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Meio Ambiente

Morre aos 90 anos almirante Ibsen, pioneiro do ambientalismo no Brasil

1924-2014

Cientista autodidata é coautor de 20 livros sobre conservação da fauna e flora dos biomas Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia
publicado: 01/08/2014 18h24 última modificação: 01/08/2014 18h24

O País perdeu um dos maiores defensores do meio ambiente brasileiro. O almirante Ibsen de Gusmão Câmara morreu, aos 90 anos, nesta quinta-feira (31), e o sepultamento ocorreu nesta sexta-feira (1), no Rio de Janeiro. Pioneiro na inclusão da agenda ambiental no processo de desenvolvimento econômico do Brasil, o oficial da Marinha do Brasil foi um dos principais atuantes na lei sancionada em 1989 que proibiu a caça às baleias e a criação de unidades de conservação em todo o território nacional.

Em dezembro de 2013, o almirante foi homenageado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), durante evento no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em reconhecimento à sua trajetória de luta e preservação. “O almirante Ibsen é pioneiro no ambientalismo no Brasil”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, à época do evento.

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Roberto Vizentin, também lamentou o falecimento de Ibsen e ressaltou os resultados da luta do almirante em prol da natureza serão expressados em um futuro próximo.

"É que cada vez mais a humanidade se dá conta de que a proteção da natureza tem um valor intrínseco, para além de qualquer dimensão ideológica ou regimes de governo. E era nisso que residia a essência do pensamento e ação de vanguarda do almirante: não existe perspectiva histórica fora da relação de comunhão entre homem e natureza", destacou Vizentin.

Trajetória

Nascido no Rio em 19 de dezembro de 1923, o ambientalista também desempenhou papel de destaque na adoção de áreas protegidas pelo País. Participou do processo de criação de unidades de conservação (UCs) marinhas como o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, entre 1987 e 1988, e a Reserva Biológica Atol das Rocas, criada em 1979. Militou, ainda, pelo estabelecimento de áreas de proteção na região amazônica.

O ambientalista também liderou a campanha contra a caça de baleias no Brasil e é considerado como um dos maiores defensores que a natureza já teve. "Difícil ter pessoa desse quilate no cenário ambiental", ressaltou a analista ambiental Maria Iolita Bampi, da Diretoria de Planejamento, Administração e Logística (Diplan/ICMBio).

Na Marinha do Brasil, o oficial trabalhou, da forma que pôde, dentro do governo militar, para tentar conter o desenvolvimentismo econômico e alertar para os desastres ambientais. Aposentado em 1981, abraçou a causa ambientalista e foi presidente da Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza. Entrou para o conselho de várias ONGs, fez lobby em favor de leis de proteção ambiental e ajudou a escrever algumas delas. Em dezembro de 2013, o Ministério do Meio Ambiente reconheceu a importância do almirante em cerimônia pela sua luta em defesa às causas ambientais.

Recentemente, o almirante Ibsen fazia parte de cinco sociedades científicas, além de assinar, como coautor, 20 livros sobre conservação da fauna e flora dos biomas Cerrado, Mata atlântica e amazônia. Era um cientista autodidata. Escolheu a carreira na Marinha pela vontade de viajar. Aproveitava o tempo livre nas viagens a trabalho para visitar bibliotecas e museus e estudar paleontologia, fitogeografia e zoologia.

Fonte:
Ministério do Meio Ambiente
ICMBio nstituto Chico Mendes

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