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Saúde

Pesquisa obtém controle do diabetes tipo 1

por Portal Brasil publicado: 22/10/2012 13h38 última modificação: 29/07/2014 09h02

Tratamentos consistiram na coleta e congelamento de células-tronco hematopoiéticas – percussoras dos glóbulos sanguíneos - da medula óssea

 

Pesquisas com células- tronco revelaram que diabéticos podem se livrar das aplicações de insulina ou, ao menos, diminuir as doses do hormônio. Os testes foram realizados por voluntários com diabetes tipo 1, doença considerada infanto-juvenil por atacar, principalmente, a população mais jovem.

Na primeira etapa da pesquisa, encerrada em 2010, foram feitos testes em 25 voluntários. Os tratamentos consistiram na coleta e congelamento de células-tronco hematopoiéticas – percussoras dos glóbulos sanguíneos - da medula óssea. Em seguida, esses voluntários passaram por sessões de quimioterapia agressiva para destruir o restante da medula e zerar o sistema imunológico. Posteriormente, eles receberam as células-tronco congeladas para reconstituir a medula e as células sanguíneas.

 

Das 25 pessoas que se submeteram ao tratamento, 21 deram respostas favoráveis. Três delas ficaram livres das aplicações de insulina e 18 voltaram a necessitar do hormônio, depois de um período de seis meses a cinco anos, mas em doses menores do que antes dos transplantes. “Não se pode dizer que estejam curados, mas com a doença controlada”, pontuou a reumatologista.

Na segunda fase, em andamento, os pesquisadores tentam obter melhor eficácia por meio de uma quimioterapia mais forte. O que se busca é que o paciente saia, totalmente, da dependência de insulina. Até agora, somente dois voluntários se apresentaram para se submeter aos testes.

Em pesquisa paralela, que começou em 2008, com a participação de oito pacientes diabéticos, foram feitas aplicações de células mesenquimais - que estão presentes em todo o corpo e compõem o tecido conjuntivo - retiradas de um parente do diabético. Nesse caso, a intenção foi atacar a inflamação do pâncreas pela regeneração do tecido. Porém, como a quantidade de células encontradas é insuficiente para as aplicações, parte delas é multiplicada em laboratório.

Nesses tratamentos, no entanto, metade dos pacientes, todos crianças, não obteve resultado esperado, e nos demais - todos adultos -, apenas dois conseguiram reduzir a necessidade de insulina.

Os pesquisadores pretendem renovar os testes com o aumento da coleta das células mesenquimais. Os interessados podem enviar e-mail paratmoautoimune@gmail.com. É necessário ter a partir de 18 anos e haver sido diagnosticado com a doença há pelo menos cinco anos.

 

Pesquisa

O estudo, realizado há seis anos, utiliza a técnica desenvolvida pelo reumatologista Julio César Voltarelli. 

Esses estudos estão sendo feitos no Centro de Terapia Celular (CTC), um dos centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP), em interação com pesquisadores dos Estados Unidos, da França e Inglaterra.

De acordo com a coordenadora desses trabalhos, a reumatologista Maria Carolina de Oliveira Rodrigues, o Brasil foi pioneiro nos experimentos e, após a divulgação em artigos científicos, a mesma técnica do transplante de células-tronco foi adotada em testes na Polônia e na China.

 

Diabetes

O diabetes tipo 1 e 2 são caracterizados por provocar aumento no nível de glicose no sangue. O tipo 1 é menos frequente, mas também tem prevalência significativa. Quem sofre do mal tem gradual falência do pâncreas, devido à destruição das células que produzem insulina, hormônio essencial para o controle do nível de açúcar. Explicou a Maria Carolina.

O tratamento tradicional é a aplicação regular de insulina, “o que afeta a qualidade de vida dessas pessoas e ainda aumenta os riscos de, no futuro, se desenvolver problemas nos rins, nos nervos e de vista”, salientou a médica.

Segundo ela, quando o paciente recebe o diagnóstico da doença, normalmente, ainda tem preservados entre 20% a 30% do pâncreas. É nessa porção de vida da glândula que os pesquisadores iniciaram a busca do controle da doença.

No Brasil, de acordo com o Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (Vigitel), em 2007 a ocorrência média de diabetes na população adulta (acima de 18 anos) foi de 5,2%, o que representa 6.399.187 de pessoas que confirmaram ser portadoras da doença.

 

Tipos mais frequentes de diabetes

Tipo1 - Diabetes mellitus insulinodependente - Geralmente ocorre em crianças, jovens e adultos jovens e necessita de insulina para o seu controle.

Tipo 2 - Diabetes mellitus não insulinodependente - É o tipo mais frequente de diabetes, aparece geralmente após os 40 anos de idade

Diabetes gestacional - É o tipo que aparece na gravidez, sobretudo se a mulher: tem mais de 30 anos, tem parentes próximos com a doença, já teve filhos pesando mais de 4 Kg ao nascer, já teve abortos ou natimortos, é obesa ou aumentou muito de peso durante a gestação.

 

Tratamento pelo SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) possui um conjunto de ações de promoção de saúde, prevenção, diagnóstico, tratamento, capacitação de profissionais, vigilância e assistência farmacêutica, além de pesquisas voltadas para o cuidado ao diabetes. São ações pactuadas, financiadas e executadas pelos gestores dos três níveis de governo: federal, estadual e municipal. As ações de assistência são, na maioria, executadas nos municípios, sobretudo por meio da rede básica de Saúde.

O Ministério da Saúde repassa recursos para estados e municípios que adquirem e distribuem os medicamentos e insumos necessários, como glicosímetros, fitas reagentes para medida da glicemia capilar, seringas e agulhas para aplicação de insulina.

O ministério também é responsável pela aquisição e distribuição, para todo o País, das insulinas NPH e Regular.

 

Fonte:
Agencia Brasil
Ministério da Saúde

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