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Saúde

Estudo avalia usuários da Estratégia de Saúde da Família

Pesquisa em saúde

De acordo com a pesquisa, dentre os motivos para faltas às consultas, destacou-se o esquecimento, assim como o agendamento em horários inoportunos
por Portal Brasil publicado: 16/10/2013 18h07 última modificação: 29/07/2014 09h17
Divulgação/Governo do Maranhão Pesquisa analisa os motivos que levam o usuário a comparecer ou não às consultas médicas programadas

Pesquisa analisa os motivos que levam o usuário a comparecer ou não às consultas médicas programadas

Aluna de mestrado profissional em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), Mellina Marques Vieira Izecksohn, dedicou-se a uma pesquisa quanti-qualitativa para fundamentar sua dissertação, com o tema: Os motivos que levam o usuário da Estratégia de Saúde da Família (ESF) a comparecer ou não às consultas médicas programadas precisam ser conhecidos, em virtude do impacto negativo que as faltas podem causar no serviço de saúde, inclusive de caráter financeiro, e no cuidado do usuário.

As técnicas do estudo consistiram na quantificação de faltosos (48,9%) em duas equipes do Centro de Saúde Escola Manguinhos (RJ), no período de seis meses, e de entrevista semiestruturada com 22 pacientes cadastrados na Estratégia de Saúde da Família que faltaram ou não às consultas médicas agendadas.

Segundo Melina, foi identificado um percentual de faltas de 48,9% no período de seis meses estudado, sendo que dessas faltas, 58,5% das pessoas faltaram uma vez, 26,5% faltaram duas vezes e 15% faltaram mais de três vezes. “O principal motivo para agendamento das consultas dos usuários foi o acompanhamento de sua saúde que pode ter diversas interpretações por parte dos profissionais de saúde e dos pacientes”, afirmou.

A pesquisadora explicou que, dentre os motivos para as faltas às consultas citados pelos usuários, destacou-se o esquecimento, assim como o agendamento em horários inoportunos. Alguns ruídos na comunicação dos usuários com a Unidade de Saúde, também foram identificados, como a impossibilidade de cancelamento do encontro sem que o mesmo compareça ao serviço. “O papel do agente comunitário de saúde como a pessoa que agenda as consultas também é relevante, contribuindo tanto para a assiduidade como para as faltas às consultas”, destacou Melina.

Também foi possível identificar alguns aspectos relacionados à organização do serviço de saúde e a características do usuário. “A ampliação das formas de comunicação da equipe com os usuários, tendo em vista a ampliação do cuidado, um aprimoramento da escuta e pactuação entre os atores no momento do agendamento considerando o cotidiano dos usuários; uma maior flexibilização da equipe e de seus horários, bem como um maior comprometimento por parte deles, a implantação de envio de mensagem de texto são algumas propostas que surgem para melhorar a assiduidade às consultas médicas” completou.

Área de aplicação do estudo

O cenário do estudo de Mellina constitui-se no complexo de Manguinhos, situado na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro (RJ), com cerca de 36.000 moradores, renda per capita de R$ 118,8624, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,72624. Segundo o Instituto Pereira Passos, essa região encontra-se na 122ª colocação em relação ao IDH entre os 126 bairros do município. “A violência local, relacionada ao tráfico de drogas e às frequentes incursões policiais faziam parte do cotidiano dos moradores da região até a ocupação da área pela Polícia Militar, em 14 de outubro de 2012 e a instalação da Unidade de Policia Pacificadora no início de 2013. O que se configura, em 2013, é um clima de menos violência e de muita desconfiança, com policiais militares circulando intensamente por todas as comunidades”, informou Mellina.

A população abrangida pelo estudo foi dividida em duas equipes. A equipe A é de 2.743 pessoas, das quais 14 são gestantes e 811 tem menos de 18 anos, sendo a amostra de estudo composta por 1.917. Já a equipe B abrange uma comunidade com 2.624 usuários, sendo 681 menores de 18 anos e 17 gestantes, sendo a amostra de estudo de 1.927 pessoas.

Pesquisadora

Mellina Marques Vieira Izecksohn é graduada em Medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (2005). Atualmente é médica de família e comunidade - Território Integrado de Atenção à Saúde Manguinhos, preceptora de Residência Médica em Medicina de Familia e Comunidade da Escola Nacional de Saúde Pública e preceptora de residência médica e internato da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e teve orientação da pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Jaqueline Teresinha Ferreira

Fonte:

Fundação Oswaldo Cruz

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