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Saúde

Brasília recebe simpósio sobre saúde dos homens

Prevenção

Evento discutiu aspectos socioculturais apresentados em muitos homens e as políticas formuladas para compreensão da realidade
por Portal Brasil publicado: 24/11/2014 11h07 última modificação: 24/11/2014 11h07

Foi realizado, na sexta-feira (21), em Brasília, o I Simpósio de Atenção Integral à Saúde dos Homens. O evento teve como objetivo discutir a saúde do homem de forma integral e foi organizado em parceria pelo Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas).

Eduardo Chakora,  da Coordenação Nacional de Saúde dos Homens do Ministério da Saúde, abriu o evento ressaltando a importância da iniciativa. “O evento é um marco para a saúde dos homens. Um tema tão importante estratégico para a saúde do país precisa ser discutido”, afirmou.

O coordenador também iniciou as discussões apresentando a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Dados mostram que a população do Brasil tem 99 milhões de homens, o que corresponde a 48,7% da população do país e que eles vivem, em média, 7,2 anos a menos que as mulheres.

Chakora ainda ressaltou alguns aspectos socioculturais observados em muitos homens:

• Têm medo de descobrir doenças
• Acham que nunca vão adoecer e por isso não se cuidam
• Não procuram os serviços de saúde e não seguem os tratamentos recomendados
• Estão mais expostos aos acidentes de trânsito e trabalho
• Apresentam vulnerabilidades específicas que contribuem para maior suscetibilidade a infecção de DST/Aids
• Utilizam álcool e outras drogas com maior quantidade
• Estão envolvidos na maioria das situações de violência
• Não praticam atividades físicas com regularidade

Para combater estes pontos foi criada, em 2009, a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem. Tradicionalmente, o sistema de saúde tem dado prioridade à atenção a crianças e mulheres – e, mais recentemente, também aos idosos – considerando-os como estratos mais frágeis da sociedade.

Os homens, de forma geral, habituaram-se a evitar o contato com os espaços da saúde. Avessos à prevenção e ao autocuidado, é comum que protelem a procura de atendimento, permitindo que os casos se agravem e ocasionando, ao final, maiores problemas e despesas para si e para o sistema de saúde, que é obrigado a intervir nas fases mais avançadas das doenças.

A política foi formulada para promover ações de saúde que contribuam significativamente para a compreensão da realidade singular masculina nos seus diversos contextos socioculturais e político-econômicos.

A iniciativa está alinhada com a Política Nacional de Atenção Básica – porta de entrada do Sistema Único de Saúde –, particularmente com suas estratégias de humanização, na busca do fortalecimento das ações e dos serviços disponibilizados para a população.

Eduardo foi seguido por Carlos Guido, colaborador da Opas Chile, que abordou o Gênero e a Saúde do homem pela ótica da valorização dos gêneros de forma integrada, cuidando da saúde do homem muito além das doenças mais conhecidas, como as relacionados à próstata e à hipertensão.

O simpósio tratou também de doenças prevalentes/crônicas. A mesa contou com participação de Marcelo Pellizzaro, médico de família, Coordenação Geral de Atenção a Pessoas com Doenças Crônicas/Ministério da Saúde.

Marcelo abordou as mudanças nas recomendações do Ministério da Saúde e do INCA sobre a detecção precoce de câncer de próstata, evoluindo a discussão a favor da investigação e contra o rastreamento, e a não recomendação do exame PSA para homens assintomáticos.

Patrícia Chueri, coordenadora de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas do Ministério da Saúde, apresentou o cenário atual das doenças crônicas no Brasil e os programas que auxiliam a prevenção e tratamento. Maria Aparecida Murr, médica do Ambulatório de Saúde do Homem do Centro de Saúde Sobradinho II, mostrou a experiência no Distrito Federal.

“Acreditamos que a criação de Ambulatório de Saúde do Homem em horário alternativo, inserido na atenção básica como entrada, com capacidade resolutiva, abordando as questões de gênero e outras, seja uma boa opção para o cuidado com homem”, afirma Murr.

O evento ainda contou com mais duas mesas. Uma focada na saúde sexual, reprodutiva e paternidade e um estudo de casos sobre o “Programa P”, uma experiência com paternidade e cuidado no Rio de Janeiro - Milena do Carmo (Instituto Promundo/RJ) e a experiência na Maternidade Carmela Dutra –RJ.

Para encerrar o dia de discussões sobre a saúde do homem, foi construída uma carta para guiar ações futuras relacionadas ao assunto.

Fonte:

Blog da Saúde

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