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Infraestrutura

Dnocs refuta solicitação do MST sobre perímetro Jaguaribe-Apodi

Agricultura

Diretor do departamento declarou não ter intenção de misturar projetos de irrigação existentes com modelo pleiteado
por Portal Brasil publicado: 14/05/2014 15h46 última modificação: 30/07/2014 03h01

O diretor do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Emerson Fernandes Daniel Júnior, assegurou ao presidente da Federação das Associações do Perímetro Irrigado Jaguaribe-Apodi (Fapija), Raimundo César dos Santos (Alemão), que não pretende misturar projetos de irrigação existentes com outro modelo pleiteado pelo Movimento dos Sem Terra (MST), apesar de ser favorável à agricultura familiar na irrigação. “A segunda etapa do projeto Jaguaribe Apodi é uma continuidade da primeira”, disse ele ao receber uma delegação da Fapija na última terça-feira (13).

Emerson Daniel afirmou que o MST não precisava invadir o projeto de irrigação Jaguaribe-Apodi para pedir uma agenda para reunião no Dnocs. O diretor geral diferenciou o pleito do MST de um projeto viável que dá resultado. “Em hipótese alguma pode misturar atividades da Fapija e estas outras”, assinalou. O diretor geral lembrou que o Dnocs já liberou 20.957 hectares para o Incra que foram destinados a assentamentos em perímetros irrigados de diversos estados.

“Não pode misturar os dois modelos porque vocês estão pagando as tarifas K1, K2 e energia, mas é possível fazer um novo modelo de irrigação para atender a agricultura familiar num projeto específico”, disse ele. Conforme o executivo do Dnocs, a agenda com o ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, foi pedida para o dia 22 de maio por solicitação do MST para tratar do pleito relacionado ao Jaguaribe Apodi, mas ainda não teve confirmação.

Alemão relatou que pediu a liminar ao juiz, que concedeu a reintegração de posse, porém ainda não foi cumprida. O presidente da Fapija acrescentou que vai informar ao juiz que os manifestantes do MST, que ocuparam uma área no projeto de irrigação Jaguaribe-Apodi estenderam uma corda na estrada e exigem que o irrigante diga a onde vai, e também em momentos travam as comportas, o canal desperdiça água e interrompe a irrigação para as culturas.

O projeto de irrigação é mantido por 324 produtores que exploram lotes de quatro a 16 hectares e paga por mês R$ 350 mil a R$ 400 mil de energia elétrica, disse Alemão. “Este é um projeto caro, com um custo altíssimo que leva água do rio Jaguaribe para a chapada do Apodi com 110 metros de altura, bombeada com um motor de 2.850 C.V.”, afirmou.

O perímetro em 2013 faturou R$ 95 milhões, informou o gerente executivo, Karlos Welby. O valor inclui também as vendas das empresas que recebem água pelo Jaguaribe-Apodi. O empresário Edson Brok, da Tropical Nordeste, disse que já vê mudança no bananal depois de uma semana sem irrigação em pleno pico da exportação, quando a interrupção da água se deu e não pode se preparar.

A empresa mantém 342 trabalhadores e na terça-feira 17 deles ficaram retidos no bloqueio do MST. Mas foram trabalhar à tarde, ele relatou. Mesmo com a movimentação que quebrou a rotina do projeto de irrigação, na sexta-feira a Tropical conseguiu embalar 7.840 caixas de banana para exportação, informou o empresário.

Edson Brok lembrou que quando se estabeleceu no entorno do Jaguaribe-Apodi, há 17 anos, a segunda etapa do perímetro já estava lá, sem licitação. Segundo Karlos Welby, o Dnocs e o Ministério da Integração Nacional solicitam recursos para a segunda etapa do projeto, mas o Ministério do Planejamento não liberou dinheiro. “O que atrapalha é a falta de uma solução definitiva. Veem uma brecha, que a área está parada e vão lá”, disse ele com relação à ocupação, e pediu uma solução, indicando a inclusão na nova etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 3).

Quinta-feira (15), na reunião do Ministério do Planejamento agendada para as 15 às 20 horas, Emerson Daniel disse que vai defender a inclusão do pleito do Jaguaribe Apodi no PAC 3. O empresário João Teixeira, da Frutacor, lembrou do então cardeal arcebispo de Fortaleza, dom Aloisio Lorscheider, que mediava este tipo de conflito, sugeriu que o Dnocs precisa ter profissionais de mediação para intervir nestas circunstâncias e recomendou chamar o deputado Eudes Xavier para intermediar o diálogo.

A chefe de gabinete do Dnocs Raquel Pontes, por sua vez, recomendou à Fapija que procure não acirrar os ânimos dos irrigantes. Os vereadores José Lins Guerra e Chico Baltazar, que participaram da audiência com o empresário Luis Carlos Almeida de Castro, produtor de sementes, enfatizaram que o cumprimento da ação judicial de reintegração de posse não pode demorar porque além dos manifestantes trazidos de outros municípios, os moradores da região estão sendo atraídos com a notícia de distribuição de terras. Os vereadores observaram que moradores com terras que eram irrigadas com poço, agora que a água secou aderiram à manifestação do MST.

Fonte:
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas

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