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Meio Ambiente

Organizações lançam campanha pela conservação dos botos

Fauna brasileira

Cerca de 2.500 botos são mortos por ano na Amazônia. Pesquisadores alertam para risco de extinção do animal
por Portal Brasil publicado: 21/07/2014 11h46 última modificação: 22/07/2014 14h16
O boto-vermelho (Inia geoffrensis) é comumente usado omo isca na pesca da piracatinga, no Brasil comercializada como “douradinha”

O boto-vermelho (Inia geoffrensis) é comumente usado omo isca na pesca da piracatinga, no Brasil comercializada como “douradinha”

A Campanha Alerta Vermelho, lançada oficialmente neste domingo (20), pretende arrecar fundos em prol da preservação dos botos na Amazônia. A intenção da iniciativa é combater as atividades ilegais de caça e pesca, por meio do engajamento e participação ativa das pessoas, dentro e fora da região Amazônica.

O boto-vermelho (Inia geoffrensis) é utilizado como isca na pesca da piracatinga, que no Brasil é comercializado com o nome fantasia de “douradinha”. Estima-se que cerca de 2.500 botos são mortos todo ano, em determinadas regiões da Amazônia.

“A matança de botos para uso como isca na pesca da piracatinga chegou a limites insustentáveis. O boto-vermelho é um patrimônio Amazônico. Para aumentar o conhecimento das espécies envolvidas, apoiar as ações de fiscalização e promover a conservação desses magníficos animais, o engajamento e a participação da sociedade como um todo é imprescindível. O Alerta Vermelho convoca todos os seguimentos da sociedade para não permitir que o boto se torne apenas uma lenda”, declarou a chefe do Laboratório de Mamíferos Aquáticos do Inpa/MCTI, Dra. Vera da Silva.

Pesquisadores apontam que se o volume da piracatinga no mercado brasileiro continuar aumentando, e o boto ser a principal isca, esse golfinho poderá desaparecer em um futuro bem próximo.

A campanha Alerta Vermelho é uma parceria entre as organizações Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e também propõem apoio a projetos de turismo sustentável com os botos e alternativas de fomentar a pesquisa.

Neste último domingo, o programa Fantástico da Rede Globo veiculou reportagem de mais de 10 minutos sobre a matança dos animais na região.

Medida oficial

Nesta segunda (21), medida publicada Diário Oficial da União pelo Ministérios da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente proíbe a pesca da piracatinga em todo o território nacional por cinco anos. O objetivo é reduzir a matança de botos e jacarés, usados como isca para atrair cardumes de piracatinga.

A moratória, que começa a valer a partir de janeiro de 2015, abrange a pesca, a retenção a bordo, o transbordo, o desembarque, o armazenamento, o transporte, o beneficiamento e a comercialização da piracatinga (Calophysus macropterus). Por outro lado, a pesca de até 5 kg do peixe para fins únicos de alimentação do pescador e sua família ainda será permitida. 

Segundo o texto, os ministérios ficarão responsáveis por realizar estudos e avaliações, com objetivo de identificar técnicas e métodos ou alternativas produtivas ambiental, econômico e socialmente viáveis e sustentáveis para o exercício e controle da atividade pesqueira da espécie.

Saiba mais

O boto-vermelho  é o maior dos golfinhos de água doce do mundo. Os machos podem atingir até 2,5 m de comprimento e pesar 180 kg. As fêmeas atingem mais de 2,10 m e 100 kg de peso. Os filhotes nascem cinza, e tornam-se rosados com a idade. Machos adultos são mais rosados do que as fêmeas devido ao maior porte e pela intensa abrasão na pele causada por brigas intraespecificas. As nadadeiras peitorais são grandes e largas, e a nadadeira dorsal é longa e baixa.

Segundo informações da Ampa, a espécie é encontrada em todos os tipos de rios (água preta, branca e clara), nas bacias dos rios Amazonas, Orinoco e Beni/Mamoré. Alimenta-se principalmente de peixes e são geralmente solitários.

Além a importante ameaçada por ser utilizado com isca na pesca da piracatinga, a principal causa de mortalidade é a captura acidental nas redes de pesca. Mortes intencionais por pescadores acontecem eventualmente devido ao comportamento da espécie em retirar peixes das redes, causando estragos aos petrechos de pesca.

A destruição e alteração do ambiente pelo aumento das populações humanas, a contaminação dos rios por agrotóxicos e o uso de mercúrio nos garimpos para extração do ouro, também ameaçam este golfinho.

Fontes:
Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia
Diário Oficial da União
Associação Amigos do Peixe-Boi

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