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Meio Ambiente

Reserva de Mata Atlântica é sítio do Patrimônio Natural Mundial

Áreas Protegidas

Região entre São Paulo e Paraná também é reconhecida como Reserva da Biosfera pela Unesco por seus bens étnico-culturais
publicado: 14/07/2014 17h29 última modificação: 14/07/2014 17h29
Divulgação/ ICMBio Existem duas entradas principais para o Parna do Superagui, uma pela Comunidade da Barra do Superagüi e outra pela Comunidade de Vila das Peças

Existem duas entradas principais para o Parna do Superagui, uma pela Comunidade da Barra do Superagüi e outra pela Comunidade de Vila das Peças

O trecho da Mata Atlântica que se inicia na Serra da Jureia (Iguape - SP) e vai até a Ilha do Mel (Paranaguá - PR) foi declarado Reserva da Biosfera, pela Unesco, em 1991. Localizada entre as latitudes de 24º 10’ e 25º 40’ Sul e as longitudes 46º 50’ e 48º 44’ Oeste, a área, cuja altitude varia de 0 a 1,4 mil metros, também recebeu o título de sítio ido Patrimônio Natural Mundial da organização, em 1999.

Os Sítios do Patrimônio Mundial Natural protegem áreas consideradas excepcionais do ponto de vista da diversidade biológica e da paisagem. Neles, a proteção ao ambiente, do patrimônio arqueológico, o respeito à diversidade cultural e às populações tradicionais são objeto de atenção especial. Os Sítios geram, além de benefícios à natureza, uma importante fonte de renda oriunda do desenvolvimento do ecoturismo.

Histórico

A Mata Atlântica, que se estendia por 17 estados brasileiros, correspondia a aproximadamente 1,3 milhão de quilômetros quadrados ou 15% do território nacional. Após 500 anos de ocupação, a área ficou reduzida a 95 mil quilômetros quadrados, ou seja, 7,3% da original.

Logo depois do descobrimento, iniciou-se à exploração intensiva e desordenada da floresta, sendo que o pau-brasil foi o principal alvo de extração e exportação dos exploradores que colonizaram a região. O primeiro contrato comercial para a exploração do pau-brasil foi feito em 1502, o que levou o Brasil a ser conhecido como Terra Brasilis, ligando o nome do país à exploração dessa madeira avermelhada como brasa. Outras madeiras de valor também foram extraídas até a quase extinção: tapinhoã, sucupira, canela, canjarana, jacarandá, araribá, pequi, jenipaparana, peroba, urucurana e vinhático.

No Nordeste brasileiro, a extinção quase total da vegetação, deve-se principalmente a monocultura da cana-de-açúcar, o que agravou as condições de sobrevivência da população, causando pobreza e êxodo rural.

Na região Sudeste, a cultura do café foi a principal responsável pela destruição da vegetação nativa, restando uma área muito pequena para a preservação de espécies, algumas em risco devido à poluição ocasionada pela emissão industrial de agentes nocivos.

Na região Sul, a exploração predatória da Mata Atlântica devastou o ecossistema da floresta de Araucárias devido ao valor comercial da madeira extraída dos pinheiros. A paisagem é caracterizada por montanhas isoladas e rios em vales profundos. O relevo é acidentado, com escarpas que, por serem paralelas à costa do oceano Atlântico, recebem o nome de Serra do Mar.

As áreas remanescentes da Mata Atlântica, localizadas nas serras do Mar e da Mantiqueira, caracterizam-se pela vegetação exuberante, com acentuado higrofitismo. As florestas atlânticas, ecossistemas que apresentam árvores com folhas largas e perenes, com exemplares que chegam a atingir 50 metros de altura, e grande diversidade de briófitas, cipós e epífitas, como bromélias e orquídeas.

A fauna endêmica é formada principalmente por anfíbios, mamíferos e aves das mais diversas espécies. A vida é muito intensa no estrato alto, nas copas das árvores, que se tocam formando uma camada contínua. Essa cobertura gera uma região de sombra que, por sua vez, cria o microclima típico da mata, sempre úmido e sombreado. Dessa forma, há uma estratificação da vegetação, criando diferentes habitats para a diversificada fauna.

Biodiversidade

A biodiversidade da Mata Atlântica é semelhante à da Amazônia, havendo subdivisões do bioma em diversos ecossistemas devido a variações de latitude e altitude. São 250 espécies de mamíferos, 1020 de pássaros, 197 de répteis, 340 de anfíbios e 350 de peixes que integram até hoje o bioma, sem contar os insetos, e demais invertebrados, e, ainda, as espécies não descobertas pela ciência que podem habitar os trechos intactos de floresta.

Outro número impressionante da fauna da Mata Atlântica refere-se ao endemismo: das 1.711 espécies de vertebrados que ali vivem, 700 são endêmicos, sendo 55 de mamíferos, 188 de aves, 60 de répteis, 90 de anfíbios e 133 de peixes. Essas características a tornam o ecossistema bioma de maior biodiversidade na face da Terra.

Por outro lado, em um bioma reduzido a cerca de 7% de sua cobertura original, é inevitável que a diversidade faunística esteja pressionada pelas atividades humanas. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Mata Atlântica abriga hoje 383 dos 633 animais ameaçados de extinção no Brasil.

Reserva da Biosfera

A inclusão da Mata Atlântica na Reserva da Biosfera pela Unesco tem por objetivo estimular a preservação das florestas primárias e garantir a existência do seu patrimônio étnico e cultural, representado especialmente, pelas comunidades indígenas que habitam o entorno da área protegida. Essas comunidades convivem, há séculos, em plena harmonia com o meio ambiente, servindo-se deste sem destruí-lo.

Seus conhecimentos sobre madeiras e plantas medicinais, técnicas artesanais e manifestações rituais e artísticas, que dependem dos recursos naturais, ficarão ameaçados se estes desaparecerem.

Nas proximidades do centro histórico de Iporanga, os habitantes de um quilombo preservam seus usos, costumes e a língua nativa. Além do valor étnico e cultural, a região abriga mais de 50 sítios arqueológicos e a primeira cidade brasileira, São Vicente, fundada por Martim Afonso de Souza, em 1532.

Parque Nacional do Superagui

Parque Nacional do Superagui está localizado no litoral norte do estado do Paraná, no município de Guaraqueçaba. O Parque foi criado em 1989 e ampliado em 1997, passando a ter 33.988,00 ha, abrangendo outras áreas insulares e também uma área continental, o Vale do Rio dos Patos.

No Parque podem ser encontradas espécies ameaçadas de extinção, como o mico-leão-da-cara-preta (Leontopithecus caissara), papagaio-da-cara-roxa ou chauá (Amazona brasiliensis), suçuarana (Felis concolor) e bugio (Alouatta fusca). Além de Sítio do Patrimônio Natural e Reserva da Biosfera, segundo a Unesco, a área é Patrimônio Natural e Histórico do Paraná (Paraná, 1970).

O reconhecimento da ilha de Superagüi como patrimônio natural e histórico não é recente. Já em 1970, Superagüi foi inscrita sob o n° 27 no Livro de Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico da Divisão do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Paraná.

As populações existentes na área do Parque e de seu entorno são chamadas de caiçaras, resultado da miscigenação entre índios, negros, colonos portugueses.

Principais atrativos

  • Praia Deserta da Ilha do Superagui e Comunidade da Barra do Superagui: possui 38 km de praias virgens, podendo ser visitada a pé ou de bicicleta. Na comunidade durante as férias e feriados acontecem apresentações de fandango no Bar Akdov;
  • Trilha da Praia Deserta da Ilha do Superagui: com duração de 1 hora e 30 minutos e de dificuldade moderada. Requer cuidado, pois algumas passarelas estão destruídas, obrigando a passagem por dentro dos córregos.
  • Quando chove o caminho pode ficar alagado. Recomenda-se o uso de repelente de insetos e roupas claras. Possibilidade de observação da vegetação (restinga baixa e alta, bromélias e orquídeas) e ocasionalmente do mico-leão-da-cara-preta. Ressalta-se que é proibido alimentar os animais;
  • Baía do rio das Peças, Praia Deserta da Ilha das Peças e Vila das Peças: ponto de concentração de botos, principalmente mães com filhotes, praia virgem com 7 km de extensão com vista para a Ilha do Mel;
  • Ilhas Pinheiro e Pinheirinho: a grande atração da Ilha do Pinheiro são as revoadas dos bandos do raro papagaio-da-cara-roxa ao entardecer;
  • Roteiro Lagamar: Observar paisagem, canal do Varadouro, localidade do Abacateiro que é um museu vivo da Cultura do Fandango, Ararapira Velha (proibido desembarcar e acampar no local em razão de danos ao patrimônio histórico), igreja antiga - colonização, Barra do Ararapira e tradicional uso da folha da cataia em aguardente.

Fontes:
Iphan
ICMBio

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