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Saúde

Novas opções terapêuticas tentam controlar câncer de mama

Pesquisa em Saúde

Anticorpos monoclonais vêm se afirmando como uma opção terapêutica cada vez mais importante no controle e prevenção de metástases
por Portal Brasil publicado: 10/04/2014 10h29 última modificação: 30/07/2014 03h20

O câncer de mama é o tumor maligno mais frequente no sexo feminino, sendo responsável por quase 20% dos novos casos anuais de câncer e a primeira causa de morte por câncer entre mulheres ao redor do mundo. Em 2010, cerca de 50 mil novos casos de câncer de mama foram estimados no Brasil pelo Instituto Nacional de Câncer, e as taxas de incidência bruta para essa doença têm aumentado de forma constante ao longo dos últimos anos. Com isso, o câncer de mama está atrás apenas do câncer de próstata em termos de incidência no País.

Foi com base nesses números que um grupo de pesquisadores, liderado pelo Professor Doutor Paulo Marcelo Gehm Hoff, Diretor Clínico da Oncologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, teve a iniciativa de pesquisar novos métodos de prevenção e controle de metástase em casos de câncer de mama. Com o apoio do CNPq e do Ministério da Saúde, o grupo foi beneficiado por meio de Edital para elaborar e executar protocolo de ensaio clínico de fase II (fase de testes) utilizando anticorpos monoclonais.

De acordo com o pesquisador Dr. José Fernando Perez, presidente da empresa parceira no projeto, Recepta Biopharma, anticorpos monoclonais vêm se afirmando como uma opção terapêutica cada vez mais importante no tratamento de diversos tipos de câncer, especialmente no controle e prevenção de metástases. Trata-se de proteínas com a capacidade de reconhecer e de se ligar a alvos específicos na superfície das células tumorais, atuando diretamente sobre elas ou estimulando ações do sistema imunológico sobre essas células, para inviabilizar sua sobrevivência e reprodução. Devido a essa característica de ser uma terapia direcionada, os efeitos colaterais de seu uso são tipicamente menos severos do que os associados às quimioterapias.

Quando diagnosticado em estágios iniciais e tratado adequadamente, o câncer de mama pode ser curado em grande porcentagem dos casos. Porém, a letalidade por esse tumor permanece elevada no Brasil, provavelmente porque a doença ainda está sendo diagnosticada em estado avançado. Estima-se, por exemplo, que aproximadamente 16% das mulheres brasileiras com câncer de mama já apresentam metástases à distância no momento do diagnóstico, sendo essa mesma taxa de aproximadamente 5% nos Estados Unidos. Além disso, ao menos metade dos casos diagnosticados em fases iniciais e tratados de maneira adjuvante desenvolvem recidivas sistêmicas da doença durante o seguimento. Para a grande maioria dessas pacientes, portadoras de doença avançada, não há perspectiva de cura com as modalidades terapêuticas atualmente disponíveis.

Dr. Oren Smaletz, diretor médico da Recepta Biopharma, esclarece que a quimioterapia convencional no tratamento de câncer ataca todas as células que se multiplicam rapidamente - inclusive as saudáveis, como as do trato gastrointestinal e as do couro cabeludo. Por isso, este tratamento provoca tantos efeitos colaterais. Os anticorpos monoclonais, por sua vez, são uma terapia direcionada, com consequências adversas mais suaves. “O anticorpo é uma proteína, desenvolvida por um complexo processo biotecnológico” - explica Smaletz – “Pegamos o gene que determina a produção da proteína e o introduzimos numa célula animal. Essa célula passa a produzir a proteína. Esta só vai se ligar a alvos específicos, ou seja, a células de alguns tumores”.

“No caso da doença metastática, a chance de eliminação completa dos focos de doença é muito pequena, mesmo com quimioterapia convencional. Nestes casos, um bom controle da doença com uma boa qualidade de vida com pouco efeitos colaterais é uma boa opção para as pacientes. Também sabemos que os tratamentos tendem a ser cada vez mais personalizados. A doença se manifesta de uma forma específica em cada paciente, e o médico deve adaptar a terapia a essas particularidades”.

As pesquisas, que terão a duração de 36 meses, envolvem 60 mulheres com câncer de mama avançado (localmente avançado ou metastático) comprovado histologicamente. Elas estão sendo tratadas com infusões intravenosas do anticorpo Hu3S193.

O grupo está situado no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e no Instituto Sírio Libanês de Ensino e Pesquisa (ISLEP), ambos com ampla estrutura para pesquisa e corpo técnico, entre médicos, farmacêuticos, enfermeiros e equipe de coordenação administrativa altamente qualificada para o desenvolvimento dos ensaios.

O projeto "Estudo de Fase II Multicêntrico de Tratamento com Hu3S193 em mulheres com câncer de mama avançado com progressão após tratamento hormonal" é oriundo de processo contemplado no Edital 52/2009 CNPq/DECIT/MS. O objetivo da proposta é a prevenção e controle da metástase em casos de câncer de mama, e entre os parceiros se destacam a Recepta Biopharma, empresa especializada em Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação e Testes Clínicos de Anticorpos Monoclonais (mAbs) e o Instituto Ludwing de Nova Iorque, EUA. Ainda na especificidade do Edital, destaca-se a supervisão da CRO - Clinical Research Organization -, responsável pela coordenação da pesquisa, contratada em Chamada específica.

Fonte:

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

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