Meio ambiente
Rio Negro apresenta menor nível do curso d’água desde 1902
O nível do curso d’água do Rio Negro, em Manaus (AM), chegou a 13,63 metros no último domingo (24) e pode baixar ainda mais nos próximos dias. Esta cota de vazante (período em que o rio apresenta menor volume de água) é a menor desde que o rio começou a ser monitorado, em 1902, superando a mínima histórica registrada em 1963, quando o rio chegou a 13,64 metros.
Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a média histórica das vazantes no local é de 17,58 metros considerando as medições entre 1903 e 2009. Esses dados hidrológicos são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional, que está sob responsabilidade da ANA. As estações de medição são operadas pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM).
Em todo o histórico de medições do nível do Rio Negro, o curso d’água apresentou seus níveis mínimos anuais durante outubro em 43% dos anos. O fenômeno também já aconteceu entre novembro e fevereiro. Já as máximas são mais concentradas e costumam ocorrer entre maio e julho, sendo junho o mês mais comum: 75% das vezes. Enquanto neste ano o Rio Negro está com uma cota baixa, em 2009 ocorreu a maior cheia já registrada em Manaus: 29,77 metros. A média das máximas anuais é de 27,81 metros.
De acordo com o superintendente de Usos Múltiplos da ANA, Joaquim Gondim, um fator que causou a situação atual do baixo nível de rios amazônicos foi a chuva abaixo da média em outros países amazônicos – Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela –, onde estão as cabeceiras de afluentes do Rio Amazonas. Ao entrar no Brasil, o rio passa a se chamar Solimões e volta a ter o nome de Amazonas após o encontro do Rio Negro com o Solimões nas proximidades de Manaus.
Segundo Gondim, a seca dos rios amazônicos interfere diretamente no cotidiano de quem vive na Amazônia. “Os rios da região têm papel fundamental para o transporte de cargas e passageiros, além do abastecimento de alimentos, medicamentos e combustíveis. Essa população também tem que percorrer grandes distâncias para obter água de boa qualidade, porque, com a estiagem, a água de grande parte dos rios fica imprópria para consumo humano”, afirma.
Situação de outras bacias
Rio Solimões/Amazonas
As estações localizadas em Parintins, Itapeuá e Careiro (AM) registraram níveis abaixo das vazantes históricas, que aconteceram respectivamente em 1997, 1998 e 1997, e o fenômeno permanece nas localidades. Em Tabatinga (AM), o Rio Solimões chegou ao seu menor nível já registrado, mas está em elevação desde 12 de outubro.
Rio Purus
Em Boca do Acre (AM), o Purus apresentou nível estável na última semana, acima 68 cm da menor cota já registrada no local: 3,49 metros, em 1998. Já em Rio Branco (AC), o nível está em declínio e 46 cm acima da maior vazante.
Rio Japurá
O Japurá registrou uma cota de 7,18 metros, em 19 de outubro, no município de Vila Bittencourt (AM) – nível 1,72 metros inferior ao medido no mesmo período do ano passado.
Rio Juruá
Após subida de 1,38 metros desde 13 de agosto, o nível d’água baixou 22 cm na última semana em Eirunepé (AM).
Rio Javari
No caso do Javari, em Palmeiras do Javari (AM), a cota chegou a 6,21 metros no último dia 20. O valor está 2,77 metros abaixo do registrado na mesma data do ano passado.
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