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Saúde

Pesquisa mostra possibilidade de recuperar lesões cardíacas

Doença de Chagas

Doença afeta cerca de 12 milhões de pessoas no mundo, sendo aproximadamente três milhões no Brasil
publicado: 22/10/2014 11h25 última modificação: 22/10/2014 11h25

Cerca de 30% das pessoas com doença de Chagas crônica desenvolvem danos ao coração que podem levar à morte, como arritmia e insuficiência cardíaca. Sem tratamento específico para combater o problema, estes pacientes são medicados com drogas usadas para outras doenças do coração.

Estes remédios podem controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, mas não impedem o avanço das lesões causadas pela infecção.

Agora, uma pesquisa liderada pelo Laboratório de Biologia das Interações do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) aponta um possível caminho para o desenvolvimento de novas terapias para os danos cardíacos.

Segundo o estudo, reduzir os níveis de uma substância inflamatória – o fator de necrose tumoral (TNF, em inglês) – impede a progressão e consegue até mesmo recuperar lesões no coração.

O trabalho, realizado em colaboração com o Laboratório de Biologia Molecular e Doenças Endêmicas do IOC/Fiocruz e a Universidade Federal Fluminense (UFF), foi publicado na revista científica internacional Mediators of Inflammation. 

Sobre a Doença

Causada pelo parasito Trypanosoma cruzi, a doença de Chagas afeta cerca de 12 milhões de pessoas, sendo aproximadamente três milhões no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde.

Embora medidas como uso de inseticidas e melhoria das condições habitacionais possam interromper a transmissão do agravo, os pesquisadores destacam que a descoberta de novos tratamentos é fundamental para dar qualidade de vida aos pacientes.

A pesquisadora Joseli Lannes Vieira, chefe do Laboratório de Biologia das Interações do IOC/Fiocruz e coordenadora do estudo, ressalta a importância de encontrar soluções: “A maioria dos portadores brasileiros já está na fase crônica da infecção. Além disso, na Bolívia, por exemplo, existem cidades onde o ciclo de transmissão não foi quebrado, como ocorreu no Brasil, e 70% da população é infectada.”

A pesquisa foi realizada em camundongos, que são capazes de reproduzir aspectos relevantes da forma cardíaca da doença de Chagas. Animais que já apresentavam sinais de danos ao coração foram medicados com a droga infliximab, que impede a ação do TNF no organismo e já é utilizada no tratamento de doenças autoimunes, como a artrite reumatoide.

Após a terapia, os cientistas observaram melhora na função cardíaca dos camundongos. “Houve redução da fibrose do tecido cardíaco e recuperação da função elétrica, diminuindo, por exemplo, a ocorrência de arritmias”, relata a biomédica Isabela Resende Pereira, aluna do programa de doutorado em Biologia Celular e Molecular do IOC/Fiocruz e uma das autoras do estudo. 

Desequilíbrio imunológico 

O tratamento realizado no estudo parte de um princípio que pode ser surpreendente: em alguns pacientes, a reação imunológica desencadeada pelo organismo para combater os parasitos Trypanosoma cruzi que se alojam no músculo cardíaco termina danificando o coração.

Segundo Joseli, os cientistas chegaram a esta hipótese depois de observar que indivíduos com cardiopatia chagásica grave apresentavam altos níveis de TNF solúvel no sangue, além de outros mediadores que estimulam a inflamação.

Por outro lado, pessoas com formas leves da patologia tinham patamares baixos destes mesmos mediadores. “O TNF é uma molécula muito importante no começo da resposta às infecções. No entanto, nos pacientes graves, é como se a reação inflamatória intensa, que é benéfica na fase inicial da reação, fosse mantida durante anos, causando danos ao organismo”, explica a pesquisadora.

Fonte:

Ministério da Saúde

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