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Meio Ambiente

Expedição mapeia biodiversidade no norte da Amazônia

Áreas protegidas

Missão no baixo rio Branco, em Roraima, registrou mais de 340 espécies de aves e 40 espécies de lagartos, serpentes e anfíbios
por Portal Brasil publicado: 06/11/2013 16h05 última modificação: 29/07/2014 23h55

Censos e capturas de aves, répteis e anfíbios, marcação, medição e identificação de árvores, em uma série de pontos das florestas de várzea ao longo de 400 quilômetros no baixo rio Branco, no sul de Roraima, um dos maiores rios da Amazônia, foram realizados durante uma expedição entre os dias 30 de setembro e 23 de outubro. A ação foi realizada por pesquisadores e estudantes das universidades federais de Roraima (UFRR), de Pernambuco (UFPE), do Amazonas (Ufam), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Apoiada pelo Parque Nacional do Viruá, unidade de conservação federal referência de conhecimento da biodiversidade na região, a expedição teve o objetivo de inventariar sistematicamente as plantas, aves e anfíbios no baixo rio Branco. Os inventários também incluíram as estações ecológicas de Niquiá e Caracaraí. A equipe foi liderada por Luciano Naka, da UFPE, e contou com a participação de Thiago Orsi Laranjeiras, analista ambiental do Parque Nacional do Viruá.

Ao todo, foram registradas mais de 340 espécies de aves e 40 espécies de lagartos, serpentes e anfíbios. Além disso, foram observadas sete espécies de primatas, vários grupos de ariranhas, uma onça-pintada e os sempre presentes botos-rosa e tucuxi. Os registros incluem gravação das vocalizações e fotografias, que irão compor guias de identificação para turistas e estudantes.

Entre os destaques estão 15 espécies de aves ameaçadas de extinção, como o pato-corredor (Neochen jubata) e o gavião-real (Harpia harpyja), cinco desconhecidas no estado de Roraima, como o arapaçu-beija-flor (Campylorhamphus trochilirostris) e o gavião-do-igapó (Rosthramus hamatus), e possíveis táxons novos para a ciência. "As florestas de várzea do baixo rio Branco, previamente inexploradas, estão isoladas das do Solimões-Amazonas pelos igapós do rio Negro. Com isso, várias aves especialistas nas várzeas apresentam população isolada no rio Branco; o que é um 'prato cheio' para especialização", esclarece Mário Cohn-Haft, curador da Coleção de Aves do Inpa.

Resultados e próximos passos

Os resultados vão descrever os padrões de distribuição geográfica da fauna e flora na região. "As análises preliminares dos dados já indicam que a comunidade de aves ao longo do rio não é homogênea, com forte modificação em um trecho intermediário do rio, entre a Serra Grande e as Corredeiras do Bem-Querer", explica Alice Plaskievicz, que defendeu sua dissertação de mestrado com o tema no programa de Recursos Naturais na UFRR. "O mesmo parece acontecer com os anfíbios", comenta Priscila Azarak, bolsista da Ufam, ao citar que encontrou certas espécies apenas em alguns pontos do rio.

Os próximos passos incluem verificar se as modificações nas comunidades animais acompanham alterações na estrutura e composição da vegetação. "Cerca de 1.500 árvores de aproximadamente 100 espécies foram marcadas e medidas", quantifica Carolina Castilho, da Embrapa-RR, líder da equipe de plantas. "Foi interessante perceber que algumas fisionomias de várzea não estão nas margens, mas sim nas ilhas, o que é diferente do padrão em outros rios de água branca na Amazônia", completou.

Todos os dados coletados formarão uma base científica minuciosa para avaliar os impactos de futuros empreendimentos hidroelétricos na bacia do rio Branco. Apesar dos planos de pelo menos quatro barragens na região, ainda há pouca informação que ajude a avaliar e decidir sobre as alternativas mais sustentáveis e menos impactantes para o aproveitamento hidroelétrico em Roraima. "As ilhas fluviais, com uma comunidade exclusiva de aves, parecem ser o ambiente mais vulnerável às alterações do fluxo de água e da dinâmica de sedimentação nos rios", salienta Luciano Naka. "Agora temos um bom ponto de partida para avaliar os impactos sobre as unidades de conservação na região", complementa Renata Bocorny, analista ambiental do Parque Nacional do Viruá, que cita as parcerias institucionais como bom caminho para a efetivação das unidades de conservação na Amazônia.

A expedição teve financiamento da Fundação O Boticário, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Estadual do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Roraima (Femarh), além de apoio logístico da Fundação Ajuri e do Parque Nacional do Viruá, gerido pelo ICMBio e que conta com o apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).

Fonte:
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

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