Cidadania e Justiça

Dia Internacional da Mulher

Assédio afeta saúde física e emocional das mulheres

Cerca de 99,6% das mulheres já foram assediadas na rua. Mais de 80% escolhem rotas e roupas diferentes para fugir do constrangimento
publicado: 07/03/2017 21h16, última modificação: 23/12/2017 10h55
Machismo afeta saúde mental e rotina das mulheres

Assobios, comentários de viés sexual, olhares e contato indesejado são crimes segundo a Constituição - Foto: Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Assobios, comentários de viés sexual, olhares e até mesmo contato indesejado são considerados crimes pela Constituição. Em geral, enquadram-se como importunação ofensiva ao pudor. Esses casos se referem ao assédio verbal, ou seja, cantadas e ameaças. Se comprovada e prática, os autores são condenados e multados.

Levantamento da Organização Não Governamental Think Olga revela que 99,6% das 7,7 mil mulheres entrevistadas durante pesquisa já foram assediadas em algum momento de suas vidas. O documento revela, ainda, que cerca de 98% sofreu assédio na rua e 64%, no transporte público. Segundo a pesquisa, 81% das mulheres mudam a rotina por medo do assédio. Isso inclui desde uma simples troca de roupa até a escolha por outro trajeto nas ruas.

As consequências podem ser ainda piores e ter reflexos na saúde física e emocional das mulheres. Isso porque a assediada corre risco de desenvolver distúrbios como ansiedade, depressão, perda ou ganho de peso, dores de cabeça, estresse e problemas no sono.

A pesquisadora do Instituto de Pesquisa Aplicada da Mulher (Ipam), Tânia Fontenele, explica que é importante destacar a noção de que esses comportamentos são desrespeitosos e não confundir com elogios.

“Na nossa cultura, essa atitude já está tão naturalizada que as pessoas fazem como se não fosse nada. Não importa a roupa que você esteja vestida, essa postura é absolutamente detestável e não podemos admiti-la", ponderou a especialista.
 

Como denunciar

Denúncias de assédio podem ser formalizadas em qualquer delegacia, por meio de um boletim de ocorrência. A orientação da Defensoria Pública é de que as vítimas procurem os policiais militares imediatamente.

Para que os agentes consigam identificar os autores do assédio, é importante descrever as características físicas e as roupas usadas pelo agressor. O Disque 180 também recebe denúncias de assédio.


Abuso de poder

Se o constrangimento causado por estranhos nas ruas pode causar danos à saúde mental e física das mulheres, o assédio sexual no ambiente de trabalho coloca o emprego em risco. Segundo o Ministério do Trabalho (MTE), as principais vítimas dessas agressões são mulheres negras.

De acordo com o MTE, o assédio sexual é uma forma de abuso de poder no trabalho e consiste em constrangimentos constantes por meio de cantadas e insinuações.

Uma cartilha do ministério orienta as mulheres a negarem as investidas do agressor e reunir provas como bilhetes, presentes e mensagens que possam ser usadas em um processo administrativo ou criminal, caso as vítimas recorram à justiça para denunciar essas situações de abuso.

Outra medida cabível é fazer denúncia no sindicato da categoria e registrar o boletim de ocorrência na Delegacia da Mulher.

Assédio começa cedo

Dados obtidos por uma pesquisa da organização internacional ActionAid apontam que 16% da população feminina do Brasil relata ter sido assediada antes dos 10 anos. Para 55% das mulheres, a situação abusiva começou antes dos 18 anos.

Para a pesquisa, foram considerados assédio os atos indesejados, ameaçadores e agressivos contra as mulheres, podendo configurar abuso verbal, físico, sexual ou emocional.

O levantamento da ActionAid também ouviu tailandesas, indianas e britânicas. O Brasil é o que apresenta a maior incidência de assédio entre as mulheres. O País tem também os maiores índices de assédio sofrido por meninas antes dos 10 anos.

A pesquisa foi feita on-line no período entre 1º e 14 de novembro de 2016 e ouviu 2.236 mulheres (1.038 na Grã-Bretanha, 502 no Brasil, 496 na Tailândia e 200 na Índia).

 


Fonte: Portal Brasil, com informações da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), do Think Olga, Defensoria Pública de São Paulo, Agência Patrícia Galvão, MTE, Defensoria Pública do Distrito Federal

error while rendering plone.belowcontentbody.relateditems