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Meio Ambiente

Reserva extrativista promove o uso sustentável dos recursos naturais

Unidade de Conservação

Plano de manejo da resex marinha Caeté-Taperaçu, em Bragança (PA), prioriza o conhecimento tradicional da comunidade local
por Portal Brasil publicado: 19/04/2014 13h59 última modificação: 30/07/2014 03h14

Em 2013, a Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu, em Bragança, litoral do Pará teve seu Plano de Manejo aprovado e começando a vigorar. Como Resex Marinha, os principais recursos naturais utilizados pelos extrativistas são provenientes dos ecossistemas do manguezal, restingas, praias, ilhas costeiras, estuários, igarapés e campos naturais.

Segundo o chefe da Resex Caeté-Taperaçu, Fernando Repinaldo Filho, as comunidades detêm ainda um amplo e rico conhecimento tradicional sobre os recursos naturais, ecossistemas e sobre as causas e efeitos da interação do homem com esses elementos. "No Plano de Manejo da Resex, houve o apontamento e priorização de programa de conhecimento que reconheça e identifique o conhecimento tradicional dessas comunidades, de forma a subsidiar o ordenamento dos recursos, e o reconhecimento e proteção de tal patrimônio cultural junto a outras políticas públicas", informou o chefe da reserva.

Mesmo a reserva estando inserida no município de Bragança - o mais antigo do Pará e que mantém diversas tradições que atraem turistas e visitantes – o turismo de base comunitária ainda não está organizado lá. "Quanto ao potencial turístico, este é enorme. A área da Resex abriga diversos sistemas de pesca, ninhais de aves como guarás, colhereiras; além de diversas e belíssimas praias e ilhas. Há a previsão no Plano de Manejo da reserva em desenvolver programas com tal finalidade para área zoneada chamada de zona prioritária para o turismo sustentável", destacou Fernando.

Cadeia sustentável na Resex Caeté-Taperaçu

Das florestas de mangue, por exemplo, são extraídos o caranguejo-uçá – a fonte de alimento e renda de quase duas mil famílias envolvidas em atividades que vão da captura ao beneficiamento. A extração de madeira dos manguezais também ocorre, só que de maneia seletiva e mediante autorização, com foco na confecção dos petrechos, ranchos de pesca (residência temporária dos pescadores), e lenha (parte seca das árvores coletadas).

Das árvores do mangue são utilizadas ainda diferentes partes da planta com finalidades medicinais. Das árvores mortas são ainda explorados o turu, um molusco com aparência vermiforme, muito apreciado e prestigiado pelo seu sabor e suas propriedades terapêuticas. São exploradas, ainda, coméias nativas para extração de mel.

Já das matas de restinga são explorados diversos frutos e sementes, tais como: caju, ajiru, babaçu, muruci, bacuri, coco entre outros, além do uso seletivo da madeira também.

Nos rios da região, onde mais de 60 espécies de peixe são explorados economicamente, além de seus estuários, campos salinos, praias e ilhas são desenvolvidas diversas técnicas de pesca tradicional, com redes-de-emalhe, espinhéis (várias linhas com anzóis), armadilhas como o muzuá e curral-de-pesca.

A comunidade extrativista se envolve em diferentes modos de produção, tais como o repasse a atravessadores/ marreteiros fixos, até a venda direta ao mercado consumidor mais próximo (Bragança/PA).

Também são feitas trocas entre produtos da pesca por produtos da agricultura familiar, além da produção de artesanatos com resíduos e matérias-primas do manguezal. Outra atividade importante é o beneficiamento de alguns recursos, como peixes, caranguejos e moluscos (sururu e mexilhão), mas ainda no início.

Diferente das Resex do Lago Cuniã e Tapajós-arapiuns, abordadas em reportagem anterior, Caeté-Taperaçu possui pouquíssimos extrativistas inseridos em organizações produtivas formais. A quase totalidade da produção é estabelecida com atravessadores/ marreteiros, que dominam e controlam a destinação da produção.

Sustentabilidade em Unidades de Conservação

Nas Unidades de Conservação federais do grupo 'Uso Sustentável' que possuem populações tradicionais em seu interior, tais como Reservas Extrativistas, Florestas Nacionais e Reservas de Desenvolvimento Sustentável, é permitido o uso sustentável dos recursos naturais pelas comunidades. Tratam-se de atividades que se constituem em fontes alternativas de renda, trabalhadas dentro de preceitos sustentáveis e envolvendo a gestão participativa dessas populações.

Cabe ressaltar que, na região conhecida como “Salgado Paraense” compreende as Reservas Extrativistas Mãe Grande de Curuçá, São João da Ponta, Caeté-Taperaçu, Tracuateua, Araí Peroba, Gurupi-Piriá, Chocoaré-Mato Grosso e Soure, predomina, entre as populações tradicionais, a atividade de artesanato, associada à pesca artesanal e à cata do caranguejo.

Confira outras informações neste portal, dentro das páginas da Resex Mãe Grande de CuruçáResex São João da Ponta,Resex Caeté-TaperaçuResex Tracuateua, Resex Araí PerobaResex Gurupi-PiriáResex Chocoaré-Mato Grosso e Resex Soure.

Fonte:
ICMBio

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