu tinha que tentar produzir mais uma vez e precisava de água. Só era o que eu tinha para sobreviver com minha família: aquele pedaço de terra. Graças a Deus, o gerente do Distrito me ajudou", diz.

Brasileiro e outros pequenos irrigantes que não tinham perfil de empreendedor rural foram selecionados para os perímetros Nupeba e Riacho Grande, adquiriram financiamentos, implantaram suas culturas e se endividaram. Quando iniciaram suas colheitas, não havia condições no mercado local para absorver seus produtos. Pobres e endividados, esses agricultores passaram por dificuldades, alguns deles não tinham dinheiro para pagar a conta de água (k2) do seu lote.

Naquele momento, cortar o fornecimento de água significaria matar as culturas implantadas no lote, o que inviabilizaria a permanência do irrigante no Perímetro. "Fico feliz em saber que Brasileiro continua na irrigação, produzindo e criando sua família com dignidade", declara Antonio Carvalho, ex-gerente executivo do Distrito de Irrigação Nupeba e Riacho Grande.

Em 2004, Brasileiro mudou sua história. Recebeu ajuda de outro irrigante que entendia de agricultura e se especializou. "Conheci o César, que me ensinou a produzir banana. Hoje produzo só a fruta no meu lote. Vendo para outros Estados com uma produção muito boa e com isso tenho o sustento da minha família, minha casa própria e a certeza de que a plantação do meu lote está no caminho certo", comemora.

Para o secretário nacional de Irrigação, Miguel Ivan, a irrigação pode mudar a realidade de famílias e comunidades inteiras. "Temos um compromisso de reduzir, por meio da agricultura irrigada, uma dívida social histórica. E essa dívida pode ser paga se investirmos maciçamente na capacitação de pequenos agricultores. A irrigação, como técnica de produção, tem que ser acessível ao pequeno irrigante", destaca o secretário.

Fonte:
Ministério da Integração Nacional

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