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Meio Ambiente

Ararinha-azul mais velha do mundo morre aos 40 anos

Extinção

Animal era símbolo da conservação da espécie e dos problemas provocados pelo tráfico ilegal de animais silvestres
publicado: 02/07/2014 12h16 última modificação: 02/07/2014 12h16

Presley, o macho de ararinha-azul mais velho do mundo, morreu aos 40 anos na última quarta-feira (25). O animal era um ícone da conservação da espécie e dos problemas enfrentados por muitas outras espécies que são alvo do tráfico de animais, atividade criminosa que todo ano captura cerca de 38 milhões de exemplares apenas no Brasil. 

"Ele era um dos últimos indivíduos do ambiente natural. Como essa espécie é extinta na natureza, existem poucas matrizes para reprodução. Ele é muito valioso para ampliar a diversidade genética e evitar os cruzamentos entre aparentados", explica Patrícia Serafini, analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisas e Conservação das Aves Silvestres (Cemave/ICMBio).

A morte de Presley é uma oportunidade para refletir sobre a importância da conservação da espécie e conscientizar a sociedade sobre o tráfico de animais. Animais silvestres são vendidos ilegalmente, muitas vezes por valores irrisórios, colocando em risco a existência das espécies. Depois, centenas de milhões de reais são gastos pelo governo e instituições privadas para evitar a extinção, nem sempre com sucesso.

História

Presley foi retirado ilegalmente da natureza por traficantes de animais silvestres, em 1984, e vendido como animal de estimação nos Estados Unidos. Através de iniciativas oficiais de conservação da espécie, Presley retornou ao Brasil em 2002.

Na Fundação Lymington, onde viveu por quase dez anos, foram feitas várias tentativas de reproduzi-lo em cativeiro, sem sucesso. Ano passado, o nascimento de filhotes por técnicas assistidas de fertilização sinalizou o potencial e o êxito da inseminação artificial em outros espécimes de ararinha-azul. 

Em março de 2014, especialistas da Universidade de Giessen (Alemanha) colheram sêmen de Presley por eletroejaculação. Porém, os espermatozoides apresentaram aspectos negativos, morfológicos e de motilidade, consequência dos problemas cardíacos e idade avançada da ave. 

Presley permaneceu na Fundação até ser internado no Hospital Veterinário da Unesp de Botucatu, em 20 de junho, porque não se alimentava mais sozinho. Lá, ficou sob cuidados veterinários de alta qualidade até o dia de sua morte. 

A necropsia foi realizada no Laboratório de Patologia Comparada de Animais Selvagens (Lapcom), da Universidade de São Paulo, e as células germinativas (conservação de germoplasma) da ave foram preservadas para serem transplantadas em outro macho, que passaria a produzir o esperma de Presley. Esta técnica já foi realizada em outros grupos de aves e é a última tentativa para incorporar o material genético desta ave no grupo das ararinhas-azuis em cativeiro atualmente.

Ararinha na Natureza 

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) faz parte do Projeto Ararinha na Natureza, iniciativa que reúne dezenas de instituições públicas e privadas, para a conservação das ararinhas-azuis. 

Fonte:
ICMBio

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