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Cidadania e Justiça

Projeto musical em terreiro de candomblé diminui evasão escolar em Goiás

Intolerância religiosa

Ações sociais em instituições religiosas de matrizes africanas mostram a relação de acolhimento entre terreiros e comunidades
por Portal Brasil publicado: 08/05/2016 11h44 última modificação: 08/05/2016 11h44

Um terreiro de candomblé quase sempre é muito mais do que um local de festas e celebrações religiosas. Assim como também ocorre com outras religiões de matriz africana, esses espaços acabam se tornando também centros de solidariedade e convívio social.

É o caso do terreiro Ilè Asé T'Ojú Labá, em Cidade Ocidental, Goiás. A vocação social faz do terreiro de Mãe Dora, um espaço de acolhimento, no qual são oferecidas oficinas musicais para crianças da região, muitas em situação de vulnerabilidade social.

A yalorixá explica que a ideia surgiu entre os frequentadores do terreiro. Como havia uma grande quantidade de professores de música, eles tiveram a ideia de juntar as crianças para dar aulas de instrumentos. O grupo fez um acordo com uma escola municipal e as aulas são no terreiro, embaixo das árvores.

"A história desse projeto é um desejo de muitos anos. Venho de uma família de umbandista e fazíamos alfabetização de criaças e adultos em Vicente Pires (DF). Meu sonho sempre foi ter uma escola em comunidade carente. A gente nem sabia muito como ia fazer, fomos descobrindo no dia a dia a melhor forma", conta Mãe Dora.

Hoje, ela conta com 47 crianças que frequentam o projeto, com idades que variam entre os 5 aos 21 anos. Como contrapartida, as crianças devem estar matriculadas e com uma boa frequencia escolar. Animada, Mãe Dora conta que a iniciativa reduziu de 70% para 20% a taxa de evasão escolar naquela região.

"Eu tenho criança de todas as formas. Tem criança que vem aqui só pra comer, aí vem e trás o irmão, o primo. De tempos em tempos, vou na escola conversar e ver como está a evolução das crianças. A gente pega no pé deles, falamos que não dá conseguir nada sem os estudos. O retorno dos pais é muito bacana. Muitos contam que o filho era briguento e violento, e hoje está mais tranquilo. É muito gratificante saber que podemos mudar uma criança e mostrar oturas formas de vida que não só a que ela está acostumada a ver", conta.

Solidariedade

Assim como Mãe Dora, vários terreiros de religiões de matrizes africanas têm, em suas práticas, projetos sociais para a vizinhança. A yalorixá relata que a interação com a comunidade está na própria lógica da religião, que prega acolhimento e ajuda aos que necessitam.

"As pessoas chegam e batem na sua porta, uma mãe que precisa de um gás, quando não tem médico no posto de saúde. No terreiro a gente não pergunta se você é branco, preto, rico, pobre. Está chegando um ser humano que precisa de ajuda. Faz parte da religião receber todos, sem olhar a cara e sem discriminar ninguém', conta.

Ela pensa que parte da população desconhece as ações pelo preconceito contra a religião. "As pessoas precisam conhecer o candomblé. Visitem as casas, vejam as práticas para aprender a respeitar. As pessoas veem as baianas na televisão vestidas de renda e acham bonito, é folclórico. Mas no dia a dia, existem pessoas com pensamentos errados de que fazemos maldade. Mas a verdade é que a gente acolhe quem ninguém quer. É aquele menino catarrento que ninguém olha, mas que a gente pega, dá banho e põe uma roupa limpinha".

Fonte: Portal Brasil

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