Infraestrutura
Inclusão de eólicas em leilão de fontes alternativas completa 4 anos
Mercado de energia
O sucesso do primeiro leilão exclusivo para a energia eólica, em 2009, incentivou o governo a colocar o modelo de energia para competir com fontes térmicas a biomassa, pequenas centrais hidrelétricas e demais formas de geração alternativas e renováveis de geração. Para 2010, foram agendados dois certames consecutivos que envolveriam essas três formas de produção de energia.
Os leilões de fontes alternativas, como ficaram chamados, contrataram usinas na modalidade de reserva e projetos para fornecimento às distribuidoras, o que representou praticamente uma fusão entre o certame de reserva e A-3. Com diversas oportunidades de negócio, o evento atraiu os investidores, que compareceram em peso. Foram 517 projetos, ou 15,7 GW cadastrados, o que representa mais do que a potência instalada da hidrelétrica de Itaipu.
Ao final das licitações, realizadas em 25 e 26 de agosto, foram contratados 2,9 GW de capacidade instalada em usinas eólicas (2 GW), a biomassa (713 MW) e PCHs (131MW). Os projetos compreendiam os Estados da Bahia (587,4 MW), Ceará (150 MW), Goiás (191 MW), Minas Gerais (21 MW), Mato Grosso do Sul (126 MW), Mato Grosso (20,6 MW), Paraná (19 MW), Rio Grande do Norte (1.064,6 MW), Rio Grande do Sul (245,8 MW), Santa Catarina (29,9 MW), São Paulo (356,9 MW) e Tocantins (80 MW).
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, destacou a quebra de paradigmas do leilão, representada pelo fato de as usinas eólicas terem se tornado a mais barata dentre as fontes que competiram, com preço médio de R$130/MWh, contra R$148/MWh do certame de 2009. O resultado surpreendeu a comissão do leilão e até mesmo os jornalistas que acompanhavam o evento.
Ex-conselheira da CCEE e hoje presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo conta que diversos fatores ajudam a explicar o sucesso do certame e o baixo preço alcançado pela energia eólica.
“O resultado se deve à redução dos custos de produção pelo progresso técnico; à competição causada pela presença dos fabricantes de fora; e à natureza do vento brasileiro. Eesde 2006 percebeu-se que a média de produtividade do Brasil é muito superior à da Europa”, explica a executiva.
O gerente executivo de Leilões e Mercado Regulado da CCEE, Alexandre Viana, destaca que foi possível ver como os certames propiciam uma competição que favorece a obtenção de menores tarifas. “A grande vantagem dos leilões é conseguir contratar empreendimentos no menor preço possível, trazendo modicidade tarifária para o consumidor brasileiro, ao mesmo tempo em que se desenvolve o mercado de energia”.
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