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Meio Ambiente

AM: Moradores de reservas ambientais se revezam para proteger tartarugas

Preservação

Comunitários montaram escala de revezamento para proteger praias durante dia e noite
por Portal Brasil publicado: 29/09/2015 19h55 última modificação: 30/09/2015 15h21
Amanda Lelis/Instituto Mamirauá  A iaçá é uma das três espécies da região do Médio Solimões, no Amazonas

A iaçá é uma das três espécies da região do Médio Solimões, no Amazonas

Moradores das reservas de desenvolvimento sustentável (RDSs) Mamirauá e Amanã, no Amazonas, montaram uma escala de revezamento para proteger as praias durante o dia e a noite, evitando a exploração ilegal das espécies de tartarugas que estão no período da desova.

Na temporada reprodutiva, as tartarugas procuram as praias que surgem com o início da seca para fazer a desova. Além do trabalho de vigia, os comunitários percorrem as praias fazendo o registro da quantidade de ninhos e desovas. Os dados coletados pelos moradores ajudam no monitoramento das espécies feito pelo Instituto Mamirauá.

Segundo o Instituto, seis comunidades retomaram as atividades de proteção das áreas de desova depois de um longo período. O trabalho diminui a pressão da caça sobre as tartarugas e contribui para a conservação das espécies.

"Eles vivem na área da reserva e em contato direto com esses animais. É muito importante termos esse retorno dos comunitários. Além de auxiliar na conservação das espécies, pode nos ajudar a obter informações científicas, como, por exemplo, quantas fêmeas estão desovando em cada área", explicou a pesquisadora do Mamirauá, Ana Júlia Lenz.

A equipe do Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios do Instituto Mamirauá estuda a ecologia reprodutiva de três espécies da região do Médio Solimões: a iaçá (Podocnemis sextuberculata), o tracajá (Podocnemis unifilis) e a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa). No caso das iaçás, o Mamirauá faz o monitoramento populacional da espécie há 20 anos. Durante esse período, mais de 7 mil animais já foram capturados e avaliados.

"Além de contribuir para a conservação das espécies de quelônios, as praias protegidas pelos comunitários beneficiam uma série de outros animais, como as aves de praia, que também constroem seus ninhos nas mesmas áreas que os quelônios, e muitas espécies de peixes que vivem nas proximidades e se beneficiam do fato de não ser permitida a pesca nessas áreas," completou Ana Júlia.

Dois alunos do Centro Vocacional Tecnológico (CVT) do Instituto Mamirauá estão trabalhando a conservação comunitária de quelônios como tema central dos seus projetos de conclusão de curso. E o trabalho já está dando resultado. O envolvimento dos alunos com as comunidades e o incentivo à conservação das áreas de desova fizeram com que novas comunidades também participassem das ações de proteção das praias.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério de Ciência e Tecnologia

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