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Cultura

Artista plástico debate no Rio série de obras sobre colônias submersas

Obras subaquáticas

Iniciativa tem parcerias com pescadores do Rio, com o Museu da Ciência de Olinda e com jovens da comunidade dos manguezais, em Recife
por Portal Brasil publicado: 23/04/2014 19h09 última modificação: 30/07/2014 03h14

Na próxima quinta-feira (24), das 19h às 21h, a cidade do Rio de Janeiro recebe o artista plástico Paulo Paes para um bate-papo sobre sua série de obras subaquáticas "Fisálias, continentes flutuantes". A série é desenvolvida e pesquisada por meio do projeto Colônias Submersas, contemplado no edital Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais /2012. O encontro será no Salão Nobre da Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage.

As “Fisálias” são estruturas instaladas nas águas do mar e em e manguezais, feitas de garrafas pet, plástico, e de outros materiais. Organismos atraídos natural e aleatoriamente pelos artefatos compõem suas formas. Elas filtram a água e servem de abrigo para pequenos animais – como ocorre, por exemplo, nos recifes de coral. Supervisionado por biólogos, o projeto tem uma significação ecológica, além da dimensão artística – ele se insere no que se costuma chamar de “campo ampliado” da arte contemporânea.

A iniciativa somou parcerias com pescadores do Rio; em Pernambuco, com o Museu da Ciência de Olinda, e com jovens da comunidade dos manguezais, em Recife, com incentivo da Secretaria Municipal de Cultura; e com o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, em Cabo Frio (RJ).

O trabalho consiste na construção e numa séries de intervenções nas Fisálias, da parte do artista e de seus colaboradores. Paulo Paes comenta que os processos biológicos naturais aleatórios dos organismos marinhos termina por integrar a obra ao meio. “Isso promove uma intensa colonização nas estruturas, o que as torna esculturas vivas. Elas se transformam de acordo com os ciclos naturais”, define.

Segundo o artista, a obra “cria um ponto de atração e fixação de vida”. O acompanhamento das mudanças do ambiente e o desenvolvimento contínuo de soluções, exigido pela vida marinha e pelo próprio meio, com suas instabilidades naturais, criaram rotinas intervenções e registros. Estas, por sua vez, geraram imagens e informações, na forma de textos, fotos, vídeos e desenhos, além de novos objetos, feitos em escala reduzida.

O autor diz, ainda, que a obra explora o ponto de ligação entre os processos naturais e as estruturas artificiais, “como espaço criativo”, transformando o próprio ecossistema em protagonista de uma ação cultural. “Ela abre uma discussão acerca das formas de nos relacionarmos com o meio ambiente e a história, numa perspectiva ética, que reconhece a dimensão temporal das ações humanas e a mobilidade de suas soluções adaptativas”, propõe Paulo.

Debate e site

“O principal produto de uma rotina será sempre ela própria. Mas seu exercício gera uma cultura material e outra imaterial”, argumenta o artista. Ele acrescenta que a cultura material criada seria toda ferramenta e equipamento criado para atender às demandas da ação. “No meu caso vai da embarcação ao vestuário passando pelas próprias Fisálias”.

Já a cultura imaterial estaria no discurso que as rotinas geram. “Ele é produzido por elas e com elas. Não houve discurso prévio, mas o que foi construído durante as ações, através de seu registro, em multimeios”.

Essas informações foram reunidas e estão sendo publicadas no site, que será lançado no Parque Lage, criado e desenvolvido por Marcus Wagner. São fotos, vídeos, relatórios, diagramas, desenhos, manuais, mapas e links – ou seja, um banco de dados, com gerenciador de conteúdo e mecanismo de busca. Marcus explica que o site é organizado em torno de duas linhas: a “estática”, reúne as etapas/experiências anteriores do projeto, já encerradas; a outra, a “dinâmica” – a principal – será alimentada por experiências atuais.

Com os recursos da Bolsa Funarte de Estímulo à Produção em Artes Visuais, Paulo Paes desenvolveu mais três frentes de trabalho, além do site na internet: um roteiro de locais com artefatos subaquáticos, na região costeira do litoral do Rio de Janeiro; um programa de acesso, monitoramento e manutenção dos sítios, que será cumprido pelo artista e registrado em relatórios, que serão publicados no site; e um programa de registro em multimeios de todas as operações envolvidas na pesquisa, bem como do processo de colonização dos artefatos pelos organismos marinhos, também para veiculação no site.

 

Fonte: 
Fundação Nacional de Artes

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