Meio Ambiente
Projeto Lixo Eletrônico capacitará catadores em Recife (PE)
Reciclagem
Recife (PE) será a próxima cidade a participar do projeto Lixo Eletrônico. Entre as atividades desenvolvidas, catadores de material reciclável participarão de capacitação para trabalharem com desmonte e venda de lixo eletrônico.
A iniciativa, apoiada pela Caixa, consiste na desmontagem de computadores ultrapassados, teclados, mouses, impressoras, baterias e celulares e posterior revenda. A chegada do projeto de reciclagem do Lixo Eletrônico ao Recife é inovadora na cidade.
Até agora, somente Salvador, São Paulo e Brasília executavam o projeto (são 27 pontos de coletas para que a população descarte corretamente o lixo eletrônico). Em Recife, a cooperativa Pró-Recife receberá capacitação para tratamento dos resíduos eletroeletrônicos no período de 26 a 30 de janeiro pela Fundação Joaquim Nabuco.
Oportunidade
O coordenador da cooperativa Pró-Recife, José Cardoso, afirma que a capacitação para trabalhar com lixo eletrônico vem para atender uma demanda que já existia. “O lixo eletrônico sempre esteve presente na rua porque os aparelhos vão evoluindo e sendo descartados”, diz.
Para ele, além de aumentar a renda dos 26 cooperados, a capacitação vai promover a inclusão. “A ideia não é só ter o dinheiro, é ter uma renda suficiente para eu trazer mais três ou quatro companheiros da rua para a cooperativa. Traremos para legalidade”, explica.
Parcerias
O projeto Lixo Eletrônico é desenvolvido pelo Instituto GEA, de São Paulo - uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que apoia a implantação de programas ambientais -, e recebe o apoio do Fundo Social Ambiental (FSA) da Caixa Econômica Federal.
A presidente do Instituto GEA, Ana Maria Luz, explica que a parceria com a Fundação Joaquim Nabuco foi crucial para levar o projeto a Recife. “Temos esse apoio técnico que continuará mesmo após o projeto terminar”, diz.
Estratégia
“Os catadores vão aprender o que deve ser feito com o material, o que é desmontável, o que não é, e o valor desse material. Eles geralmente não têm essa noção. A sucata metálica é vendida por R$ 0, 20 (quilo) e quando bem separado esse valor vai para R$ 3,50 (o quilo)”, acrescenta.
Animado com a possibilidade de um ganho adicional, o catador José Cardoso ainda não sabe quanto a cooperativa vai lucrar depois da capacitação. “Eu não posso prever, mas espero que dê um resultado positivo”, planeja.
Iniciativa sustentável
O superintendente regional da Caixa em Recife, Paulo Corrêa Nery da Fonseca, ressaltou a importância do projeto. “Você faz a destinação correta para esses materiais nobres que estão nos computadores, gera renda para a população e deixa de contaminar o meio ambiente. É um orgulho para a gente fazer parte desse projeto”, comemorou.
Segundo o Instituto GEA, a reciclagem correta de resíduos eletrônicos ainda é incipiente no Brasil. Apesar da demanda crescer a cada dia, estima-se que a produção do chamado e-lixo atinja, no país, 100 mil toneladas por ano.
“O tratamento desses resíduos da forma adequada é fundamental, pois alguns de seus elementos, como chumbo, mercúrio e cádmio, são tóxicos”, destaca a entidade.
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