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Meio Ambiente

Seca em áreas urbana e rural tem semelhança, diz especialista

Debate

"É preciso tratar a estiagem da área urbana com a mesma importância que se dá a que atinge os espaços rurais", destaca
por Portal Brasil publicado: 15/08/2014 17h34 última modificação: 15/08/2014 17h34

O 2° Seminário de Desenvolvimento Regional, Estado e Sociedade (Sedres) termina sexta-feira (15), no Centro de Eventos do Garden Hotel, com mesa temática sobre “Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Regional”. Iniciado na última quarta-feira (13), o evento busca ampliar as discussões sobre a diversidade regional brasileira a partir de uma perspectiva mais ampla, funcionando como um espaço para partilhar grandes experiências.

Os problemas causados pela extensão da estiagem nos últimos anos têm afetado além das áreas rurais, principalmente do Semiárido brasileiro, também os espaços urbanos. Essa foi a análise do pesquisador Otamar de Carvalho. O alerta veio após o especialista elencar fatores que levaram a seca a chegar também em áreas de concentração de pessoas, como é o caso dos grandes centros urbanos.

De acordo com Otamar de Carvalho, é preciso tratar a estiagem da área urbana com a mesma importância que se dá a que atinge os espaços rurais. Segundo ele, o avanço da seca em áreas predominantemente populosas, como as das grandes cidades, se dá pela falha em diversos aspectos de projetos que não foram aplicados nas zonas de campo. “Houve falhas nas estruturas locais e regionais, por isso hoje não somos bem atendidos.”

Ainda segundo o especialista em desenvolvimento regional, essa questão deve ser pensada como um processo de mudanças em posição de equilíbrio de um sistema, já que ele pode ser alcançado nas esferas local e regional. Para isso, ele aponta que esse desenvolvimento depende de permanentes esforços, organização e negociação.

“De 1950 a 1980 foram criadas várias instituições que planejaram o combate às secas. Foram pensados programas e planos voltados para o desenvolvimento e muita coisa deu certo. Nas décadas posteriores, até os dias atuais, estamos pensando em uma política de infraestrutura que ainda apresenta dificuldades”, acrescentou apontando momentos históricos. 

Otamar ainda afirmou que países como os Estados Unidos e a Austrália estão buscando saídas para as estiagens em áreas urbanas, assim como já vem acontecendo na Europa, com Portugal, Espanha, Grécia e Itália. Ele sugeriu que o Brasil faça o mesmo, uma pode ser drástico o despreparo em questões de sustentabilidade, como é o caso da água.

“A partir dos resultados que são conquistados nesses locais, o Brasil deveria pensar em perspectivas a partir de estratégias ‘reengenheiradas’ para a reconstrução de entes nacionais, regionais e sub-regionais como eram a Sudene, Sudam, Sudeco, Sudesul, entre outras”, apontou o pesquisador. 

Evento discute diversidade regional em perspectiva 

“A ciência tem se afastado da realidade e se tornado autorreferente. E isso é um risco, já que a realidade caminha para um caminho e a academia, a pesquisa tem ido para um lado diferente. Estamos vivendo um tempo de perguntas fortes, mas de respostas fracas. Nesse encontro, temos a possibilidade de ir ao encontro desse elo perdido. E é nisso que temos que começar a pensar”, propôs o professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Cidoval Morais. 

O vice-reitor da UEPB, Etham Barbosa, destacou na abertura do encontro a necessidade da ampliação das discussões acerca das desigualdades sociais. Ele apontou que existe um potencial muito grande, principalmente nas universidades estaduais, que são as principais formadoras de mão de obra qualificada nas cidades do interior, para que essas diferenças sejam minimizadas a partir das pesquisas acadêmicas.

Também participaram da solenidade de abertura do 2° Seminário de Desenvolvimento Regional, Estado e Sociedade, a secretária nacional de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração, Adriana Alves; Virgínia Pontual, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (Anpur); Rainer Randolf, coordenador da área de Planejamento Urbano da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes); além de Aldrin Martin, coordenador de pesquisa do Instituto Nacional do Semiárido (Insa/MCTI).

Fonte:
Instituto Nacional do Semiárido 

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