Infraestrutura
Palestra discute potencial em elementos terras-raras
Produção de granito
Em palestra ministrada na quarta-feira (10), no Ministério de Minas e Energia (MME), o geólogo e professor da Universidade de Brasília (UnB), Nilson Botelho, falou da importância de terras-raras e de projetos para a produção desses elementos, desenvolvidos no nordeste de Goiás. “Nessa região, há uma concentração muito grande de granitos tipo-A, de onde podem ser retirados os elementos terras-raras”, explicou.
Os elementos terras-raras têm ampla utilidade na indústria na utilização de tecnologias limpas, como em veículos elétricos, na fabricação de magnetos de turbinas eólicas, em telas LCD, e nas lâmpadas de LED, entre outras utilidades.
Segundo Botelho, a região da Província Estanífera de Goiás vem se destacando pelo grande potencial para a produção desses elementos, principalmente para as terras-raras pesadas, associados aos granitos tipo-A.
Na província, o Maciço Granítico Serra Dourada tem potencial equivalente a depósitos mundiais de grande importância, de acordo com Botelho. Nessa área, os elementos terra-raras são encontrados principalmente em granitos, mas também em outras formas de ocorrências e de concentrações, tais como aluviões, argilas adsorvidas, entre outros.
Na Província Estanífera de Goiás, outras áreas são estudadas pela UnB, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e por algumas empresas, que constataram que há grandes concentrações desses elementos nos maciços de Pedra Branca e Mocambo. Investigações preliminares nesses locais indicam a existência dos mesmos processos concentradores de terras-raras, principalmente de elementos terras-raras pesados e ítrio, encontrados também em Serra Dourada. Segundo dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), a região possui a maior concentração de áreas requeridas para elementos terras-raras, avançando até o sudeste de Tocantins.
O Brasil é rico em terras-raras, que são 17 elementos químicos utilizados em tecnologias de ponta, como ímãs que aumentam a capacidade de geradores elétricos. Botelho afirmou que atualmente a China detém mais de 87% da produção de terras-raras e o Brasil é responsável por apenas 0,28% da explotação desses minérios.
Segundo o palestrante, a partir de 2005, a disponibilidade dos elementos terras-raras no mundo se tornou mais crítica, pela falta de investimento dos países e sua dependência da China, que controla o mercado internacional.
Segundo o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Álvaro Prata, vários países, inclusive o Brasil, estão investindo em pesquisa e produção desses elementos, com o objetivo de minimizar a dependência da produção chinesa.
Na Universidade de Brasília, um grupo realiza pesquisas sobre granitos e mineralizações associados, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de acordo com Botelho.
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