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Ciência e Tecnologia

Insa promove ações sobre comunidades quilombolas do Semiárido

Semiárido em Foco

Ações contarão com uma mesa-redonda e exposições de foto, artes plásticas e de desenhos
publicado: 03/12/2014 10h44 última modificação: 03/12/2014 10h45

No Brasil existem cerca de 3.500 comunidades quilombolas. Destas, pouco mais de 2 mil são reconhecidas oficialmente e somente 60 delas conquistaram a posse da terra. Metade das comunidades quilombolas está localizada na região Nordeste.

A realidade das comunidades quilombolas ainda carece de informações sistematizadas que possam subsidiar políticas públicas que propiciem melhores condições de vida à população remanescente.

A Paraíba é pioneira no Brasil na realização de um Censo Demográfico das Comunidades Quilombolas. O Estado conta atualmente com 38 comunidades, sendo que 36 delas receberam certidão de auto reconhecimento da Fundação Palmares. O trabalho é uma parceria do Projeto Cooperar com o Banco Mundial e o resultado está previsto para ser lançado ainda este mês.

Semiárido em Foco

Nesta sexta-feira (5), o Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Unidade de Pesquisa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio do Programa Semiárido em Foco, irá promover diversas ações em torno da temática “Sustentabilidade, Patrimônio e Cultura das Comunidades Remanescentes Quilombolas do Semiárido brasileiro”.

Com objetivo de apresentar um panorama sobre as comunidades quilombolas da Paraíba, com foco nas estratégias de convivência com a realidade do Semiárido, o Insa trará especialistas e lideranças das comunidades para discutir e debater o tema. As atividades estão relacionadas ao Dia da Consciência Negra, ocorrido em 20 de novembro.

Estará aberta a exposição Conceição: negritando suas cores, com desenhos e fotografias produzidos por alunos e professores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que aborda a Comunidade Quilombola de Conceição das Crioulas, em Salgueiro (PE), e a Tela Negros ao Café (em arte sustentável), do artista plástico Marcos Mota.

Dentre os convidados estará o doutor em Filosofia pela Università degli Studi di Milano (Itália), jornalista, historiador e fotógrafo, Alberto Banal, da Associação de Apoio às Comunidades Afrodescendentes (AACADE). Ele abordará a realidade das comunidades quilombolas na Paraíba, as relações com as entidades públicas e a necessidade de que as políticas previstas nos vários programas federais e estaduais sejam efetivamente implantadas.

Para Alberto banal, “a realidade das comunidades quilombolas que residem no Semiárido paraibano é muito difícil por causa da seca, falta de trabalho (cerca de 60% são desempregados), embora eles trabalhem nos roçados, existe pouca terra, ainda têm que arrendar terra aos fazendeiros. As moradias são precárias, muitos ainda vivem em casas de taipa, existem sérios problemas com o acesso à educação, o índice de analfabetismo ainda é alto…”. 

“O Censo das Comunidades Quilombolas faz uma radiografia de tudo que pode ser feito nessas comunidades em termos de possibilidades de investimentos em políticas públicas, não se pode investir apenas em políticas assistenciais, tem que se resolver o principal problema: o do acesso à terra”, ressalta.

A programação também contará com o representante do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Paraíba, Emanuel Oliveira Braga, mestre em antropologia pela UFPB. Ele discutirá o conceito de patrimônio como instrumento político de demarcação de fronteiras étnicas, em particular das comunidades remanescentes de quilombolas.

A Presidente da Associação Quilombola da comunidade Pedra d’Água, município de Ingá (PB), Maria de Lourdes Ferreira dos Santos, e uma representante da Comunidade Quilombola do Grilo, município de Riachão do Bacamarte (PB), Maria de Lourdes Tenório Candido, darão depoimentos sobre suas vivências enquanto lideranças e o papel exercido pela mulher na comunidade.

Dia Mundial do Solo

Na sexta-feira (5) comemora-se o Dia Mundial dos Solos. Em 2015,  será celebrado o Ano Internacional dos Solos. Este recurso natural, fundamental para a manutenção sustentável da vida no planeta, também é matéria-prima utilizada pelas comunidades quilombolas para produção de utensílios de barro.

Sobre isto, a historiadora Rosilene Cassiano, do Insa, especialista em educação para as relações étnico-raciais pela UFCG, irá relatar na mesa-redonda experiências das mulheres quilombolas para manter a tradição de produzir peças artesanais com utilização do barro, alinhando saberes científico e popular em suas práticas de trabalho, como na identificação do solo, a cor e a textura mais adequadas para produzir as peças.

Fonte:

Instituto Nacional do Semiárido

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