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Meio Ambiente

Pesquisadores avaliam biodiversidade de peixes amazônicos

Pesquisa e conservação

Levantamento é realizado na Estação Ecológica Jutaí-Solimões e Reserva Extrativista do Rio Jutaí, oeste do estado do Amazonas
por Portal Brasil publicado: 26/03/2015 15h29 última modificação: 26/03/2015 15h29
Instituto Mamirauá Conhecimento da diversidade biológica de água doce e distribuição dessas espécies são estágios importantes para sua conservação

Conhecimento da diversidade biológica de água doce e distribuição dessas espécies são estágios importantes para sua conservação

O Instituto Mamirauá, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) iniciou uma pesquisa para realizar o levantamento da biodiversidade de peixes na Estação Ecológica (Esec) Jutaí-Solimões e Reserva Extrativista (Resex) do Rio Jutaí, oeste do estado do Amazonas.

Conhecida mundialmente por sua extensa rede hídrica, a bacia Amazônica ocupa uma área total de 6.110.000 km², sendo 63% situada em território brasileiro, de acordo com a Agência Nacional da Águas (ANA). 

Cerca de 21% das espécies de peixes de água doce conhecidas no mundo está no Brasil, de acordo com o "Catálogo das espécies de peixes de água doce do Brasil", publicado pelo Museu Nacional.

E o número estimado para a região Amazônica é de até cinco mil espécies, de acordo com o livro "Estudos ecológicos de comunidades de peixes tropicais", publicado pela Editora da Universidade de São Paulo (USP).

Além da notória diversidade de peixes encontrada na Amazônia brasileira, acredita-se que haja grande quantidade de espécies ainda desconhecidas, devido à grande extensão, à ampla área coberta pela floreta e às dificuldades de acesso e logística para realização de pesquisas na região.

Inventários locais

De acordo com a pesquisadora do Instituto Mamirauá, Danielle Pedrociane, os inventários de ictiofauna da região do médio Solimões se detêm praticamente à região da cidade de Tefé e em lagos de várzea entre os municípios de Coari e Manaus.

“A oportunidade de pesquisar nesta área é um privilégio. Poder expandir os estudos para outros locais nos permitirá dar informações à comunidade local e científica. Conhecer o recurso que poderá ser utilizado pelas populações tradicionais, melhorando a sua renda e qualidade de vida. Tudo isso nos permitirá escolher o melhor caminho para buscar medidas de proteção, conservação e uso sustentável dos recursos naturais para esta e futuras gerações na Amazônia”, reforçou a pesquisadora.

Manejo e conservação

As informações geradas pelo estudo podem contribuir para revisão do plano de manejo da Resex. De acordo com Marcelo Vieira, gestor da Reserva pelo ICMBio, o plano contribui para orientar a gestão dos recursos naturais pelos comunitários, por se tratar de uma reserva extrativista.

“A gestão dos recursos deve acontecer de forma sustentável. Hoje, a Resex tem 24 comunidades, com cerca de 180 famílias vivendo ali, que precisam desses recursos. O relatório faunístico é importante, pois é o primeiro passo para qualquer ação em relação ao manejo”, reforçou.

Jonas Oliveira, técnico de pesquisa do Instituto Mamirauá, apontou que outro foco importante do estudo é identificar possíveis espécies que ocorrem na região e possuem potencial para o manejo de peixes ornamentais.

O que poderia se configurar como mais uma atividade para geração de renda para as populações residentes na Resex. “Ficamos muito interessados no tipo de ambiente que tem ali. É uma área onde nunca foi feito esse tipo de levantamento, e temos encontrado muitas espécies diferentes”, comentou.

O conhecimento da diversidade biológica de água doce e o entendimento da distribuição dessas espécies são estágios importantes para sua conservação.

O estudo da biodiversidade de peixes nessas duas unidades de conservação, além de gerar conhecimento científico sobre a região, pode responder a questões ecológicas relevantes, podendo ser considerados indicadores de qualidade do ecossistema.

“Algumas espécies de peixes podem ser consideradas bioindicadoras, a presença, ausência e abundância podem indicar o estado atual do ambiente. Por exemplo, inundação de áreas para represamento da água, desvio do curso do rio, mineração e o desmatamento modificam toda a estrutura das comunidades de peixes. E o resultado de qualquer modificação poderá levar a uma redução acentuada na biodiversidade”, reforçou a pesquisadora.

Expedições

A equipe de pesquisadores do Instituto Mamirauá já realizou duas expedições para a região, uma em agosto de 2014 e a última em fevereiro de 2015.

Durante as atividades, são coletados espécimes em diferentes ambientes, que serão posteriormente identificados em laboratório, com registro das informações de tamanho e peso. Para a coleta, são utilizados apetrechos de pesca adaptados ao tipo de ambiente.

De acordo com a pesquisadora, o inventário levará em consideração aspectos descritivos, classificatórios e filogenéticos, ou seja, desde a identificação dos animais até a análise da história evolutiva dos grupos, considerando a possível presença de espécies raras, endêmicas ou ainda não descritas.

Para cada área amostrada, também são registradas informações sobre a fisionomia dos locais. Esses dados, além de caracterizar o ambiente, permitem a verificação de possíveis relações ou variáveis ambientais nas espécies. São mensurados dados como temperatura da água, oxigênio, PH, condutividade, profundidade máxima e transparência.

Esec de Jutaí-Solimões e Resex do Rio Jutaí

As pesquisas na região do Rio Jutaí foram iniciadas no ano de 2014, a partir de uma demanda do ICMBio. A Reserva Extrativista (Resex) do Rio Jutaí foi criada em 2002 e possui a área de cerca de 275.500 hectares.

A Reserva Extrativista é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.

Enquanto a Estação Ecológica (Esec) de Jutaí-Solimões possui mais de 30 anos de criação (1983), e compreende a área de cerca de 289.500 hectares.

Embora sejam Unidades de Conservação criadas há bastante tempo, ricas em biodiversidade e consideradas áreas de relevante importância ecológica pela Unesco, ainda há pouco conhecimento científico sobre a região.

O grande desafio no dia a dia da gestão dessa unidade de conservação, Esec de Jutaí-Solimões, é a mobilização e divulgação, entre toda a comunidade, pescadores e caçadores, da existência e importância da estação ecológica na região.

Parceria entre ICMBio e Instituto Mamirauá

A proposta tem como base o termo de reciprocidade acordado entre as duas instituições, que prevê a realização de pesquisa científica em Unidades de Conservação da região do médio Solimões.

A parceria entre o Instituto Mamirauá e o ICMBio também vai viabilizar a realização do inventário da biodiversidade da fauna de aves, primatas, quirópteros, répteis e anfíbios, além de um estudo socioeconômico em comunidades de algumas destas Unidades de Conservação e apoio em atividades de manejo, como na pesca manejada de pirarucu.

Outras seis áreas da região estão compreendidas pelos projetos de pesquisa do Instituto Mamirauá em parceria com o ICMBio: Reservas Extrativistas do Baixo Juruá, Rio Unini e Auati-Paraná, Estação Ecológica Juami-Japurá, Área de Relevante Interesse Ecológico Javari Buriti e Floresta Nacional de Tefé.

Fonte:
Instituto Mamirauá

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