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No Brasil, programa tenta salvar arara-azul-de-lear da extinção

por Portal Brasil publicado: 22/10/2010 18h45 última modificação: 28/07/2014 11h48

No Ano Internacional da Biodiversidade, a boa notícia vem do sertão da Caatinga, em uma região conhecida como Raso da Catarina, no estado da Bahia, Nordeste do Brasil. Uma espécie de arara azul que chegou à beira da extinção começa a ter a chance de sobreviver no futuro. Com pouco mais de 60 indivíduos na natureza no final da década de 1980, a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) chegou a ser classificada pelo governo brasileiro como espécie criticamente ameaçada.  Hoje, a população dessas aves está estimada em torno de 1.100 indivíduos, graças ao trabalho desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres – Cemave, ligado ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambientes.

O status de ave criticamente ameaçada preocupou o governo e os especialistas, pois a ave existe apenas em uma área restrita no interior do estado da Bahia e estava sendo alvo dos traficantes de animais. Cobiçadas pelo valor que eram comercializadas vivas, as araras-azuis-de-lear eram levadas para fora do Brasil por quadrilhas especializadas no tráfico de animais silvestres. 

Outra ameaça para as araras-azuis do sertão da Bahia é a perda de habitat natural para expansão da agricultura e pecuária de caprinos e bovinos, bem como a retirada de lenha para abastecimento de cerâmicas, padarias e olarias. As araras se alimentam basicamente dos frutos de uma palmeira típica da região, o licuri. Com o desaparecimento gradativo da principal fonte de nutrição das araras, a segurança alimentar da espécie ficou ameaçada. Ao buscar alternativa de comida nos milharais, as araras eram alvejadas pelas balas dos fazendeiros, o que contribuía para a dizimação da espécie.


Virando o jogo

O cerco às araras só foi rompido graças ao esforço de um grupo de biólogos coordenados pelo Cemave. “O governo criou um comitê de especialistas, que passou a definir as estratégias para enfrentar a ameaça de extinção de uma espécie de grande importância ecológica e de rara beleza”, afirma o chefe do centro, João Luiz do Nascimento. Ele conta que organizações ambientalistas também vieram se juntar ao projeto. Um plano de ação deu as diretrizes sobre como agir e em que linhas orientar as pesquisas científicas voltadas para a conservação da espécie. 

Desde o ano de 2000, o Cemave passou a coordenar campanhas de educação ambiental, treinamento de professores, palestras, sessões de cinema, oficinas de arte e reuniões. Além disso o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) intensificou a fiscalização nas principais áreas em que as araras eram encontradas. Tudo isso gerou grande envolvimento da comunidade local, a ponto de o município de Jeremoabo adotar a espécie como seu símbolo.

Outra ação do projeto é a produção de mudas de árvores da Caatinga, com atenção especial à palmeira do licuri. Um viveiro com capacidade para produzir 10 mil mudas para ampliar e assegurar o recurso alimentar da arara funciona na base do Cemave, no município de Jeremoabo.


Censo

O Cemave passou a coordenar censos populacionais periódicos, marcando ainda mais a presença protetora no território natural das aves e ampliando o conhecimento sobre a espécie. A distribuição geográfica das araras-azuis-de-lear abrange os municípios de Jeremoabo e Canudos, onde a espécie se reproduz. As aves saem da sua área de repouso ao amanhecer e viajam mais de 60 km em direção às áreas de alimentação distribuídas nos municípios vizinhos. 

“Hoje, elas são contadas às centenas, superando a estimativa prevista em seu plano de manejo, de 800 araras. Com o crescimento da população e o envolvimento crescente das comunidades locais, esperamos que em um futuro próximo a sociedade possa assumir os cuidados com a espécie. Até lá, nós vamos manter a intensidade da nossa presença na região”, promete o responsável pelo Cemave. Ele afirma que foi pensando como aliados das araras que eles conseguiram reverter a curva descendente dessa espécie. “Não podemos deixar que elas desapareçam do sertão”.


Fonte:
Portal Brasil

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