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Meio ambiente

Cobertura vegetal reduz custo de tratamento da água, revela estudo

por Portal Brasil publicado: 08/06/2011 17h17 última modificação: 28/07/2014 12h55

A manutenção da cobertura florestal em bacias hidrográficas contribui para a redução dos custos de tratamento da água para abastecimento público. A conclusão consta do estudo “Contribuição das Unidades de Conservação para a Economia Nacional”, lançado na terça-feira (7) e coordenado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). 

As três áreas do estado de São Paulo, incluídas no levantamento, cujos custos com produtos químicos são mais baixos, inferiores a R$ 20,00/1000³ de água tratada (Rio Cotia, Sistema Cantareira e Analândia), são as que possuem maiores índices de cobertura florestal, superiores a 15%. 

Por outro lado, o custo do tratamento das águas (com produtos químicos e energia elétrica da Estação de Tratamento de Água para 1.000³ de água) do Rio Piracicaba é 12,7 vezes superior ao custo de tratamento das águas do Sistema Cantareira. A bacia de abastecimento do Sistema Cantareira mantém 27,2% de sua área com cobertura florestal e a bacia do Piracicaba, apenas 4,3%. 

O estudo revela que cerca de 34,7% do volume anual não sazonal de captação de água são provenientes de fontes de captação localizadas dentro ou a jusante de unidades de conservação federais. 

Sob a coordenação técnica do economista Carlos Eduardo Frickmann Young, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e do biólogo Rodrigo Medeiros, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), o trabalho revela que, se exploradas adequadamente, as 310 unidades federais de conservação do País que cobrem cerca de 15% do território, podem gerar pelo menos R$ 5 bilhões em produtos e serviços florestais e renda para as comunidades locais, valor que ultrapassa os recursos destinados para a manutenção dessas áreas. 

O cálculo considera o potencial econômico de uma seleção de produtos florestais, de turismo, estoque de carbono conservado, água e a repartição de receitas tributárias proporcionadas pelas unidades de conservação.  

“Tradicionalmente os custos com conservação são vistos como gastos e não como oportunidades. Muitos setores assumem que a contribuição dos investimentos em conservação tem impacto zero na economia, e isso nos derrota em discussões como a do Código Florestal”, disse o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias. 

Com relação ao potencial hídrico, o estudo revela que dos 1.164 empreendimentos de geração de energia hidrelétrica, incluindo outorgados e em construção, com informações disponíveis, 447, ou 38,4%, estão localizadas a jusante de unidades de conservação federais.  Além disso, dos 120,6 GW (gigawatts) provenientes de fontes hidrelétricas em operação, construção e outorgadas, 96,9 GW, ou 80,3%, são gerados por fontes hidrelétricas situadas a jusante de unidades de conservação federais, recebendo contribuição destas através do rio principal ou de seus tributários. 

As unidades de conservação federais contribuem ainda para a proteção de cerca de 4% da água utilizada para a agricultura e irrigação. 

Do volume total não sazonal de captação água, cerca de 12 bilhões de m³, aproximadamente 463 milhões m³ são captados dentro ou a jusante de unidade de conservação. 

De acordo com Young, para avaliar a contribuição das unidades de conservação na produção e conservação dos recursos hídricos, foram analisados três importantes usos: geração de energia, abastecimento humano e irrigação. Faltam, porém, dados disponíveis para aprofundar os estudos com relação à água. 

 

Fonte:
Agência Nacional de Águas

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