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Saúde

Especialistas discutem uso de inibidores de apetite à base de Sibutramina

por Portal Brasil publicado: 14/06/2011 19h51 última modificação: 28/07/2014 12h52

O Brasil é responsável pelo consumo de cerca de 50% da Sibutramina vendida em todo o mundo, além de ocupar o terceiro lugar no ranking dos países que mais consomem derivados anfetamínicos. Os dados citados pelo diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Dirceu Barbano, durante a abertura do Painel Técnico Internacional sobre Eficácia e Segurança dos Medicamentos Inibidores de Apetite, reforçam a posição da agência, que defende a proibição na venda de produtos à base da substância no País.

O assunto foi tema de debate em evento promovido pela agência nesta terça-feira (14), em Brasília, para  subsidiar a decisão sobre a retirada ou manutenção destes medicamentos no mercado farmacêutico brasileiro.

O painel apresentou os prós e contras do uso da Sibutramina, baseado principalmente no mais recente estudo realizado com o medicamento, o estudo Scout. A pesquisa foi realizada em 16 países, com 10.744 mil pacientes, e indicou um aumento significativo do risco cardiovascular em pacientes com histórico de problemas cardiovasculares.

Segundo o parecer técnico da Anvisa, os riscos da utilização da Sibutramina superam os benefícios. “Os fatores de risco cardiovascular se misturam com a obesidade por si só, sendo difícil separar grupos de pacientes para os quais a utilização do medicamento apresentaria margem de segurança aceitável”, afirmou Laís França, do Núcleo de Investigação em Vigilância Sanitária da Anvisa.

Entre as reações adversas destacadas pela técnica, estão: elevação da pressão arterial, arritmias, acidente vascular cerebral hemorrágico, convulsões e depressão.

Representante do comitê do estudo Scout, o dinamarquês Christian Pedersen fez uma breve exposição sobre o estudo, apresentando a metodologia utilizada e as conclusões obtidas durante os seis anos de pesquisa. Pedersen ressaltou que os níveis de consumo da Sibutramina no Brasil não são razoáveis, mas afirmou que o medicamento pode ser uma alternativa terapêutica eficaz para alguns grupos de pacientes.

“A sibutramina não deve ser prescrita irrestritamente. Os médicos precisam avaliar cuidadosamente todas as alternativas terapêuticas e utilizar primeiro as mais seguras, mas há casos para os quais os benefícios da Sibutramina são inquestionáveis, como, por exemplo, no caso de pacientes com problemas nas articulações, com dificuldade para fazer exercícios diariamente”, exemplificou Pedersen.

Segundo o especialista, os medicamentos tipo anfetamínicos, por sua vez, cujos riscos de provocar dependência e problemas psíquicos são amplamente conhecidos, não deveriam ser utilizados como alternativa terapêutica para a obesidade.

Para Ricardo Meirelles, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e professor da PUC-Rio, o uso da Sibutramina é benéfico, desde que obedecidas algumas condições. “A eficácia do medicamento é real desde que o paciente apresente perda de peso e desde que o produto seja utilizado em conjunto com aconselhamento nutricional”, detalhou. Para o professor, a retirada do medicamento do mercado vai deixar os médicos com poucas alternativas terapêuticas para o tratamento da obesidade.

O professor Francisco José Roma, da Fundação Oswaldo Cruz, reprovou o  argumento e afirmou que a falta de opção terapêutica não pode ser justificativa para manutenção de tratamentos ineficazes.

“A relação de consumo de medicamentos é uma relação complexa, com uma série de interesses comerciais que conflitam com o interesse dos usuários. Neste contexto, a Anvisa atua para proteger a população e tem a missão de assegurar que apenas medicamentos benéficos para a população sejam mantidos no mercado. Essa decisão é responsabilidade da autoridade sanitária e não fere, de maneira alguma, a autonomia do médico”, defendeu Roma.

Ao encerrar o encontro, o diretor-presidente da Anvisa pediu às entidades que defendem o uso dos anorexígenos que apresentem os perfis de pacientes para os quais esses medicamentos devam ser indicados.


Fonte:
Anvisa

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