Saúde
Transplantes de coração tiveram aumento de 60% em três anos
Fila de espera
O dia 1º de novembro de 2007 é uma data muito especial para a família Alves, de Brasília (DF). Bráulio Pinto Alves, na época com 56 anos, recebeu a notícia tão esperada: a chegada de um coração compatível. Uma família havia perdido um parente e tomou a decisão de doar os órgãos e, assim, salvar outras vidas.
Os transplantes de maior complexidade foram os que mais cresceram no Brasil nos últimos anos, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde na terça-feira (29). Somente os transplantes de coração tiveram um aumento de 60% entre 2010 e 2013. Os avanços concentram-se, sobretudo, nas cirurgias de órgãos sólidos - como pulmão e coração - em que o crescimento foi de 18% no período, chegando a 7.579 atendimentos.
No caso de Bráulio, o que o atormentava era a doença de Chagas. “O coração já estava todo inchado. Ele não conseguia mais dormir direito e só dormia sentado, não aguentava mais andar, não comia direito, tinha muita arritmia. O médico disse que a única forma dele sobreviver seria com o transplante”, relembra a esposa, Lina Vieira Alves, hoje com 53 anos.
Para Lina, é preciso fazer um trabalho de conscientização das pessoas para que elas optem por doar os órgãos. “A impressão que eu tenho é que a doação de coração parece ser mais complicada, porque a pessoa quando perde um parente acha que a vida da pessoa está no coração, e aí acaba doando todos os outros órgãos, menos o coração”, afirma.
A dona de casa conta ainda que atualmente a fila de espera por transplante está muito melhor do que há sete anos. “Naquela época, a distribuição dos órgãos era complicada e demorava muito. As pessoas ficavam mais tempo na fila de espera. Hoje o andamento da fila está muito melhor”, completa.
Melhorias
Entre 2010 e 2013, houve aumento de 12,4% na quantidade de centros de transplantes habilitados pelo Ministério da Saúde no País, passando de 660 para 742. Com a ampliação dos serviços, o número de pessoas aguardando por um transplante no país caiu 56,8% nos últimos três anos.
Em 2010, 59.728 pessoas estavam na lista nacional de espera e, em 2013, esse número caiu para 38.074. O controle do atendimento aos pacientes é realizado pelas Centrais Estaduais de transplantes, que mantém em seus cadastros todas as informações sobre compatibilidade e situação de saúde do paciente.
O aumento do número de doadores é um dos aspectos que também impacta na fila de espera. O número de doadores efetivos no Brasil passou de 1.896, em 2010, para 2.562, em 2013, um aumento de 35,6% no número de famílias que optaram por doar os órgãos de seus parentes. Com isso, o indicador de doadores por milhão passou de 9,9, em 2010, para 13,4, em 2013, um salto importante para alcançar a meta do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde de chegar a 15 pmp até 2015.
Tendência a zerar
O transplante de córnea é o que mais apresenta redução da lista de espera, isso porque seis estados zeraram a fila por esta cirurgia em 2013. É o casode Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, que juntos respondem por mais 60% dos transplantes de córnea do País. Em outros estados, a lista de espera está com poucos nomes e, por isso, com tendência de zerar. Isso ocorre em Mato Grosso e no Distrito Federal.
A lista de transplante de córnea é considerada zerada quando a quantidade de pessoas que devem fazer a cirurgia está dentro ou abaixo da capacidade média mensal de atendimento do estado. Como muitos estados zeraram a fila e outros conseguiram reduzir a lista de espera, o número de cirurgias de córneas vem caindo.
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